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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Nas mãos de Itamar


O resultado das eleições de 2010 traz um amargo sabor para Juiz de Fora. A cidade perdeu representação política e terá pouca gente nas casas legislativas para atuar em favor de suas carências.
Na Câmara Federal, estamos limitados a Marcus Pestana (PSDB), que terá de se desdobrar para atender às cidades que, junto com JF, o ajudaram a se eleger, e Júlio Delgado (PSB). Bruno Siqueira (PMDB) será o cavaleiro solitário de nossa Manchester Mineira na Assembleia Legislativa.
É muito pouco para uma metrópole que precisa avidamente de recursos para desenvolver-se. Precisávamos de uma gama bem mais ampla de representantes para lutar por nossos interesses.
A única notícia acalentadora que as urnas revelaram foi a vitória de Itamar Franco (PPS) para o Senado. Com o ex-presidente, JF volta a ter voz ativa na Casa Legislativa mais importante da República. Ele terá a responsabilidade de angariar verbas para nossa região. Com a estirpe política que lhe é peculiar, Itamar reúne todas as condições para ser bem sucedido nessa árdua missão. No entanto, o papel do ex-governador não para por aí.
Articulado com Aécio Neves (PSDB), eleito para o Senado, e Antônio Anastasia, reeleito governador, Itamar carreará consigo o dever de sensibilizar a cúpula do Palácio da Liberdade para engrossar o volume de recursos para a Zona da Mata mineira.
A sustentabilidade de JF está nas mãos de Itamar Franco. Depende dele a vinda de obras substanciais para nossa região, seja como legislador no Senado Federal, seja como interlocutor do governador Anastasia.
Itamar sabe o peso que está em suas costas e, mais ainda, é ciente do quanto sua cidade necessita, neste momento, de seu capital político.

Observação: Desconsidero as famílias Varela, Braz, Andrada e Moreira, pois o patrimônio político delas é formado por eleitores de nossa região e não de JF especificamente.

sábado, 25 de setembro de 2010

Os dois lados da moeda


O projeto stalinista do PT pode ser definido em poucas e lúcidas palavras: ficar no poder o maior tempo possível, empregar parentes, afilhados e amigos, cooptar bajuladores e desqualificar os críticos. É uma tática tão sórdida quanto antiga. Remete aos áureos tempos (para os bolchevistas, é óbvio) de União Soviética, Guerra Fria e muros malignos.
Portanto, ao metralhar a ala crítica da imprensa, Lula cumpre seu papel de grande líder, de guardião maior dos interesses da sociedade (interesses, claro, que são do Lula e asseclas, somente deles). Na ótica enviesada dos setores que apoiam o petismo, apontar erros e oferecer soluções mais eficazes é um des-serviço, uma ofensa moral a quem luta pelos mais humildes.
Todavia, em um ponto dessa discussão, Lula está correto. Órgãos da imprensa brasileira partem para o combate político frontal travestidos de neutros, de aparelhos que estão isentos de interesses e preferências. Pura bazófia. Claro que todos os veículos têm um lado, claro que estão em um dos extremos da trincheira. Essa história de independência editorial, essa postura “em cima do muro” não convence ninguém.
Lula foi exitoso ao dizer que seria mais fácil para todos se os órgãos assumissem de uma vez de que lado estão. Assumir uma posição não desprestigia ou desqualifica ninguém. Somos todos dotados de conceitos e valores, somos todos portadores de predileções. Alguns preferem o preto, outros o vermelho. Muitos querem a Dilma, outros o Serra e alguns a Marina.
Desse modo, devemos refletir se essa imparcialidade hoje deve ser mesmo adotada. Afinal, todos sabemos de que lado está cada veículo de comunicação. Esconder e omitir são apenas formas de promover falácias e factóides. Devíamos, mesmo, pintar nossos rostos com as cores de nossa ideologia e assumir o que somos. Cada um devia fazer isso. Eu, você e os órgãos de comunicação também. Posso garantir que não vai doer nem um pouco.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quando os homens são os deuses


