Às vezes, penso por
que uma pessoa de bem, feliz, produtiva, amável e socialmente responsável é
diagnosticada com câncer, enquanto a saúde habita os corpos de pessoas
desprezíveis, egoístas, facínoras e sem o menor respeito pelo próximo? Essa
pergunta, eu sei, só Deus, do alto de sua sabedoria e justiça, pode responder.
Mas situações assim me lembram de como a vida é frágil e imprevisível, não há
super-homens, heróis invencíveis ou seres intocáveis, no fundo, somos todos
vulneráveis. Então, façamos bom uso do tempo que nos resta e da fortaleza de
nossos corpos. Não sabemos qual a última página de nosso calendário, mas
sabemos que muito pode ser feito, que somos capazes de deixar um mundo melhor
quando for nossa hora. É isso. Talvez Deus queira que nós façamos nosso máximo
o tempo todo, Ele quer de nós um legado, um exemplo, as digitais de nossa
existência marcadas em favor de algo que será eterno nos corações de quem nos
sucede.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Ápices
Que se quebre como encanto falido, como fogo sufocado em
água. Que se quebre o que não for real, o que não for tangível. Nossa história
caminha para esse destino, porque não é mais nossa, porque não é real. Talvez
sejamos fantasmas presos ao passado dos desejos, dos gozos, das quimeras.
Assombros acorrentados ao que já foi e não mais há. Não sendo verdadeiro, que
nosso amor se desfaça, desmanche sobre o leito do porvir, do futuro que nos
atravessa como presente, sem pedir licença, sem implorar perdão. Não há dor que
fique quando a água salgada nos lava a alma e banha nossos corações. Fica para
trás tudo, até mesmo a saudade. Não há razão para tantas lembranças, sabemos o
que foi, sabemos que não mais é. Não vamos mais nos cruzar ou nos olhar nas
lentes, tudo já terá sido como um sonho bom, um pesadelo precoce. Agora,
estamos acordados e há um rio e seus afluentes a nos esperar. Cada um escolherá
uma margem e viverá sua própria aventura. Sacrifícios já fizemos um pelo outro,
não há porque repeti-los. Basta seguirmos em frente, com humildade, aprendendo
com os tropeços e crescendo por nossas próprias experiências. Amanhã, seremos
melhores, seremos diferentes, ignoraremos um ao outro, mas com a convicção de
que tudo foi um caminho obrigatório, um alistamento para atingirmos nossos
ápices definitivos.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Sintaxe
É como se fosse
desejo, é como se fosse paixão. São dias e noites, cores e amores. Não há muito
que planejar, é para fazer, sentir, tocar. Talvez seja o segredo da vida, o
sexo dos anjos. Sei lá. Mas a resposta para o que eu sinto está aqui, está aí.
Basta estar a fim, basta dizer que sim. De resto, o resto se realiza como um
sonho que atravessa a fronteira entre a ilusão e o material. E tudo acontece
como predicado, como sujeito, como a gramática que não explica as regras entre
os corpos, que não explica a sintaxe que há em um gozo e, se nada
mais faz sentido, todos os sentidos se misturam no ato final. E, ainda assim, não há fim, apenas recomeços, ciclos que se reiniciam, liberdades de prazer que se multiplicam sob a névoa da gênese, sob a repartição dos genes.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Um balanço ou breves palavras sobre o ano que se vai
2013 foi legal. Tivemos que aprender a lidar com uma ausência, a rever a
vida sem uma pessoa que foi e sempre será muito especial.
2013 ofereceu novas tarefas e novos desafios. Ofereceu um novo caminho e
uma outra forma de realização.
Foi ano em que muito escrevi, foram muitos assuntos, muitas inspirações
e muitas criações. Foi um ano do planejamento, de me ver como sou e entender como
lidar com isso.
Esse ano reforçou grandes amizades e trouxe muitas surpresas, nem todas
boas, mas todas devidamente pedagógicas.
2013 foi o ano do amor. Foi ano de estar com meu amor, de compreendê-la
melhor e saber que temos algo especial que carregaremos para todo o sempre.
Foi também um ano de ficar com a família. De agradecer a Deus por ter
por perto meus pais, irmãos, tios, primos, sobrinhos...
2013 também me trouxe trabalho, renovou o meu abençoado ganha-pão e me
brindou com muitas oportunidades. Por isso, agradeço por ter onde trabalhar e
também a meus companheiros de jornada.
