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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O desafio do ensino superior brasileiro




Concebido para formar profissionais mais qualificados e produtores de conhecimento, o ensino superior no Brasil está sofrendo uma ampla defasagem.  É um resultado da política do Governo Federal nos últimos 16 anos de investir fortemente em uma indiscriminada abertura de vagas e instituições de ensino. Se por um lado, a medida democratizou o acesso a uma mais elevada modalidade de ensino; por outro, rebaixou a qualidade do serviço prestado, pois foram as instituições que se adaptaram ao novo universo de estudantes, oriundo de uma formação escolar básica sucateada e sem maiores investimentos, tanto no nível público quanto no privado.
Dessa forma, insere-se como desafio para o ensino superior brasileiro a redescoberta de sua vocação natural que é formar profissionais em áreas estratégicas e cientistas, pesquisadores capazes de desenvolver projetos que resultem na produção de conhecimento.
        Esse é um passo fundamental para o futuro das instituições de pesquisa. Isso se deve à elevação dos investimentos federais na carreira de pós-graduação. Vagas para mestres e doutores estão aumentando a cada ano, no entanto, muitas sofrerão o risco de se tornarem ociosas, tendo em vista a pobre bagagem de muitos universitários que são diplomados semestralmente, incapazes de cumprir as exigências dos editais de ingresso nos programas de concessão de títulos acadêmicos.
Para que os diplomados possam seguir carreira acadêmica ou buscar vagas em empresas sem terem de passar, obrigatoriamente, pelo crivo de cursos de especialização ou programas de trainee, é crucial que as universidades priorizem com profundidade a qualidade do ensino oferecido, a plena formação de seus estudantes.
É preciso que o formando não chegue mais ao mercado natimorto, obsoleto. Para isso, o ensino superior precisa simplesmente resgatar seu objetivo primordial, a preparação genuína de seus alunos para um futuro que requer qualificação, diferencial e não apenas um documento para melhorar a estatística do Brasil perante organismos internacionais.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sorriso de menino




A edição da revista “Istoé”, que entrou em circulação no último dia 20, trouxe na página 70 uma matéria baseada em um estudo da antropóloga Mirian Goldenberg sobre a cultura da risada. De acordo com o levantamento da pesquisadora, os homens riem (estatisticamente falando) bem mais do que as mulheres. Além disso, as mulheres concebem que rir gratuitamente é sinal de bobagem, idiotismo e importunidade.
Pois bem, agora há pouco, por volta das 17h (hoje é dia 22), um casalzinho, ali na esquina da Av. Rio Branco com a Moraes e Castro, me fez lembrar a pesquisa da Mirian Goldenberg. Tudo porque a garota atravessava a rua enquanto o rapaz, do outro lado, a esperava fazendo uma espécie de dancinha. Algo beirando ao ridículo. A garota, toda envergonhada, pedia que ele parasse. Ele, aos risos, dançava ainda mais, deixando-a enrubescida. Eu me segurei para não disparar gargalhadas perto dos dois. Mais à frente, fiquei imaginando como o levantamento da antropóloga acertara na mosca.
Nós homens encaramos o dia-a-dia com muito mais humor do que as mulheres. Conseguimos viver comédias nas horas de drama, enquanto elas conseguem dramatizar situações hilariantes. No fundo, isso serve para lembrarmos que um pouquinho de bom humor não faz mal a ninguém. Rir é saudável e faz cócegas na alma.
Portanto, garotas, da próxima vez que os namorados surgirem com dancinhas, não fiquem ranzinzas. Sorriam e entrem no clima. Nós vamos adorar curtir uma boa piada ou um momento cômico bem acompanhados.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Reflexos do eclipse

