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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Marcha para o fim


Ser maior que a hipocrisia, fazer mais do que histeria. Nossa história é narrada por quem vence, a tinta da escrita é a sangria dos vencidos. O mar escarlate não é de rosas, é o mar das vozes sufocadas e das gargantas cortadas. O poder não sossega enquanto não dirime o último suspiro. Sob sol, sob chuva, não cederemos a essa tortura. Podem tudo: nos rasgar a carne e o cerne, fazer-nos cuspir até os vermes. Mas nem isso será definitivo. Se nos dão a Morte, lhe trazemos fantasmas. Se nos dão o frio, lhe trazemos o Inferno. Não vamos parar. Não vamos calar. Espelhos e bolas não nos compram mais. Nosso brado é retumbante e os raios, fúlgidos. A marcha para o fim da História começou. Só terminaremos, quando ordem e progresso forem as palavras que representam a realidade de tantos milhões de desassistidos.

Alimento


Meu pão, meu pó
Meus pecados têm nome e sobrenome
Na minha mesa, seu corpo é sobremesa
Refeição é algo que merece a prece
O passo cativante e vago
De quem vaga à espera de um prato
Que pode vir na forma de esperança
Dinheiro, sucesso ou mulheres
Cada mercador tem sua moeda
Cada comércio, seus artigo de luxo
Não ligo, não peço, não me repuxo
Tudo tem hora e lugar
Nossa vontade também
Nosso sexo vai muito além
As pessoas são o que são
Porque jamais de deixam
Jamais se lançam na contramão
Às vezes, andar às cegas traz solução
Nem tudo que resolve se enxerga
"O essencial é invisível aos olhos"
Mas, quando quero, é de olhos abertos
Se come sim, pelos olhos
Se come sim, pelo que se vê
Um vestido curto, um objeto dourado
Maquiagem bem feita, corpo depilado
Sacrifícios válidos para quem busca espaço
Eu busco também algo
Reconhecimento, aplauso e prata
Se foi de César, pode ser meu
Se você foi dele, também será minha
Redescoberta, dos domínios rainha
Maravilha ser feliz e ser invejado
Só que Deus me proteja
Para não transformar o caminho,
Em sombras de um passado

Comprado com o peso impagável da alma

Jornada longa


Dizem que os tranquilos e pacientes vão morrer tarde. Verdade. Para eles, o tempo passa devagar e as memórias vêm em migalhas. Quem me dera ser assim. Sou oposto, radicalmente oposto. Quando quero, é para ontem. Se não vier, me frustro. Se for bom, me apego. Marcou horário? Eu chego (nem sempre na hora, Teoria do Caos ou Lei de Murphy, tanto faz.) Eu sou intenso e trôpego, nem sempre rápido, mas constante. É assim que vejo o horizonte, não como uma paisagem, mas como um objetivo. Quero tocá-lo, quero tê-lo, quero sê-lo. Então, tranquilos e pacientes, com licença, pois tenho uma longa jornada a cumprir.

Eu avisei


Você não é tão bonita quanto dizem nem tão especial quanto acha. Na empolgação, no frenesi por satisfação imediata, as bocas exageram, escorregam por hipérboles. A verdade é que você é mais uma, mais um rosto na multidão, mais um coração entre tantos. Então, não faça isso. Não se ache demais. Você se arrisca a ficar, de tanto se empertigar, como as girafas, a cabeça perdida lá nas nuvens e corpo vulnerável cá embaixo. Não diga depois que não avisei.

Fim do escuro


Fim do túnel, fim do escuro
Lágrimas e labirintos
E eu andando, em linha reta
Não, não é indireta
Fiz tudo errado, fui fraco
Agora vejo meu rosto
Esculpido no arrependimento
Fui mais a dentro, mais a fundo
Não encontrei nada, nem ninguém
Viver sozinho é parte de algo especial
Que tenho guardado para o fim
Como pude ser tão desleixado?
Correr por aí, de banda, de lado
Enquanto o que eu queria
Orbitava em torno de mim
Feito Terra junto ao Sol
Sei lá, foi mal
De mim, autossabotagem é natural
Deve ser por isso que não tenho respostas
Afinal, sou surdo às perguntas e escutas
Sou cego para tudo que não me convém
Ter fé é desespero e vaidade
Não assegura minhas verdades
Um dia eu conto toda a história
Mas não espere, não manifeste
Porque sou avesso ao que prometo
Se um dia rolar, é chuva de inverno
Algo que acontece, quando nem quero

Mude-se


Quantas vezes na vida você fez exatamente o que queria? Quantas vezes na vida você esteve nos braços de quem realmente te merecia? Quantas vezes você julgou e depois mudou de ideia? Quantas vezes seu sapo virou um príncipe ou vice-versa? Quantas vezes a resposta da sua pergunta fez você ter ainda mais dúvidas? A vida é assim, nos surpreende o tempo todo porque não gosta de nos ver parado(a)s. Movimente-se, mude-se e saiba que cada passo é um avanço na direção de si mesmo(a).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Jamais serão


Foi brincadeira ou entrega? Não sabemos. Talvez, o tempo revele a verdade. No entanto, qualquer uma das hipóteses em nada ajuda Anderson Silva, ex-campeão da divisão de médios do UFC. Como se sabe, no último sábado, Anderson viu bem de perto a tonalidade das luvas de Chris Weidman. 

O nocaute foi o primeiro da carreira de Anderson e também sua primeira derrota na organização norte-americana. Quebrou-se uma trajetória de quase sete anos sem derrotas. Nesse tempo, Anderson colecionou memoráveis cenas, com um repertório estelar de golpes e finalizações. Atingiu a condição de ídolo no Brasil, fez as pessoas se interessarem pelo sangrento MMA, fez jovens trocarem baladas de sábado à noite por olhares atentos em frente à TV. Enfim, Spider fez as artes marciais ganharem uma legião de adeptos.

Agora, tudo ruiu como uma torre de lego. Por brincadeira ou dinheiro, Anderson perdeu qualquer traço de respeito que possuía. Vai passar o resto da vida e da carreira, carregando a mácula de ser irresponsável ou trapaceiro. Terá de ouvir críticas e xingamentos, terá a suspeita da combinação de resultado toda vez que pisar no octógono.

Um triste fim para quem havia chegado tão longe, feito tanto por um esporte que ainda engatinha na preferência nacional. Anderson, muito mais do que o cinturão e a invencibilidade, perdeu a alma. Nem mesmo a retomada do título ou reconstrução do recorde de triunfos lhe devolverão o crédito. A verdade é uma só: Spider, jamais serão.