Um dia, aquela
cachorrona enorme, com pelos que voavam pelos cômodos da casa, entrou na
cozinha, bem na hora do almoço. Imagina aqueles pelos caindo na comida, nas
panelas e nos talheres? Não fiz de rogado, dei-lhe um cutucão e a danada saiu
de cena toda aborrecida, pois vinha toda alegre e cheia de amor e acabou
enxotada. Através de seu semblante canino, percebi que tinha se entristecido.
Não dei bola, afinal, ela é só uma cachorra, enorme, claro, mas só uma cachorra
que logo esqueceria o fato. Depois disso, cada vez que eu chegava, ela apenas
me endereçava um olhar vazio e sem graça. Não mais abanava o rabo e pulava, com
aquela alegria de cão. Só espiava e abaixava as orelhas, batendo em retirada.
Demorou uma semana, ou mais, para que eu recuperasse a confiança da gigantona.
Foram necessários passeios, mimos e comidinhas fora de hora para que ela
voltasse a ser minha amiga (ou amigãozona, para quem conhece aquele desenho do
Discovery Kids.). Bom, depois disso, vivemos felizes para sempre (sempre foi
até o falecimento dela, pena os cães viverem tão pouco), sem mais cutucões ou
expulsões. Isso me revelou o quanto os bichos são sentimentais e sensíveis, o
quanto são especiais e fofos. Quer saber? Acho até mesmo que no coração deles
cabe muito mais amor do que no nosso. São sinceros e de uma ternura
intransitiva, enfim, são anjos de quatro patas e língua de fora.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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terça-feira, 16 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Pérolas III
Na dor, somos iguais, banais e
suburbanos, dramáticos e hiperbólicos. A maior dor do mundo é a dor que cada um
carrega no coração.
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É na sombra da madrugada que eu
vislumbro o verdadeiro amanhecer.
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Nossa noite acabou sem sabermos quem
ganhou o jogo, nossa noite acabou sem sabermos para onde fomos.
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Uma manhã fria requer corações
aquecidos. Abracem e beijem aqueles que vocês amam. Da vida, só se leva os
sentimentos compartilhados.
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Ela dormiu e ressoou baixinho, enquanto
meus olhos ainda insones se embebiam de maravilhosa visão. Foi o paraíso de um
sonho acordado.
Pérolas II
Que dia estranho, tudo parece ainda
fora de lugar e de estação. É como sentir frio no Saara ou calor na Sibéria.
Estou exilado de algo meu.
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Não seria ruim você do meu lado, com
sonhos a mão e beijos engatilhados. A distância não assassina o desejo,
potencializa-lhe o fogo.
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Tudo que é fugaz volta para o ponto de
origem, assim como a morte volta para a vida e o fim, para o começo.
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Foi sem querer que roubei seu coração e
monopolizei seus sonhos. Foi sem querer que me apaixonei por você na busca pelo
que perdi de mim.
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A paz traz felicidade, mas nos anistia
do espírito investigativo que só a realidade crua nos imprime.
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Um dia seremos todos iguais e nos
sentiremos estúpidos por todo preconceito e sangramento inócuo.
Pérolas I
Feliz, mas feliz sem pressa, sem
correria, sem exposição. Feliz por espírito, mais por dentro do que por fora.
Feliz por ser quem eu sou.
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Se você me beijar, não vou deixar de
ser sapo, mas a tratarei como uma princesa.
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Se um dia o Céu desabar sobre nossas
cabeças, você ficará muito feliz por estar no Inferno.
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Não espere a reposta para fazer a
pergunta, não espere o beijo antes de ir embora, não espere a verdade onde só
se escutam mentiras.
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Uma mulher bonita é veneno que enlaça
nossas entranhas e nos sufoca sob névoas de luxúria e torpor.
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Derrube seu castelo de cartas e guarde
os ases na manga. Serão úteis um dia.
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Faça o melhor sempre esperando o pior.
Esteja de braços abertos para as tragédias e as trapaças. O mar de rosas é
cheio de espinhos.
Sinfonia silencial
Esse
sorriso é a metáfora perfeita, a singular sinfonia entre significante e fato, é
um coração em forma de lábios, uma delícia que se prova com os cinco sentidos.
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Nem
sempre se chora com os olhos, nem sempre seu choro vem na forma de lágrimas. A
alma pode sangrar cegamente, sua dor pode ser invisível e silencial!!!
Sangue e fogo
Não sei chorar
sangue nem cuspir fogo. Sim, sou tolo. Nada tenho de especial, nada tenho de
anormal. Eu me olho no espelho, mas só me vejo nas sombras. Não preciso me
esconder, já sou invisível. Mas isso não é vantagem, isso não é malandragem. Se
eu olhasse as garotas se trocando, se eu espiasse os garotos se tocando. Nem
isso me tornaria legal. Essa é minha sina, tão perto, tão longe. Diante de seus
olhos, mas invisível para seu corpo. Se eu pedir um beijo, vai me faltar
coragem. Se eu lhe mandar uma carta, o extravio é certo. Enfim, fico e me calo,
com esse doce salgado de não conseguir um pedaço que é seu, de não conseguir
arrancar aquilo que, um dia, por profecia, deveria ser meu.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Unhas e amantes
Ontem, fui cortar as unhas dos pés. Era noite, quase dez
horas. Enfiado no banheiro, empunhei o cortador e ataquei minhas garras que,
àquela altura, já estavam enormes e afiadas. Demorei a apará-las, pois fui até
os cantinhos e as cortei de forma a mantê-las arredondadas. Findo o serviço,
tomei uma prolongada e revigorante ducha. Depois, ao me secar, fiquei pensando
em um texto do sensacional Fabrício Carpinejar. Não sei ao certo qual dos
textos, mas era um em que ele diz que homem que corta unhas dos pés é envolvido
com amantes. Será mesmo? Não poderia eu estar me lapidando para quem eu amo e
me merece? Não poderia eu estar me conservando para um relacionamento feliz e
estável? Esqueço isso, enquanto calço um tênis e visto um casaco. A madrugada
me aguarda e, querem mesmo saber?, o Carpinejar tinha toda a razão.
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