 Na política, Lula engoliu o PT e, do alto de sua popularidade (80% da população brasileira o ama), vai eleger uma candidata sem representatividade ou história como a primeira mulher presidente do Brasil. Será uma dupla quebra de paradigmas. Um ex-metalúrgico, nordestino, considerado analfabeto por muitos, chegou ao cargo mais expressivo da República e, agora, emplacará a primeira mulher no mesmo ofício. É de sacudir as estruturas de nossa sociedade conservadora, preconceituosa e egocêntrica. Uma pena que, no governo, Lula tenha dado continuidade às más práticas de seus antecessores tucanos. Ainda assim, ninguém consegue negar que Lula é hoje um gigante diante do raquítico Partido dos Trabalhadores.
Achei que não veria tão cedo essa espantosa inversão de valores novamente. Mas estou enganado. O Santos Futebol Clube acabou de provar que é menor do que o futebol de Neymar, seu craque magno. Desmoralizou o já desmoralizado Dorival Jr. com uma demissão desmoralizante. Rachou a vidraça da reputação de um dos mais laboriosos e sérios treinadores da atual geração. Tudo em favor de um jogo de interesses que vai além do que podemos ver ou imaginar. Tudo por causa da seminal pirraça de um jogador mal criado, que julgava ter o globo terrestre cravado nas travas de suas chuteiras.
A atitude inicial, multa (?) e suspensão, estavam corretas, no tamanho exato que a situação demandava. Mas surgiu o clamor de outras vozes, de vetores encardidos que se escondem sob as telhas nefastas e imprevisíveis do futebol. Surgiu, como um mandamento emanado dos céus e das montanhas, a ordem para escalar Neymar contra o Corinthians. E aí tudo se inverteu. O castelo de cartas desabou e o seu monarca, justo e coerente com os súditos, acabou guilhotinado. Tudo indica que logo reinará novamente nas terras do Morumbi, mas, ainda assim, o desfecho desse caso tem perdedores.
Primeiramente, o Santos, que se revelou sob a gerência de interesses muito suspeitos, nem  sempre compatíveis com um projeto de vitórias e títulos. Em segundo lugar, pode-se apontar o próprio Neymar, pois, como saiu “vencedor” dessa batalha, avançou mais um estágio em seu processo de transformação em um monstro sem limites ou responsabilidades. Por fim, perde o futebol. Afinal, nada podemos esperar, no que tange a valores morais, éticos e humanos, de um universo em que os deuses se dobram perante os homens.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Estar em Juiz de Fora

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sábado, 24 de julho de 2010

O dançarino


Ele dança encarando o espelho. As lágrimas bailam pelas curvas da face e depois mergulham para o infinito. Na cabeça, um chapéu que desenterrou de um baú de velharias. Em umas das mãos, uma luva de muitos anos.
Ele canta, gira, sapateia. Materializa movimentos surreais com seu corpo de elástico, desafiando os limites da física e das ciências. Era uma forma de homenagear uma pessoa querida, morta horas antes. Aquele show na escuridão vazia de um quarto representa toda dor que irrompe do peito para os passos, o gingado, a arte. O player do computador não se cansa de tocar as mesmas canções, de descascar a mesma ferida. As páginas da web noticiam sem parar. São fotos, vídeos, imagens e músicas. Os holofotes, os flashes, as manchetes apontam para um mesmo ponto: o infinito.       
Dolorido, machucado, desfalcado de si, ainda assim o dançarino gira e se movimenta, flutuando pelo ar, duelando com a gravidade e com as leis de Newton. É um instante em que pode tocar os dedos que se foram e a saudade que se instala. Novas lágrimas, novos passos, a mesma sensação. Nada pode estancar aquela hemorragia de sentimentos, aquela brutal lacuna. Uma parte do passado e um pedaço do futuro serão enterrados em algum lugar desse mundo. Restará o vazio, restará a fria constatação de que algo ficou para trás. É como se o mundo e o tempo continuassem seu destino, seu curso, deixando algo perdido nas páginas do pretérito. Estamos perplexos diante da tragédia que é comum, que alcança diferentes pessoas, diferentes países, todos os dias, todas as horas e em todo lugar. Porém, com ele parecia que jamais aconteceria. Ele parecia maior que tudo e todos. Ele parecia um imortal, um homem de mil destinos e de mil histórias. Um homem que jamais seria calado pelo amargor de um túmulo.
Algo parece sem sentido. Falta ao planeta um de seus alicerces, um de seus pilares. O reino está órfão. Perdeu seu rei, sua criança. Perdemos todos nós. Mas ele continua dançando e girando. O espelho está lá, refletindo e expandindo toda aquela dor, toda aquela magia. As lágrimas continuam flutuando, continuam se multiplicando. Nada explica a dor e a devoção daquele dançarino. Ele apenas baila e chora. Ele sabe que os portões da eternidade estão abertos, que a história começa a ser escrita pela tristeza de quem ficou, de quem agora se sente marcado a ferro e fogo por uma estrela que brilhou tão rápida e intensamente nos corações de uma terra febril. Estamos sós, estamos entregues às nossas dores e lembranças. Só nos resta recordar de tudo: do auge, da queda, da ascensão e glória, da decadência e crise. Só nos resta dançar e seguir os passos daquele dançarino anônimo que transforma sua dor em arte, seu sofrimento em inspiração, continuando o doloroso e poderoso ciclo dialético que marca nossa passagem pelos painéis da existência.
Tudo que fazemos, tudo que somos, tudo transforma esse mundo, tudo transforma as pessoas. Não somos indiferentes, não temos armaduras e escudos, não temos blindagem. Nosso coração apenas chora, nossas lágrimas apenas descem. Não sabemos para onde vamos, para onde nossa tristeza nos levará. Mas vamos e vamos com estilo, com swing, com magia e poesia. Vamos seguir a trilha dançante e lúdica daqueles bailarinos, o anônimo que rodopia e valsa para pontuar sua dor e o onipresente que agora repousa no berço da infinitude, nas gravações e nas imagens reproduzidas em multiplataformas, em múltiplas vozes que o cantam imortal e em coro.

