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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sequência óbvia


Na sequência óbvia do fim, há recomeço. Na porta da igreja, nem tudo é hóstia, nem tudo cura. Saiba que ser pura não é salvação, nem é pecado se entregar de corpo, alma e coração. Todo contexto realça o momento. Todo pretexto pode obscurecer certos medos. Não tenha certeza de nada, apenas da morte. Arrisque para bem viver, mas não arrisque tudo. Grite a plenos pulmões, mas não faça histeria. Heresia pode ser boa, mas não invalida a sacristia. Pise em terra firme, firme seus pés no chão, mas não se afirme sobre outras pessoas. Firme-se sobre suas certezas, convicções e inteligência. Não é preciso mostrar que tem algo, a carta na manga é um trunfo sempre bem-vindo. Seu valor vem do que você é e não do que dizem sobre você. Tenha apego a quem lhe quer bem, valorize a sua família. Não somos ilhas, necessitamos um do outro, mas não de todo o mundo. Afasta-se de quem lhe faz mal, mas não lhe deseje o igual. Ignorar o inimigo é a melhor forma de atingi-lo. Feche os olhos quando for amar. A sensação será ainda mais explosiva e apoteótica. Se a vida se tornar caótica, não se desespere, respire fundo e segure as pontas. O vendaval faz grandes estragos, mas ele passa. E nós continuamos, seguimos em frente, celebrando as belezas que a vida nos propõe todos os dias.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Água fria


O amor é água fria, gelo que queima a vista, é fruto do pecado, mas também salvação. Amor é coração valente, é nadar contra a corrente. É insistir no errado, consertar o quebrado. Amor é força mutante, nau à deriva, orvalho ofegante. Amor é cadeia, elo que nos prende à fraqueza, certeza que nos move os dias. Amor é coração que bate forte, é minha mão junta à sua, enquanto avistamos o céu e suas surpresas.

Inquietude


Nem tudo o que aprendi foi na escola, nem tudo o que consegui foi na cola. Minha alucinação não vem da droga, mas da minha inquietude, do meu espírito crítico. Sou assim desde criança, mexo, fuço, entendo. Não disfarço, se eu quiser, chego e falo. É meu jeito, meu endereço. Meu recado é direto, vai no queixo, sacode a têmpora. Não sou de meias verdades, digo por inteiro, do começo ao fim, de dentro para fora. É verdade que não ligo para o que acham. Pouco me importo com o que dizem, quase sempre entra por um ouvido e sai pelo outro. Minha atenção é seletiva, só a gasto com quem faz por merecer. Já minha confiança, essa é mais difícil de conquistar. Curiosos também são desconfiados, certo? Nunca fui de acreditar, nunca fui um bom cristão. Sempre questionei os dogmas, sempre bati de frente com o "porque é assim". Isso não me satisfaz. Explicação tem que ser por inteira e na ordem certa. Processo vem antes do produto, sucesso depois do trabalho e assim por diante. Eu não vou engolir qualquer justificativa. É preciso me convencer das verdades. Eu tenho que ver para crer, sou São Tomé. E, pode contar com isso, não me convenço antes de minha própria investigação. Alguns chamam isso de neurose, eu prefiro dizer que é ciência, empirismo e autoconhecimento. Procurar saber diz tanto sobre mim quanto sobre a pesquisa em si. Aprendo em dobro e aprendo melhor. Por isso, tenho tantas anotações, escrever faz de mim um autor, compartilhar o que sei me torna benfeitor. Então, vamos em frente, com uma interrogação nas mãos, desconfiança nos pés e muita vontade de aprender. A vida é uma faculdade e ainda nem cursei a metade.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Firmamento


Você nunca mais apareceu. Mas, quando apareceu, foi na hora certa. Eu estava só, triste, sem rumo. Vivia de passado, de migalhas das próprias lembranças. Então, eu conheci você. Sua desconfiança, seu jeito de se entregar, tudo se encaixou em minha vida como um quebra-cabeça bem montado. Logo, minhas noites tinham você e a solidão se tornou apenas uma palavra. Uma palavra esquecida. Era tudo bom o tempo todo. Porém, sua insegurança e suas histórias mal resolvidas nos atrapalharam, vivemos de idas e voltas, de surpresas nem sempre agradáveis. Esticamos o elástico ao máximo e dos dois lados. Ele não arrebentou, mas ficou frouxo e sem textura. Nossa relação se tornou isso, um elo sem firmeza, sem resistência. Em algumas noites, queimávamos de paixão e luxúria, em outras, era como se não fôssemos nem conhecidos. Essa bipolaridade me matava aos poucos, contaminava meu bem estar, meu bem viver. Não demorou e estávamos separados. Unidos pelo que sentíamos, afastados pelo que não podíamos. Ainda penso em você e não me arrependo de nada. Sei que nunca mais a verei, mas sempre terei algo bom de você em meus pensamentos. Isso me basta para seguir em frente, para buscar meu firmamento.

