Ela tinha nada, mas tinha
força de vontade. Contra todas as constrições , estudou, aprendeu, foi a
melhor. Diante de um sistema excludente, se incluiu. Aproveitou a “era dos
extremos” e, mesmo com parcos recursos, comprou clássicos literários em sebos. Montou
sua biblioteca, leu e releu até os olhos cansarem. A internet foi muito mais do
que diversão. Enquanto muitos jogavam ou assistiam a vídeos de humor, ela baixava
e-books e se dedicava a vídeosaulas gratuitas. Foi aprovada no processo
seletivo para a faculdade que escolheu e se fez ótima aluna. Não perdeu as
chances de se aperfeiçoar e de se tornar uma profissional melhor. Formada com
louvor, fez concursos e obteve novos sucessos. E foi assim que ela superou as barreiras que
sempre lhe foram destinadas, com esforço, transpiração, sacrifícios e
renúncias. Ela sabia que sempre estava um passo atrás por sua condição social,
mas isso, em vez de impedir, a encorajou ainda mais. Assim, nasce uma
vencedora, não do talento ou do muito dinheiro disponível, mas sim do esforço,
da luta e da vontade de crescer. Não há uma receita para vencer na vida, mas
quem vence, só vence, porque muito briga, muito se dedica e jamais aceita o
fracasso como resposta definitiva.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ele
Ele é diferente dos outros.
Simplesmente, diferente. Não por atributos que soltam aos olhos ou por bens
materiais. Não tem nada a ver com isso. É, no fundo, por um jeito de olhar que
é só dele, pelo sorriso enviesado, pela forma de enxergar as coisas boas da
vida. Sem falar nas palavras. Ah, como ele é bom com as palavras, como ele
sempre sabe dizer a frase perfeita no momento em que mais precisamos, como ele
sabe me arrancar uma gargalhada, mesmo quando meu dia foi ruim. Ele é tão
especial e também tão universal. Eu o vejo em todos os lugares, ainda que ele
seja muito diferente e distante de todos os outros homens. Ele é assim, tão de
mim e tão do mundo. Eu o busco, mas ele foge e, mesmo desse jeito, sempre nos
encontramos em alguma perpendicular dessa vida. Ele é tão bonito e tão
fugitivo. Mas não me importo, pois sei que, quando for preciso, nossos desejos
estarão juntos pelo simples motivo de que não temos mais nenhum controle sobre
isso.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
A arte do blefe
Quem não entende as mulheres não entende de jogos.
Mulher adora o elemento lúdico, por isso não é fácil compreendê-las. Para chegar
ao ponto final com elas, é preciso negociar, saber que elas usam as cartas das
mangas e todos os demais truques disponíveis. Mulher blefa o tempo inteiro, se
faz de difícil quando está muito a fim, se faz de desentendida quando já sabe
de tudo, finge indiferença diante de algo muito importante. Elas são assim,
jogam, enganam e induzem os homens a fazerem o que elas querem. Seria maldade
da parte delas? Não sei, prefiro acreditar que se trata de inteligência
emocional, de um desenvolvimento do QI do amor, após tantas frustrações e
mágoas.
Percebam que não estou comparando as mulheres aos
cafajestes. Estes jogam sujos, mentem descaradamente, fazem promessas com a
deliberada intenção de não cumpri-las. Mulheres são diferentes, elas não burlam
as regras, apenas as usam de uma maneira que os homens ainda não sabem. Elas
entendem melhor a dinâmica social do jogo, são mentalmente mais perspicazes e
planejam com mais apuro os próximos passos.
Sim, as mulheres não são mais as o “sexo frágil”, o
vale de lágrimas vitimado pelo machismo cafajeste de outros tempos. No fundo,
elas evoluíram, aprenderam com as quedas livres dos relacionamentos mal
sucedidos. Hoje, elas dão as cartas, editam as regras e decretam o resultado. Os
homens podem até estufar o peito, bancar a marra e pagar de fodões. Mas eles
sabem que estão ficando para trás, comendo a poeira das atletas do salto alto.
Isso acontece porque homem é óbvio, previsível e
unilateral. Seu código corporal já entrega as atitudes e as intenções, as
palavras apenas sublinham o que lhes atravessa o pensamento. Para uma mulher
inteligente ou bem vivida, é como ler as legendas de um blockbuster dublado.
Fácil demais. As mulheres vão além, elas
sabem embaralhar as cartas, esconder os ases e flertar com blefe. Elas sabem
provocar sem entregar, dizer sem expressar, sugerir sem pedir.
Diante disso tudo, os homens se encolhem, se
assustam, correm para o colo da mamãe. Em vez disso, deveriam evoluir também,
sair da casca do chauvinismo, aprender com o lado vencedor. Mas, no lugar da
lição, os homens continuam rastejando no sexismo, na macheza e na cafajestagem.
