Ser maior que a
hipocrisia, fazer mais do que histeria. Nossa história é narrada por quem
vence, a tinta da escrita é a sangria dos vencidos. O mar escarlate não é de
rosas, é o mar das vozes sufocadas e das gargantas cortadas. O poder não
sossega enquanto não dirime o último suspiro. Sob sol, sob chuva, não cederemos
a essa tortura. Podem tudo: nos rasgar a carne e o cerne, fazer-nos cuspir até
os vermes. Mas nem isso será definitivo. Se nos dão a Morte, lhe trazemos
fantasmas. Se nos dão o frio, lhe trazemos o Inferno. Não vamos parar. Não
vamos calar. Espelhos e bolas não nos compram mais. Nosso brado é retumbante e
os raios, fúlgidos. A marcha para o fim da História começou. Só terminaremos,
quando ordem e progresso forem as palavras que representam a realidade de
tantos milhões de desassistidos.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
Alimento
Meu pão,
meu pó
Meus
pecados têm nome e sobrenome
Na minha
mesa, seu corpo é sobremesa
Refeição é
algo que merece a prece
O passo
cativante e vago
De quem
vaga à espera de um prato
Que pode
vir na forma de esperança
Dinheiro,
sucesso ou mulheres
Cada
mercador tem sua moeda
Cada
comércio, seus artigo de luxo
Não ligo,
não peço, não me repuxo
Tudo tem
hora e lugar
Nossa
vontade também
Nosso sexo
vai muito além
As pessoas
são o que são
Porque
jamais de deixam
Jamais se
lançam na contramão
Às vezes,
andar às cegas traz solução
Nem tudo
que resolve se enxerga
"O
essencial é invisível aos olhos"
Mas,
quando quero, é de olhos abertos
Se come
sim, pelos olhos
Se come
sim, pelo que se vê
Um vestido
curto, um objeto dourado
Maquiagem
bem feita, corpo depilado
Sacrifícios
válidos para quem busca espaço
Eu busco
também algo
Reconhecimento,
aplauso e prata
Se foi de
César, pode ser meu
Se você
foi dele, também será minha
Redescoberta,
dos domínios rainha
Maravilha
ser feliz e ser invejado
Só que
Deus me proteja
Para não
transformar o caminho,
Em sombras
de um passado
Comprado
com o peso impagável da alma
Jornada longa
Dizem que os tranquilos e
pacientes vão morrer tarde. Verdade. Para eles, o tempo passa devagar e as
memórias vêm em migalhas. Quem me dera ser assim. Sou oposto, radicalmente
oposto. Quando quero, é para ontem. Se não vier, me frustro. Se for bom, me
apego. Marcou horário? Eu chego (nem sempre na hora, Teoria do Caos ou Lei de
Murphy, tanto faz.) Eu sou intenso e trôpego, nem sempre rápido, mas constante.
É assim que vejo o horizonte, não como uma paisagem, mas como um objetivo.
Quero tocá-lo, quero tê-lo, quero sê-lo. Então, tranquilos e pacientes, com
licença, pois tenho uma longa jornada a cumprir.
Eu avisei
Você não é tão
bonita quanto dizem nem tão especial quanto acha. Na empolgação, no frenesi por
satisfação imediata, as bocas exageram, escorregam por hipérboles. A verdade é
que você é mais uma, mais um rosto na multidão, mais um coração entre tantos.
Então, não faça isso. Não se ache demais. Você se arrisca a ficar, de tanto se
empertigar, como as girafas, a cabeça perdida lá nas nuvens e corpo vulnerável
cá embaixo. Não diga depois que não avisei.
Fim do escuro
Fim do túnel, fim do escuro
Lágrimas e labirintos
E eu andando, em linha reta
Não, não é indireta
Fiz tudo errado, fui fraco
Agora vejo meu rosto
Esculpido no arrependimento
Fui mais a dentro, mais a fundo
Não encontrei nada, nem ninguém
Viver sozinho é parte de algo especial
Que tenho guardado para o fim
Como pude ser tão desleixado?
Correr por aí, de banda, de lado
Enquanto o que eu queria
Orbitava em torno de mim
Feito Terra junto ao Sol
Sei lá, foi mal
De mim, autossabotagem é natural
Deve ser por isso que não tenho respostas
Afinal, sou surdo às perguntas e escutas
Sou cego para tudo que não me convém
Ter fé é desespero e vaidade
Não assegura minhas verdades
Um dia eu conto toda a história
Mas não espere, não manifeste
Porque sou avesso ao que prometo
Se um dia rolar, é chuva de inverno
Algo que acontece, quando nem quero
Mude-se
Quantas vezes na
vida você fez exatamente o que queria? Quantas vezes na vida você esteve nos
braços de quem realmente te merecia? Quantas vezes você julgou e depois mudou
de ideia? Quantas vezes seu sapo virou um príncipe ou vice-versa? Quantas vezes
a resposta da sua pergunta fez você ter ainda mais dúvidas? A vida é assim, nos
surpreende o tempo todo porque não gosta de nos ver parado(a)s. Movimente-se, mude-se
e saiba que cada passo é um avanço na direção de si mesmo(a).
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Jamais serão
Foi brincadeira ou
entrega? Não sabemos. Talvez, o tempo revele a verdade. No entanto, qualquer
uma das hipóteses em nada ajuda Anderson Silva, ex-campeão da divisão de médios
do UFC. Como se sabe, no último sábado, Anderson viu bem de perto a tonalidade
das luvas de Chris Weidman.
O nocaute foi o primeiro
da carreira de Anderson e também sua primeira derrota na organização
norte-americana. Quebrou-se uma trajetória de quase sete anos sem derrotas.
Nesse tempo, Anderson colecionou memoráveis cenas, com um repertório estelar de
golpes e finalizações. Atingiu a condição de ídolo no Brasil, fez as pessoas se
interessarem pelo sangrento MMA, fez jovens trocarem baladas de sábado à noite
por olhares atentos em frente à TV. Enfim, Spider fez as artes marciais
ganharem uma legião de adeptos.
Agora, tudo ruiu como
uma torre de lego. Por brincadeira ou dinheiro, Anderson perdeu qualquer traço
de respeito que possuía. Vai passar o resto da vida e da carreira, carregando a
mácula de ser irresponsável ou trapaceiro. Terá de ouvir críticas e xingamentos,
terá a suspeita da combinação de resultado toda vez que pisar no octógono.
Um triste fim para quem
havia chegado tão longe, feito tanto por um esporte que ainda engatinha na
preferência nacional. Anderson, muito mais do que o cinturão e a invencibilidade,
perdeu a alma. Nem mesmo a retomada do título ou reconstrução do recorde de
triunfos lhe devolverão o crédito. A verdade é uma só: Spider, jamais serão.
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