Os olhos espelhando-se
mutuamente. O prazer aberto em fenda, irrefreável. Os movimentos, as
ondulações. O vai-e-vem explosivo e sinérgico, algo que vai além da lógica, do
racional. O gozo em ondas e formas múltiplas, em constantes e variáveis
pulsações. Sei que pode me sentir, sei que pode me controlar. Eu apenas suspiro
e me entrego ao seu jogo. E você se joga, de cabeça, se lança e volta, cada vez
mais constante, mais rápido, mais impactante. São espasmos e grunhidos, são
fogos de artifício. Sei que vou, sei que já fui, sei que vou mais uma vez e
tantas outras mais. Você sorri, me ironiza, demonstra seu poder e que me tem na
palma, nos lábios, nos recônditos. Uma curva de sua silhueta me envolve e, mais
uma vez, as trevas de seu edredom me enlaçam e me lançam ao abismo de seus
doces perigos.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Álgebra
O
amor é um todo, não são pedacinhos que se encaixam, não é um castelo de Lego.
Se quiser amar alguém, não ache que isso será feito apenas com gentilezas,
agrados e beijos. O amor é grandioso, é algo estonteante, que pega fogo. O amor
arrebata, toma por assalto corações desatentos e pessoas desavisadas. O amor é
um tombo feio, daqueles que machucam a alma e deixam sequelas. Portanto,
cuidado. Trazer o amor de alguém para si requer algo a mais, o óbvio leva
apenas ao campo batido da amizade, do coleguismo. Uma pessoa não se interessa
por quem não a surpreende, por quem não a comove, por quem não lhe traz para
fora da zona de conforto.
Esse
é o segredo dos cafajestes e o ponto fraco dos bonzinhos. Bonzinho é bom, mas é
calculado, previsível. O cafajeste não. Cafajestes são paraquedistas,
velocistas, malabaristas. Eles vão pelo avesso, confundem o radar das garotas e
só param quando já fizeram um pouso seguro em seus miocárdios e colchões. É
assim que funciona. Eles chamam para uma volta, mas acabam promovendo um world
tour, conseguem tirar o fôlego e a roupa das mulheres de uma forma tão despretensiosa
que até parece que aconteceu por acaso. Os cafajestes, então, entendem as
mulheres? Não, isso porque são incapazes de levar uma relação séria a longo
prazo, sem traumas ou hematomas. Mas entendem de amor, ou melhor, do que leva
garotas a se apaixonarem por alguém. Logo, percebe-se que paixão é combustível,
lubrificante das engrenagens envolvidas em um relacionamento.
O
que cafajestes não sabem é que o amor é como o fogo, precisa de alimento para
ser mantido e, nisso, eles são péssimos. Sua adolescência tardia impede que os
vínculos sejam fortalecidos e renovados. Amor, então, precisa de bonzinhos, de
gentilezas, agrados e beijos. Sim, o amor precisa também de amizade, precisa de
companheirismo, cumplicidade, mãos que se ajudam. Viu como não é simples?
Pessoas querem emoções fortes, devaneios, mas, em algum momento, também querem
colo e aconchego. Essa álgebra dos sentimentos é delicada. Requer ondas
agitadas, mas também calmaria; requer beijos de língua, mas também beijos na
testa.