Na derrota, as cartas ocultas se revelam. No fracasso, as pessoas entendem o significado das patadas que distribuíram nos figurantes, nos retardatários, nos fracos que nunca têm vez.
No momento em que o insucesso bate à porta, algumas pessoas começam a se perguntar por que elas estão naquela situação. Aí vem o flashback a descortinar a série de humilhações e despautérios com que essa mesma pessoa tratou tantas outras.
A sandália da humildade começa a ficar mais confortável em pés que antes só se julgavam dignos dos mais altos saltos. As máscaras, enfim, desabam. O retiro, o refúgio, o exílio por conta própria trazem profundas e profanas reflexões. Será mesmo que se aprende algo nesse amargor?
Talvez sim. Depois que se destila todo ódio e veneno, uma lição há de ser legada. Talvez se aprenda que tudo na vida tem dois lados. Que a zona de conforto não é eterna. Que até o mais altivo dos homens sofreu cruelmente pela injustiça e pela desconfiança de outros homens que ele tanto auxiliou.
Enfim, talvez seja possível entender que o planeta Terra todos os dias rotaciona em torno de si mesmo.  Desse modo, às vezes se está à luz e às vezes se está à sombra. Portanto, não é desejável arruinar a biografia ou a dignidade de outras pessoas, porque isso retorna a quem disparou. Nunca deve ser esquecido que uma hora o brilho se tornará crua treva.
Com isso, volta-se à pauta original de toda relação humana: não se deve julgar com tanta tirania quando não se é capaz de obter um desempenho melhor em função análoga a de quem tanto se critica. Assim, quando chegar a vez do atirador dar as cartas, ele ao menos encontrará o mínino de clemência de quem agora é o súdito do reino.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fábrica de mentiras

Não sou Dilma (PT) nem Serra (PSDB). Mas essa pesquisa aí do link é no mínimo estranha. Primeiro porque em números percentuais praticamente diz que Dilma terá a mesma quantidade de votos do primeiro turno (impossível). Em segundo lugar, destaca-se que foi feita entre 11 e 13 de outubro, no meio de um feriado. Em outras palavras, foi feita "nas coxas", atendendo a interesses bem suspeitos. Por isso, digo e repito, não votem com base em pesquisas. São todas elas fábricas de factoides, fábricas de mentiras para influenciar o eleitor. Que cada um vote de acordo com sua consciência e ponto final.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Somos mesmo felizes?


Ser feliz é um desafio, uma meta, uma ambição. Não importa o nome que se dê. Estamos aí para sermos felizes, plenos, realizados. Quem não busca ser feliz ou não o é vive se arrastando, lamentando o que poderia ter feito ou sido.
Mas a gigantesca e assustadora verdade é que somos sim felizes. Plenamente felizes. A felicidade é o que nos move, é o que nos faz sempre buscar um novo pedacinho de vida a cada dia. Quem não é feliz não tem prazer de viver. Não luta para ter dias melhores, não batalha para ver um sorriso estampado no rosto de quem ama.
A felicidade, acredite, é aquela sensação metafísica, imaterial, que transborda de nós em momentos pequeninos e muito especiais. Pode ser nos beijos do namorado(a), no rostinho sorridente de uma linda criança, na conversa animada e sem hora pra acabar entre amigos,  na surpresa preparada por quem amamos para nos deixar radiantes. Não importa o modo. A felicidade é assim. É um sunday que saboreamos todos os dias. É aquele gostinho mágico que sentimos quando estamos perto de quem realmente sabe fazer tudo ficar diferente.
Se você ainda não acredita, basta olhar ao seu redor. Você consegue mesmo dizer que as pessoas que lhe são próximas não trazem a sensação de felicidade? Será mesmo que seus pais, irmãos, amigo(a)s e namorado(a)s não melhoram seu dia? Ele(a)s, com singelas e expressivas atitudes, não são capazes de lhe arrancar um sorriso espontâneo?
Pense bem. Veja se isso não faz realmente sentido. Acredite, você é muito feliz. Todos nós somos. Afinal, todos acordamos sempre imaginando que um ótimo dia nos espera, um ótimo dia, que fica ainda melhor, quando nos aproximamos de quem é verdadeiramente importante.