O ano que está indo leva consigo a aproximação com Deus, com o mestre
Jesus, com meu anjo de guarda e meus amigos espirituais. A Eles tanto grato por
tantas bênçãos e aprendizados.
Esse ano vai levando dores, saudades, vitórias, lições, viagens e
páginas riscadas. Foi produtivo, foi bom, foi muito construtivo. Claro que
poderia ter sido melhor, mas aí fica a
meta para 2014: ser um ano ainda melhor. Isso exigirá de nós sabedoria,
experiência, humildade e muita obstinação.
Mas tudo bem, é para isso que estamos aqui, é para isso que vivemos. É
uma questão de evoluirmos, crescermos, superarmos nossos próprios limites e
arestas, tornando-nos melhores enquanto cidadãos, seres humanos e entes
familiares.
2014 será isso, será nossa projeção para algo além, para o exercício de
nossos plenos papéis na busca por mundo mais justo, igualitário e feliz.
Um 2014 de muitas realizações pessoais, profissionais e espirituais, é
isso que posso desejar e embalar de presente para cada um de nós.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Motivo
Traga mais o caldo desses beijos, traga mais doce ilusão. Não
quero tragar o fogo do desprezo, vou esperar seus momentos de furor. É de bala
o gosto desse lábio, tem a textura de uma seda esses cachos que me prendem os
dedos de uma mão. Não diga que esqueceu, que o sentimento não sobreviveu, ele
respira e inspira os cuidados que lhe dou. Não adote o discurso do passado, se
entre nós não há hiato; não me venha com a conversa de que saudade não se mata.
Explica, então, esse sorriso no seu rosto, o cabelo meu desarrumado e tudo que
aconteceu naquele quarto. Você sabe que podemos enganar a cabeça, o pensamento,
a razão, mas, no fundo, o sentimento bate forte e nos sufoca. Traga seus dedos
em meu corpo, seu retrato refletido em meus olhos e mais e muitas horas de paixão.
Nem converse, apenas beije, aproveite, não sei quanto tempo vai durar, mas que
se faça eterna a chama dessa intensa abrasão. Enlouqueça, se jogue nessa
furiosa volição, traga o volume e as formas para mim, me deixe tocar seu
paraíso. Faça assim, não fique lá, no fim de tudo, você sempre soube que havia
sim um motivo para voltar, para entender que isso está muito longe de acabar.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Ilhadas
Algumas pessoas não
são capazes de enxergar novos mundos, continentes e correntezas. Infelizmente,
estão ilhadas por seus preconceitos e medos. Podem viajar o mundo inteiro,
navegar os setes mares e voar por entre galáxias, mas, mesmo assim, serão
vazias e frias como noite de inverno. Isso acontece porque o calor não vem de
fora, mas sim de nós mesmos, de nossos amores, de nossas paixões e de tudo que
fazemos com dedicação. Isso faz com que uma existência de ostentação possa ser
tão sem sentido enquanto uma vida simples se torna um rosário poderoso de
experiências e de êxtases. Se ainda não entende o que digo, basta ver a
trajetória do homem de biografia mais relevante de todos os tempos. Ele era
simples, rasteiro, sem moradia fixa ou qualquer tipo de luxo. E, mesmo assim,
sua morte, sua mensagem e suas lições atravessaram milênios e milhas para
alcançar tantos corações e horizontes. Esse é o recado, o significado da vida
se inicia e se completa no mesmo ponto, em nossos corações e na honestidade com
que nos entregamos ao que fazemos. Sem isso, nada vai completar as lacunas que
nossos pensamentos carregam. E, no fim, teremos medo e nada vai nos satisfazer
por inteiro.
Infância
Nem deixou de ser criança e já quer
entrar na dança. Ei, preste atenção, isso não é brincadeira, não é para quem se
alimenta na mamadeira. Não ouse vestir a calça se nem saiu ainda da fralda.
Deixe com a gente grande o problema que é preocupante. Vá brincar com seus
joguinhos, fazer seus castelinhos de Lego, nós, os já crescidos, daremos conta
de tudo para que você não saia do ninho. Aproveite a sua infância, não tente
crescer antes da hora, eu digo, de verdade, crescer é perigoso e ficar velho
uma droga.
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