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sexta-feira, 16 de março de 2012

Aos amigos


          O que leva os amigos a perderem uma noite de sexta escutando e contando histórias que todos conhecem? O que leva os amigos a jogarem sinuca, quando todos já sabem quem vai ganhar e quem vai perder? O que leva os amigos a rirem das mesmas piadas de sempre?
        A verdade é que não tenho uma resposta para essa indagação. Talvez seja porque amigos queiram estar juntos simplesmente pelo fato de serem amigos. Cada um sempre compartilha o melhor si com aqueles de quem gosta.
         Entre amigos, o inenarrável ganha formas e cores. Só amigos são capazes de entender aquilo que não confessamos a ninguém, só a força da amizade faz uma tragédia parecer a mais inspirada das comédias.          
        Amigos são assim mesmo. São os primeiros a rir de nós e os primeiros a nos estender as mãos. Amigos são o elo que escolhemos estabelecer por nossa própria decisão, sem imposições genéticas ou sociais. Amigos são amigos por pura e genuína opção.
         Amigos são aqueles que nos abraçam simplesmente porque acabaram de nos encontrar.  Amigos são aqueles de quem gostamos sem razões ou interesses. Amizade é inexplicável, intransitiva e intransferível. Amigos, um abraço a todos vocês. #tamojunto

segunda-feira, 12 de março de 2012

A farra das construtoras


            Que as construtoras no Brasil não têm o menor respeito pelo consumidor, isso todos sabemos. Aí está a Encol para nos lembrar disso. Construtora entende mesmo é de pagar propina e mordomia para políticos e altos funcionários do poder público. Nesse campo de atuação, ninguém é tão cirúrgico e proficiente.
            Agora, se estamos do lado de cá da história, no papel de consumidores, os fracos e oprimidos sem heróis, a coisa muda totalmente de figura. Os prédios e apartamentos, lindíssimos nos folders e vídeos, não são tão lindos assim in loco. Os prazos, uma obsessão de toda construtora (pelo menos nos documentos e campanhas publicitárias), são descumpridos sem cerimônia ou rubor de faces. Fora as falhas e incongruências em relação ao projeto original, base sobre a qual se paga o valor exorbitante de um imóvel.
            Se fosse uma piada, estaríamos todos rindo, às gargalhadas. No entanto, a verdade é que se trata de um assunto sério. Somos reféns de bandidos engravatados, de empresários que enganam consumidores, usurpam sonhos familiares sem um pingo de dor na consciência. Punição? Bom, é o que a lei diz. O problema é que, como dissemos lá em cima, os magnatas da construção têm políticos no bolso e aos montes. Dessa forma, estão blindados por todos os lados.
            Mas não é hora de se calar. Nossa voz e nossa liberdade, bens que custaram um banho de sangue às gerações anteriores, estão ao nosso dispor, vamos usá-las com sabedoria e união. É hora de dizer a esses bandidos de colarinho o que eles são e a palavra é essa mesma "bandidos".
            Não vamos parar enquanto as construtoras não forem corretas e transparentes, enquanto não cumprirem os prazos e os contratos. Vamos em frente, vamos agir, sabemos e fazemos a hora, não esperaremos acontecer.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Às mulheres

 
        Ser mulher é ter pétalas para encantar e espinhos para se proteger. Mulheres unem sensibilidade e razão em um só pensamento. Enxergam além do óbvio, sem jamais se esquecer das emoções. São surpreendentes e irresistíveis. Choronas e guerreiras. São forjadas por um aço maleável, que se dobra por um carinho acolhedor ou uma palavra doce. São boas ouvintes, mas nunca perdem a chance de dizer o que pensam. São mães e amantes. A primeira e a última companhia de um homem. Mulheres, vocês são mesmo nosso maior mistério. Não entendemos sua lógica, mas, exatamente por isso, a invejamos tanto em segredo. Parabéns a todas pelo Dia Internacional das Mulheres!!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

É trote!!!???