sábado, 17 de julho de 2010

As formas do amor


O amor infante
imaginamos balão
que se enche de ar,
de sentimentos, emoções,
lembranças e surpresas.
Depois de um tempo,
exacerbado de conteúdo,
ele explode vulcânico
e pulveriza ressentimento
em todas as latitudes,
em cada eixo cardeal.
Há outra forma, porém,
de materializar o coração.
Podemos entendê-lo
como grande construção,
somos todos operários,
cada sensação, cada momento
é um tijolo a encaixar
no horizonte de concreto
para, em noites frias de luar,
acalentarmos nossos ombros
em doce berço de amor,
nosso incomparável lar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Talento supera agressividade

A final da Copa de 2010 entre Espanha e Holanda trazia expectativas. Primeiramente, qual seria o novo campeão inédito do mundo? E quem venceria? O time do toque de bola e de poucos gols ou a equipe de placares mais generosos e futebol menos vistoso?  
Quando a Jobulani rolou, a Espanha quis responder às questões com boas chegadas do lateral Sérgio Ramos.  A Holanda, sufocada e violenta, só ameaçou quando Heitinga, em um lance de “fair play”, foi devolver a bola aos espanhóis e quase surpreendeu Casillas. Depois, em jogada ensaiada, o zagueirão holandês Mathisen furou dentro da área, livre de marcação.     
No segundo tempo, a proposta dos times se tornou mais evidente. A Espanha procurava espremer a Laranja com seu toque de bola envolvente enquanto a Holanda apostava nos contragolpes. E em dois deles, Robben ficou cara a cara com o arqueiro espanhol. Perdeu as duas oportunidades. A Espanha também teve sua chance com Villa, que desperdiçou.
A ausência de gols empurrou a decisão para o tempo extra. A Holanda sacou De Jong. A Espanha agradeceu. Com um buraco à frente da zaga da Laranja, Fabregas entrou como quis. Faltou pontaria para definir. Com a Fúria chegando a todo momento, restou à Holanda fazer faltas e, em uma delas, Heitinga levou o cartão vermelho. Com um a mais, os espaços se multiplicaram ainda mais para os ibéricos e Fabregas, solidário, deixou Iniesta de frente com Stekelenburg. Chute colocado, drible no goleiro, cavadinha por cima? Que nada. Aos 11 minutos do segundo tempo de prorrogação, o herói da Espanha mandou uma bomba, sem chance para o goleiro holandês. Foi o gol do título. A Holanda ainda se lançou ao ataque. Mas não havia mais tempo. O apito do árbitro inglês Howard Webb decretou o triunfo ibérico.
Vitória de uma seleção que foi à África jogar futebol, de uma seleção que levou seus melhores jogadores e valorizou a juventude, de uma seleção comandada por um técnico com história na função que se propôs a exercer. Vitória de uma seleção que muito tem a ensinar a um país com cinco estrelas no peito e que se julgava capaz de vencer, baseando-se apenas em veteranos em péssima fase e em jogadores destemperados.