Amor
é um conjunto maior, habitado pelas paixões, pelos sentimentos, pelas carícias
e carências. O balanço desse todo no espiral das consciências é que torna o produto
final como é. E essa equação pode levar a tantos resultados: felicidade, alegria,
tesão, delícia, tristeza, decepção, frigidez, mentira, amor, desamor, harmonia,
melancolia ou tanto mais ou tanto menos Eis o amor, um elo, um selo, um todo
que de nós tanto faz e tanto traz, um todo que pode ser uma mágica, uma solução
ou apenas uma desilusão, um convite ao recomeço. De toda a forma, de todo o
jeito, entender o amor e o que ele provoca, como nos sufoca ou nos invoca, nos ajuda
a dar um novo passo, sem o peso dos medos e dos choques que o passado legou.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Apocalipse
A cama dele era larga, king size, sempre coube muita companhia,
muitas meninas. Era considerado um apocalipse sexual. Alguém que faz das noites
um exercício incendiário, de pura e imoral luxúria. Colecionou amantes,
ficantes, peguetes e piriguetes. Foi um deus em carne, um lobo faminto e
insaciável. Os anos não sossegaram seu ímpeto, mas seu corpo sim. Algumas dores
pontuais e localizadas se tornaram mais intensas e crescentes. Era o pior
possível. Um câncer. Tratamento longo e excruciante. Quimioterapia, remédios,
internações... Era um filme de terror e drama que se tornava real. Era preciso
ter fé e esperança para sair daquela chama. O diabo lhe convidada para a dança
e ele só queria escapar. Em seu leito, poucos amigos e alguma família. Era a
única gente que com ele se importava. Muitos tinham seu contato, sabiam de seu
estado, mas não apareciam. Fingiam não saber de nada, desconversavam quando o
nome do enfermo era citado. Um gigante esquecido, talvez um Great Gatsby
revivido. Abandonado, mas também fortalecido por aqueles que lhe tinham como
querido. A improvável recuperação aconteceu. Seu organismo enfrentou o mal e o
extirpou. Foi um milagre científico. Mas não para ele. Jamais se esqueceu de
cada segundo daquela batalha, uma guerra mundial travada no íntimo de seus
tecidos. Deixou o hospital como alguém que nasce das cinzas, renasceu em seu
próprio cadáver. Teria muito a viver? Como seria o futuro? As festas, as bebidas,
as mulheres ou a paz das companhias valorosas que lhe sustentaram em luta?
Poderia conciliar os dois ou renunciar a ambos? Ele respondeu a tais questionamentos com um sorriso e partiu em direção ao nada, sabendo bem o que procurava.
Sujar as mãos
A vida pode
ser quietude, passividade e sossego. Pode ser à beira mar, com sabor de
pêssego. Mas vocês conseguem viver assim? Vocês conseguem largar tudo, se
alienar do mundo e partir por aí? Alguns sim e muitos com certeza. Mas eu não.
Jogo no time dos incomodados, dos inconformados, daqueles que se perturbam com
o status quo. Dizem que os
incomodados que se mudem. E estamos nos mudando, mas levando o mundo junto
conosco. Sempre acreditei na transformação, na necessária mudança. Não é mudar
por modismo, para criar tendência. É mudar por algo e por alguém. O modelo
atual ainda é invasivo, excludente, deprimente. Serve para poucos e não para
todos. Aí, eu enxergo a obrigação da mudança, da reorganização dos fatores.
Seria ilusão e ingenuidade querer tudo diferente de forma expressa, a jato.
Porém, dá para fazer, dá para mexer a massa, bater o concreto e encaixar os
tijolos. Precisamos da coragem para sujar a mão de graxa, fuçar nas
engrenagens. Não quero que todos tenham camaro amarelo, mas sim que haja um
teto para cada um, brasileiro ou não. Quero que comida seja algo natural no dia
a dia, quero que as empresas produzam, empreguem e cresçam. E também quero que
o trabalhador opere, prospere, mas que também descanse. Quero que as oito horas
se tornem seis, para que mais pessoas possam trabalhar e consumir. Quero que o
salário médio e o mínimo não ensejem sobrevivência, mas uma vida em que exista
o mínimo de conforto e recreação. Não é um sonho e sim uma meta. Talvez a
metade que ainda falta a fazer. Não sejamos alarmistas. O país melhorou,
progrediu, incluiu, mas ainda não o suficiente. Não atribua isso a Lula, Dilma,
FHC, Itamar ou Collor. O que fez o Brasil melhorar foi a democracia, com
eleições livre e diretas, com imprensa livre, com pluralidade de partidos e
ideologias. Sei que as pessoas ainda se confundem e confundem fazer político
com benefícios pessoais. Tudo bem, sem problema. A mudança vai varrer para
longe toda essa sujeira, toda essa corrupção de valores e de caráter. Apenas
tenhamos em foco que não se pode parar, as ruas não podem se acostumar ao
silêncio cidadão e ao ruído dos criminosos. Somos nós, é nossa responsabilidade
tomar as esquinas e avenidas e fazer a roda viva girar. Não se cale, não se
torne lobo de sua própria hipocrisia, a marcha, a dos democratas e civilizados,
deve continuar. O mar continuará onde está, continuará à espera depois nossas
lutas e embates.quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Minha dor
Tenho uma dor no peito,
uma dor que hora cresce, que hora se acalma. Uma dor que me acompanha por dias,
meses e anos. Ela começou quando eu nasci, quando ganhei o mundo e um registro
oficial. De tantos nomes, tive um em especial. Dali em diante, fui acumulando
feridas, lesões e hematomas. Tudo se escondendo e se alojando nas brechas
cardiológicas. Agora, nem me lembro o quanto de dor eu carrego, mas vida
inteira pode ser contada a partir dela. Ela explica quem sou e como sou,
explica o que me move e o que me fere. Essa dor passa por minha família, meu
amigos, meus amores, ela também atravessa desafetos, antipatias e desilusões.