Mal sabem eles que as mulheres, a essa altura, estão morrendo de rir da crise
de identidade masculina e brincando com os instintos dos “machos-alfa”, tal qual
os felinos, que tripudiam do frágil roedor antes de devorá-lo.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
O amor é assim
Amar é bom demais
É energia e gás
É estar além das expectativas
Ir além do óbvio, da reta
O amor não tem medida,
Nem receita perfeita
Amar é cair no erro
Trafegar na contramão
Esquecer o passado
E, até mesmo, pedir perdão
De amor não se morre
O amor é vida, é renovação
Quem ama sabe o que quer
Ou melhor, a quem quer
Amor é paixão, poesia, sinestesia
É nadar em terra firme
Correr em pleno ar
Quem ama sabe de tudo
Quem ama sabe viver
O amor é assim,
Dá sentido aos dias
E dias aos sentimentos
Quero mais é ser feliz
Amando e tendo a quem amar
E, para quem se esqueceu do amor,
Saiba que o amor não se esqueceu de você
E ele vai lhe encontrar,
Ou melhor, reencontrar
Sem dia ou hora certos
No dia em que você mal pode imaginar
E tudo vai voltar a ter cores
E tudo vai voltar a ser vida
Não fique desconfiada(o)
O amor é assim
Nasce, renasce, respira
Em tudo e em todos
Naquelas entrelinhas tortas
Onde ninguém habita
Até lá o amor tramita
E ele vai chegar onde você estiver
E vai florescer até mesmo em quem não quiser
Isso eu não tinha dito, não ainda
Mas o amor é atrevido, atirado
Não aceita negativas ou portas fechadas
Ele vai até o limite, até o fim
Para que tudo seja lindo e bem vivido
Bem-vindo ao amor,
Que ele lhe traga as alegrias
Que ele lhe traga as melodias
Que ele lhe traga as cartas apaixonadas
As flores e as lágrimas
E toda a emoção sincera
Que um coração humano puder experimentar
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Digitais
Às vezes, penso por
que uma pessoa de bem, feliz, produtiva, amável e socialmente responsável é
diagnosticada com câncer, enquanto a saúde habita os corpos de pessoas
desprezíveis, egoístas, facínoras e sem o menor respeito pelo próximo? Essa
pergunta, eu sei, só Deus, do alto de sua sabedoria e justiça, pode responder.
Mas situações assim me lembram de como a vida é frágil e imprevisível, não há
super-homens, heróis invencíveis ou seres intocáveis, no fundo, somos todos
vulneráveis. Então, façamos bom uso do tempo que nos resta e da fortaleza de
nossos corpos. Não sabemos qual a última página de nosso calendário, mas
sabemos que muito pode ser feito, que somos capazes de deixar um mundo melhor
quando for nossa hora. É isso. Talvez Deus queira que nós façamos nosso máximo
o tempo todo, Ele quer de nós um legado, um exemplo, as digitais de nossa
existência marcadas em favor de algo que será eterno nos corações de quem nos
sucede.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Ápices
Que se quebre como encanto falido, como fogo sufocado em
água. Que se quebre o que não for real, o que não for tangível. Nossa história
caminha para esse destino, porque não é mais nossa, porque não é real. Talvez
sejamos fantasmas presos ao passado dos desejos, dos gozos, das quimeras.
Assombros acorrentados ao que já foi e não mais há. Não sendo verdadeiro, que
nosso amor se desfaça, desmanche sobre o leito do porvir, do futuro que nos
atravessa como presente, sem pedir licença, sem implorar perdão. Não há dor que
fique quando a água salgada nos lava a alma e banha nossos corações. Fica para
trás tudo, até mesmo a saudade. Não há razão para tantas lembranças, sabemos o
que foi, sabemos que não mais é. Não vamos mais nos cruzar ou nos olhar nas
lentes, tudo já terá sido como um sonho bom, um pesadelo precoce. Agora,
estamos acordados e há um rio e seus afluentes a nos esperar. Cada um escolherá
uma margem e viverá sua própria aventura. Sacrifícios já fizemos um pelo outro,
não há porque repeti-los. Basta seguirmos em frente, com humildade, aprendendo
com os tropeços e crescendo por nossas próprias experiências. Amanhã, seremos
melhores, seremos diferentes, ignoraremos um ao outro, mas com a convicção de
que tudo foi um caminho obrigatório, um alistamento para atingirmos nossos
ápices definitivos.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Sintaxe
É como se fosse
desejo, é como se fosse paixão. São dias e noites, cores e amores. Não há muito
que planejar, é para fazer, sentir, tocar. Talvez seja o segredo da vida, o
sexo dos anjos. Sei lá. Mas a resposta para o que eu sinto está aqui, está aí.
Basta estar a fim, basta dizer que sim. De resto, o resto se realiza como um
sonho que atravessa a fronteira entre a ilusão e o material. E tudo acontece
como predicado, como sujeito, como a gramática que não explica as regras entre
os corpos, que não explica a sintaxe que há em um gozo e, se nada
mais faz sentido, todos os sentidos se misturam no ato final. E, ainda assim, não há fim, apenas recomeços, ciclos que se reiniciam, liberdades de prazer que se multiplicam sob a névoa da gênese, sob a repartição dos genes.
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