Saídas


Não vou fingir que perdoei, até porque não há o que ser perdoado. Você fez uma escolha, talvez não a melhor delas, mas foi sua escolha. Sei que na vida há arrependimento, amarguras, coisas inevitáveis. Mas não há como voltar. Uma parte de mim até desejaria, mas a outra jamais aceitaria, jamais daria sossego a você. Um minuto de atraso, uma ligação não atendida, tudo seria motivo de briga, de sonora discussão. Não precisamos passar por isso, não precisamos sangrar até o final. Podemos guardar o que foi bom e manter o respeito um pelo outro. Pode ter certeza: não vou me fazer de vítima, te queimar por aí, dizer que você não presta. O coração é muito complexo e nossa cabeça muito frágil. Se foi um momento de fraqueza ou uma mudança de ideia, só você pode dizer. A mim cabe não julgar, compreender, saber que também poderia ter sido comigo. Todos nós temos inimigos, ocultos, anônimos e que habitam em nós mesmos. Agora, vamos dar um tempo, fechar feridas, encontrar saídas. Sei que ainda há muito pela frente, vamos crescer, amadurecer, conhecer o mundo. Algum dia, lá no fim da linha, pode ser que tudo mude. Pode ser que estejamos prontos e perdoados, pode ser o reinício de que tanto precisamos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Parte conquistada


Um cara que você achou ser a solução de tudo
Foi a primeira de muitas dores de cabeça
Mas você é louca por ela, irremediavelmente apaixonada
Ele sai com amigos, se diverte horrores, bebe além da conta
Você liga uma, duas, várias vezes
Ele não atende, a música alta, a conversa entre amigos, tudo o distrai
Vocês brigam um com outro, dizem coisas que não deveriam
Mais tarde, um ou outro liga e pede desculpas
Tempos de calmaria, mas nem tanto
Logo, vem uma festa, ele se atrasa, chega depois
Vocês brigam, mas fazem as pazes e terminam a noite juntos
Na verdade, vocês são apaixonados um pelo outro
E ele teima em não admitir, em não entregar os pontos
Você não esconde, gosta dele e de verdade
Mas homem tem vaidade e fobia a falar de amor
Tudo bem, tanto faz
Basta que vocês estejam juntos e bem
Até a próxima briga, até a próxima festa
Entre vocês, tudo se mistura e se confunde
Afinal, quantas cores tem o amor, quantas folhas tem a paixão?
Isso nem importa agora
Está tudo bem, ele é o cara certo, o cara que você quer
Mas, ao contrário do que você pensava,
Não é nele que tudo termina, mas nele tudo começa
Você está aprendendo e concorda mesmo comigo
Uma relação é uma aventura, uma jornada insana
Uma busca por você nos braços e olhos de outra pessoa
Uma conquista que só se completa, se dá por inteira
Quando é você a parte rendida, a parte conquistada

Coro dos insossos


Entenda que eu tenho que ir. Ir em frente, ir adiante, atrás dos meus sonhos e dos meus instintos. Acredite quando eu digo, a vida é curta, então, curta, não caia nessa de tempo ao tempo. Deixe que suas escolhas o sigam, não se escravize por um risco em um formulário, por uma carta de baralho. Todo feito pode ser desfeito, todo tempo pode ser refeito, basta que você se oriente, basta que você saiba o que realmente busca. Eu não teria palavras ou conselhos para dar, se quer algo meu, fique com meu exemplo, mesmo que seja do que não fazer. Sei disso, não sou espelho, não esquento a cabeça. Imagem boa é coisa de cinema, minha cabeça esquenta é com o que ainda não fiz por mim mesmo. Há muito a ser feito, mas também muito já fiz. Não cedo um milímetro, não retrocedo no que não estou a fim. Sei que você fica em dúvida, com um pé atrás. É por isso que empurro você contra a parede, jogo você do avião. O paraquedas sempre abre, mas, se não abrir, será bom para aprendermos a ter fé, a acreditar no impossível, a ouvir o outro lado. Minha vida é assim, corro quando acham que devo caminhar, me arrasto quando tantos se apressam. Sou feliz por isso, por acreditar mais em mim do que nos outros, por ouvir mais meus batimentos do que o coro dos insossos.