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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Anjos e Esgotos


Anjos e demônios
Labirintos e esgotos
Todo Céu aos teimosos
E Inferno para os corajosos
Inverter, perverter, tudo tem dono
Deus é dono, o Diabo também
Velas acesas, corações apagados
Se possuem seu corpo, chora
Se não possuem, se desespera
Desista de ser tão ágil
Na vida, dizia doce Clarice
A direção é mais importante
do que pressa e velocidade
Sábia Lispector
Você também é?
Saiba que sim, jure que não
Sócrates tinha mesmo razão
E você, algum dia terá?
Não fuja da pergunta,
Não esconda o rosto
Isso mata seu pai de desgosto
Eu não confesso, mas amei
Nos seus sonhos e distrações
Eu imaginava nossos beijos
Tudo lindo e perfeito
Mas os dentes de dragão
Apareceram e levaram tudo
Tudo do nada que tive
Tudo de amante que não sobrevive
Tenho amor para dar e ódio a vender
Tenho Deus no coração
E o Diabo tatuado no corpo
Tenho Sol e mar
Mas amar ainda é mistério
Quer saber?
A noite chega e tudo se mistura
Você e eu vamos nos fundir
Através dos corpos de outras pessoas
E eu ainda vou me deliciar com seu gosto
Nas bocas de outras garotas
Que você beijou, que eu beijei
Que os caras que você beijou, beijaram
E tudo vai ser assim, um carnaval

Na casa do Pai, no fundo paroquial

Refazer histórias


Foi bom, foi belo, foi ótimo. Mas já foi. Podemos tentar de novo, repetir a fórmula. Porém, não será igual ao que foi antes. Talvez seja melhor. Se não for, tudo certo. Nada vai fazer com que a gente desista. Se foi feito, pode ser refeito. Então, vamos lá. Vamos dar nova chance, é nossa chance de sermos tão felizes quanto antes ou ainda mais. Não tenha medo, lembre da gente, dos sonhos e das ilusões. Nossos olhos brilhavam e havia esperança em tudo. Ainda há. Eu sei, é diferente, é mais à frente. O passado não vai nos engolir para um beco de saudade, ele vai nos inspirar a buscar um futuro parecido. É por essa direção que nós vamos, é por esse caminho que nossos corações ressoam. E é la que vamos nos reencontrar para reviver e refazer nossas histórias.

Barba, os porquês

Por que a barba? Porque meu pai usa, porque os caras que eu admirava também usavam. Porque barba é atributo de personalidade. Renato Russo usava, Jesus também. Barba porque não sou mais criança, porque meu rosto e meu corpo mudaram. Barba porque quero mandar mensagem ao mundo. Barba porque não quero ser igual aos certinhos, não quero ser igual aos santinhos. Barba porque roça, barba porque acarinha o rosto das garotas. Barba porque eu gosto, porque eu me sinto mais adulto com ela. Barba porque meu sorriso ganha contorno e minha boca, companhia. Barba porque suas mãos podem sentir algo a mais. Barba porque quero ocupar mais espaço, marcar território. Barba porque não quero esconder, mas revelar minha verdadeira identidade.

Selva emocional


Sei que perdi, que não vou ter mais. Sei que me arrependo, mas não lamento. Tinha que ser assim, você tinha mais para dar, não era igual a mim. Era injusto e cruel você oferecer tanto e eu tão nada. O amor é isso, às vezes não é correspondido até mesmo quando os dois estão apaixonados. Muitas vezes, ele tem mais de dois lados, isso tudo é uma selva emocional, um matagal complicado. Então, meu bem, me entenda. Não foi por falta de amor, não foi por falta de querer. Meu coração foi seu, mas minha vida não. Agora, você está em outros braços, outros laços e eu fico com a saudade. Mas não tem problema. Saudade é porque foi bom, porque foi nosso. Saudade porque gostei e quis mais. Querer não é poder, querer é sofrimento. Ah, que bom seria quebrar regras e protocolos só por mais um momento com você. Sei que não jeito, então fica esse texto e minhas memórias. Talvez, imagino, pelo menos um último beijo. Esse sim, sincero, espontâneo e só seu.

Aqueles tempos...

Sou do tempo em que os amigos se abraçavam, em que nós éramos tímidos com as garotas, em que o medo era maior do que o castigo. Sou do tempo em que uma festa durava o ano inteiro, em que as amizades eram mais pelos atos do que pelos fatos. Sou do tempo em que o respeito era importante, em que ruim de bola podia se juntar à turma. Sou do tempo em que se escutava rádio, com aquela emoção especial de quem torce para tocar a música favorita. Sou do tempo em que os beijos eram poucos e as emoções, muitas. Sou do tempo em que uma paquera era tão importante quanto uma conquista. Sou do tempo em que os meninos perdiam a voz e as garotas ficavam de rosto vermelho. Sou do tempo em que pelada era no meio da rua, descalço e com chinelos para marcar as traves. Sou do tempo em que se pulava muro para pegar a bola no prédio do vizinho, roubar frutas ou ver garotas trocando de roupa. Sou do tempo em que cinema era coqueluche, um programa de tirar o fôlego.

Hoje, tudo é tão diferente. Muita coisa melhorou, nós evoluímos. A presença se tornou opcional e a comunicação, revolucionária. Quem diria? Nossa música favorita está a um click de distância, e de graça. Filme é programa caseiro, até se for lançamento. As festas e as histórias acabam rápido e as lembranças trocam de lugar com os acontecimentos, rápidos, intensos e constantes. Hoje, pelada é na grama sintética e com chuteira de marca. Enfim, muito mudou, e não necessariamente para pior.


Mas quer saber? Quanta saudade daqueles tempos.

Navios


A ver navios, a vida me deixa assim. Fez você se aventurar em outros mares, quando tinha ainda tanto a me ensinar. Tudo bem, não faz mal. O carinho que guardo ainda é abismal. Pode durar tão mais que sua breve viagem. Eu não disse, mas eu fico de olho em você. Acompanho seus passos e seus números, aplaudo de longe e envio minhas preces por telepatia. Seja como for, estou por perto. Pelo menos de coração. A distância não me afasta, ela apenas exige mais de mim. Tudo OK, posso dar mais, posso ser mais mordaz. Tanto faz ter ciúme ou paciência, me conhecer melhor é terapêutico e é ciência. Cada vez que você ma atiça, eu me especializo mais em mim. Você podia me puxar, me rolar para o fim. Não quero. Não me apresso. A hora é certa e ela vai chegar. Quando for o momento, para os seus braços hei de remar, hei de buscar, enfim, meu firmamento.

Saudade...

Saudade vem da idade, do tempo. A saudade é um pedaço de dor que vem de um outro, o amor. Saudade é masoquismo, porque nos fere, mas também nos alimenta. Saudade é algo que nos faz saltar do presente para o passado, do mesmo jeito que o sonho nos lança do agora para o futuro. É saudade o vento rosto, a sensação de um toque que não mais há. Saudade é um mistério. Ele verte lágrima e produz poesia. Traz insônia, mas também sinfonia. Saudade, no fundo, bem lá no fundo, é um pedaço nosso que ficou para trás e do qual sentimos uma falta umbilical.