Tudo por uma noite, tudo para não lembrar mais. Mas eu me lembro e me lembro
também da bebedeira, das festas, das bocas, das camas e da manhã seguinte. Isso
também vai parar naquela dor no peito. Na verdade, minha vida é uma dor e o que
sou resulta desse atrito. Queria apenas esquecer quem eu sou, mas, para isso,
teria que abrir mão do meu caminho, do meu orgulho. Eu teria que recomeçar,
então, nesse ponto, eu me lembro. Terá sido assim tão ruim, não terá essa dor
me ensinado nenhuma lição, não terá essa dor sido acompanha de tantas alegrias
e emoções? No meu caso, bem especificamente no meu, a dor arrastou um pacote,
que inclui as maravilhas e as delícias de ser quem eu sou, meio louco, meio
tonto, mas plenamente feliz. Quer saber? Deixa quieto, minha dor me entende e
com ela convivo bem, não é a mais harmoniosa das relações, mas, juntos, crescemos,
aprendemos e evoluímos. Talvez sejamos nossas caras-metades, os dois lados do
mesmo mural. Enfim, somos felizes e doídos e isso nos basta.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Pedaço
Eu não vou roubar
você de si mesma. Eu não posso te soltar, se você nem está presa. Eu não posso
perder o que nem tive. Eu tive de você atenção, palavras doces, algum carinho e
poucas noites. Sei que você não estava lá, que não se entregou, que não abriu
suas asas. Tudo bem, tanto faz. Não precisa ter medo, me evitar. Não sou ameaça
nem nunca fui. Apenas tentei ser especial para você, fazer você me ver como
desigual, como alguém para quem você aponta o dedo e diz: "Ele é o
cara". Quis ser seu cara, mas nem passei da metade da página. Sem
problema, eu sei que tentei, sei que não faltou meu esforço. Não era para ter
sido comigo, isso eu entendo. Apenas não se desfaça do que vivemos, do que eu
senti. Para mim foi importante, então não me negue, não me apague. Apenas me
aceite como um cara determinado, que fez parte da sua vida e agora não faz
mais. Fiz de tudo, me doei por inteiro e doeu por algum tempo, mas agora não
mais. Então, de boa, apenas aceite que da sua vida levo um pedaço e o orgulho
de ter sido uma pessoa que esteve, de verdade, ao seu lado.
Beijo secreto
Um
beijo
Silêncio
Dois
olhos inertes
Encarando-se
em dúvida
Não
era para ter acontecido
Não
foi ruim, mas foi trágico
Ela
estava na pior, desiludida
Ele
era um velho amigo, um querido
Foi
socorrê-la, dar consolo
Depois
de mais um término
Mais
um fim de namoro
Namorada
ele tinha
Mas
isso nunca foi problema
Eram
só amigos, não passava disso
Mas
naquela noite passou
A
relação passou a ter novo sentido
Tudo
muito confuso, embaralhado
Ele
agora era infiel
E
ela uma pessoa inconfiável
Não
podiam assumir nada
Nem
mesmo mais a amizade
Era
estranho, sombrio
Quase
uma frase sem sentido
Continuavam
o carinho, a cumplicidade
Somado
a isso um novo elemento
Um
novo inesperado tormento
Ele
não contou para a namorada
Manteve
o relacionamento
Ela
não mais quis vê-lo
Era
prudente manter distância
Apenas
se falavam por internet, telefone
Não
mais que isso, sem mais compromisso
Mas
aquele beijo não saía da memória
Não
era amor, paixão, rompante
Foi
apenas fraqueza, carência, momento
Mas,
mesmo assim, muito significava
Foi
o começo do fim para os dois
Foi
uma nova forma de se enxergarem
De
entenderem que por trás da amizade
Estavam
um homem e uma mulher
Duas
pessoas que não conseguiam mais separar
Duas
pessoas que não podiam mais evitar
E,
assim, mantiveram o beijo secreto
O
beijo que revelou que eram amantes
Não
entre si, mas do que tinham
Amavam
a amizade e a atração mútua que exerciam
Mas
esconderam tudo, como adolescentes assustados
E
assim tudo ficou: nublado, diluído e muito mal resolvido
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