                 Não vou defender essa prática que muitos consideram um rito de passagem. Não sei dizer ao certo se é bom ou ruim. A verdade é que, quando fui calouro da faculdade de Comunicação Social da UFJF, fugi do trote me ausentando da primeira semana de aulas. Minha punição foi assistir a um dia de aulas todo sujo de tinta, com um chapéu de palhaço. Nada além disso. No período seguinte, na condição de veterano, acabei me excedendo com os novatos, tendo atitudes vergonhosas, bancando um machão de faculdade que não cabe nem em uma caverna habitada por neandertais.
                Nos períodos seguintes, me afastei dos trotes, limitando-me a olhar de longe o que acontecia. Vale ressaltar que naquela época, pelo menos na faculdade de Comunicação da UFJF, a recepção aos novos alunos era light. Talvez hoje as coisas estejam um pouco mais pesadas. Nem sei.
                Minha opinião é a seguinte: o trote é voluntário e, por isso, participa dele quem assim deseja. Comigo foi assim e imagino que não seja tão diferente em outros cursos e universidades. Ninguém vai ser forçado a se sujar de lama ou tinta, ninguém vai pagar King Kong e esmolar pelas ruas por obrigação.  Caso haja algum tipo de constrangimento ou coação, senhores calouros, comuniquem aos coordenadores de curso e aos demais agentes universitários responsáveis. Também cabe aos centros de ensino tomarem atitudes mais enérgicas, no lugar de lavarem as mãos como se fossem  os Pilatos do ensino superior.
                Agora, para fechar esse assunto, vou dizer que abolir o trote seria de uma evolução darwiniana. Endosso, nesse sentido, a tese do meu amigo Bruno Falabella, segundo a qual o trote deve ser extinto para dar vez a uma recepção produtiva aos calouros, repleta de atividades culturais, acadêmicas e solidárias. Acho que esse é mesmo o caminho para os universitários, ainda tão fraldinhas, saírem dos anfiteatros acadêmicos um pouco mais inteligentes do que entraram.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O público e o privado

  
Remete aos tempos ancestrais essa confusão de espaços e lugares. Realmente, sempre foi difícil diferenciar o “meu” do “nosso”. Todavia, em um estado democrático de direito como o nosso, isso se faz fundamental. Posto isso, devemos avançar para o cerne de nossa questão.
O “meu”, ou seja, aquilo que é destinado para meu desfrute e proveito, é tudo aquilo adquirido e/ou construído com “meu” dinheiro, em conformidade com a lei. O “nosso” é tudo aquilo construído e/ou adquirido pelo poder público (municípios, estados ou Governo Federal) para uso coletivo. Essa diferenciação, embora simplória, é muito importante para o ponto que discutiremos agora.
Como sabemos, a Prefeitura de Juiz de Fora “fechou” as duas mãos de um pedaço da Avenida Independência (esse é o verdadeiro nome do logradouro) para que o Hospital Monte Sinai faça suas obras de expansão predial. O curioso é que o referido hospital nem pelo SUS atende (pelo menos até onde eu sei). Isso é uma flagrante inversão de valores, uma estúpida e oportunista confusão entre o público e o privado. A avenida, que é pública, se fecha para que um hospital particular faça suas obras. Quem ganha são os donos do hospital em prejuízo dos moradores de Juiz de fora, que se veem obrigados a usar as vias alternativas de um trânsito cada vez mais caótico.
Outro exemplo é o Shopping Independência. A área verde que existe hoje em frente ao empreendimento era, vocês se lembram, campo de futebol e área de lazer da comunidade do bairro Dom Bosco. Atendendo aos anseios do grupo responsável pelo shopping, a Prefeitura simplesmente desmanchou o campo, que se localizava em um terreno da própria Prefeitura. A prometida área de lazer alternativa foi reconstruída, mas no Aeroporto, bairro distante de onde se situava o campo original. Novamente, viu-se o interesse e o lucro privados engolirem as necessidades de uma comunidade carente em todos os sentidos. Ou seja, o poder público se prostrou diante dos interesses particulares.
Quem se locupletou com tudo isso? Eu até sei, quem me dera ter provas para levar essa gente para os tribunais e cadeias. De qualquer forma, pensem bem em que lado sai ganhando quando o interesse público se desfaz em favor do superávit individual. Com certeza, vocês também têm casos sobre isso para relatar. Façam valer seus direitos. A eleição está chegando. Podemos fazer diferente dessa vez.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Independentes

     A morte do senador Itamar Franco não matou apenas um honrável homem público, um político que trabalhou, de fato, por sua cidade; matou também o bom senso.
     Trocar o nome da Avenida Independência para Avenida Presidente Itamar Franco foi forçar uma barra que, definitivamente, Juiz de Fora não merecia. Além de ser, é óbvio, um absurdo desrespeito a um dos maiores projetos de revitalização econômica da cidade, o Independência Shopping, que fez um brutal trabalho de marketing e de construção de marca justamente em cima da palavra “independência”.
     No entanto, sempre existe resistência quando algo tão pavoroso é decretado na base da canetada. E aí está a realidade: as pessoas simplesmente ignoram a mudança de nome do logradouro.
     Conversando e convivendo com as pessoas de Juiz de Fora, fica muito claro que ninguém abraçou a mudança. Todos chamam a avenida de “Independência”. É até curioso quando alguém tenta chamar a via pelo novo nome. Além de um custoso processo de lembrança do novo nome, a pessoa ainda não consegue ser entendida por seu interlocutor.
     Isso, por si só, já me deixa satisfeito. Afinal, as coisas não mudam do dia para a noite, como em um passe de mágica. Até mesmo uma homenagem precisa ser discutida amplamente - com todos os setores da sociedade - antes de uma decisão definitiva. Aliás, nesse caso, em termos de homenagens, Itamar já está bem servido, com aeroporto e centro de convenções renomeados em favor de sua memória.
     Dessa forma, lembre-se de que a Avenida Independência não é da Prefeitura nem do prefeito, mas sim dos juiz-foranos. Se os juiz-foranos quiserem Independência, assim ela será chamada e lembrada, mesmo que algumas placas burocráticas espalhadas por aí digam outra coisa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Palavras sujas

     Ser um educador, no sentido pleno da palavra, envolve ir muito além das convenções, do politicamente correto, do didaticamente aceitável. Essa é uma questão que sempre volta à baila quando alguém levanta uma dúvida ou consideração sobre os palavrões.
     Em recente aula de Inglês, um aluno solicitou-me uma word list (lista de palavras) sobre os palavrões do idioma. O cerne da questão é: posso mesmo ensinar esse tipo de conteúdo aos alunos e estudantes?
     A resposta é sim. Uma vez que tais palavras estão presentes em larga escala nos filmes e músicas de sucesso, não posso, na condição de educador, me negar a ensinar. Palavrão faz parte da vida, faz parte do contexto social das pessoas.
     Se estivéssemos falando de sociolinguística, seria de fazer cócegas levantar tal questão. Porém, estamos falando de uma profunda demagogia que impera na sociedade brasileira. Basta ver as versões dubladas dos filmes hollywoodianos. Toda e qualquer palavra de baixo calão é prontamente trocada por uma mais politicamente adequada. É só comparar.
     Não estou, é evidente, discutindo se as pessoas devem ou não falar palavrões. Isso é cultural e pessoal. Discuto aqui é a situação de o que se faz com o palavrão que surge em um filme ou em um diálogo corriqueiro. Ignora-se, troca-se por alguma palavrinha menos suja?
     Essa decisão é delicada, mas eu não me furto uma posição. Estou do lado da verdade, do que foi realmente dito. Por essa razão, ensino sim palavrões em minhas aulas, desde que isso seja uma dúvida levantada ou uma questão fundamental para que se tenha o entendimento integral de um diálogo.
     Dessa maneira, se aparece a palavra “shit” em uma música ou em um filme, eu não vou fingir que “shit” é “droga”. Digo sim que “shit” significa “merda” e é usada normalmente como uma interjeição.
     Situação semelhante acontece na cena de abertura do filme “A Rede Social”. No diálogo original, uma garota diz ao personagem Mark Zuckerberg que ele é um “asshole”. Na dublagem, ela diz, vejam que graça, que o rapaz é “desprezível”. Convenhamos, entre “cuzão” (tradução literal de “asshole”) e “desprezível”, há uma gritante diferença no entendimento social dos termos.
     Esse assunto me lembra bem do professor Ernani Ferraz, com quem tive aulas na faculdade de jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Muitos além de mim são testemunhas de que o professor Ernani não deixava pedra sobre pedra em sua retórica docente. Era um palavrão após o outro, em uma didática tão exótica quanto curiosa. Muitos realmente (por puritanismo, talvez) assustavam-se com o vocabulário do professor, mas tenho certeza de que ninguém deixou de aprender por essa razão.
     Assim, deixo com vocês uma singela listinha de dirty words (palavrões). É apenas para fins culturais, OK? Não pretendo aqui ensinar ninguém a ofender outras pessoas em uma nova língua. Apenas quero contribuir para o crescimento de quem estuda inglês, pois sei que não é fácil achar esse tipo de material nos canais convencionais. 
     Como diria o sempre genial Kurt Cobain: “Oh, no, I know a dirty word”.


Obs: Nem sempre as expressões estão traduzidas ao pé da letra. Em alguns casos, optou-se por colocar a expressão original em inglês ao lado de uma socialmente equivalente no português.


English dirty words
Foda-se: Fuck you, fuck yourself, screw you
Vai tomar no cu: Go up your ass, fuck off, suck my balls, suck a dick
Filho da puta: Motherfucker, Son of bitch
Bunda: Butt
Cu: Ass
Cuzão: Asshole
Buceta: Pussy, cunt
Pinto: Dick, Cock
Peito: Breast, boobs, teat
Merda: Shit, crap
Besteira: Bullshit
Porra: Cum
Vai à merda: Fuck you, Go to hell
Viado: Gay, fagot
Piranha: Bitch, whore, slut, hooker
Foder: Fuck, screw, shag
Puto: Pissed off
Corno: Crickhold