Total de visualizações de página

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Força Maior


O badalar de um sino vigilante
Tira de nós a perspectiva expectante
Nos eleva à condição ativa,
Nos assenhora das decisões de vida
Vamos em frente, despertando os inanimados,
Marchando intrépidos pela roda vida
Combatendo ferozmente toda a mortal tirania,
Toda a ferida aberta da traição implícita
Não vamos desistir, não vamos permitir que as forças ocultas se levantem
Que o mal desça à Vila para trazer desespero e rebeldia
A Força Maior nos guiará para vitória profetizada em versos e melodia

Estrada escarlate


Beijo, segredo, tesão
Sob o véu da noite
Nossos corpos se condensam,
Desmancham-se, derretem por completo
Entre paixões e faíscas, fogos e cortinas
Meu suspiro tangencia seu orgasmo
Seus dedos me atingem o ponto fraco
E a esse delírio, frenesi, nos entregamos
Sem mais o medo do antes ou do agora
Nesse pulsar tão poderoso e tântrico
Não mais nos importamos com nada
Nem mesmo com a possibilidade do flagra
O ruído da tranca se abrindo
A chave penetrando a fechadura
A maçaneta girando febril
E a iminência do inesperado
O corpo prometido em outras mãos
A boca exclusiva em outros lábios
Os dorsos marginais encruzilhados
E agora nada mais importa
Nem mesmo que estejamos sendo observados
Nem mesmo o grito agudo e o choro do outro lado
Não extraviaremos nosso prazer
Não deixaremos de trilhar até o fim

Essa estrada escarlate de luxúria e pecado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Soberano



Sou do tempo dos pés descalços
Dos beijos e abraços por acaso
Sem muitos motivos ou juízos
Sou do tempo em que palavra bastava
Que assinatura não era necessária
Hoje vejo que tudo é descartável
A declaração de amor, a notícia no jornal
No virar do dia, no virar da página
Nada mais tem o valor exato ou de antes
Sinto um pouco essa insegurança, essa incerteza
Por que será que nada mais é tão sólido?
As convicções, os planos, as conquistas
Tudo parece ser perder, se desmanchar
Feito um castelo de cartas ou poeira ao vento
O aperto de mão nada mais significa?
O beijo na boca é só um instante, um momento?
E a garantia de que tudo seria para sempre?
Será mesmo que somos apenas carbono?
Matéria animada a caminho do inanimado?
Imagino e acredito, de coração, que não.
Seja por teimosia, seja por fantasia
Mas sou como manto alvinegro pendurado no varal
Que luta heroicamente contra a tempestade vindoura
Faço fé no futuro, mas jamais menosprezo o passado
Dar as costas à história é jogar contra nossa própria construção
Que identidade tem quem nega sua origem ou não se firma?
Tomar posição é tomar as rédeas do Destino, ou pelo menos tentar
É assim que vejo tudo, é assim que enfrento meu escuro
É tateando nas sombras que valorizo a luz da sabedoria
Os perigos da vida é que me dão o valor da família
Enfim, embora muito fique para trás para tantos
O que ficou, para mim, ainda está lá, para sempre
E com essa lágrima saudosa escorrendo o olhar
Eu faço respeitosa homenagem a quem comigo batalhou
Tudo o que construímos é perene e inalienável
Tudo o que edificamos é obra da eternidade
E isso me enche de tanto orgulho e esperança
Que vou em frente e à luta
Na plena confiança de que estamos no hoje
Prestando honras ao ontem e lapidando a estrada
Para que o amanhã seja soberano e pleno para todos.

Entre tantos e poucos


Eu quero liberdade, eu quero mais do que vaidade
Quero ser lindo, mais por dentro do que por fora
Quero ser vivo, ativo, bem-vindo
Quero braços abertos, sorrisos e gritos
Eu quero ver toda a gente cantando
Mesmo que saia desafinado ou sem ritmo
Quero calor humano, fogo amigo
E assim se vive, com amor, com perigo
E essa aventura maluca chamada vida
Não tem fim, não tem começo
Ela é apenas o meio, o looping
É a metáfora do nada
Metonímia de um todo
É a vida, ela é linda e radiante
E dela quero tudo a cada dia, a cada despertar
Vida, amor, poesia, boemia...
Nessas esquinas entre tantos e poucos
Nos encontramos, nos amamos, nos perdemos
Mas esse é um jogo delicioso, imprevisível
Porque nele todos ganham, todos são vencedores
Isso é o amor, o jogo aberto
Pelo meio, pelos flancos, por fora, por dentro
Jogo que se joga sem medo, sem preconceito
A única regra é a honestidade, sinceridade
Então é isso, faça seu jogo, se movimente
E entre no clima cada vez mais quente
Talvez em algum recôndito
A gente se encontre, se lembre
E talvez nesse ponto, nessa circunstância
Nossos sorrisos se confundam, se iludam
E nossos rostos se encontrem no infinito de um segundo

E seja para sempre aquele beijo que para todos nunca aconteceu...

Não seja um rascunho


Ela tem medo, mas medo de que?
Ela tem sonhos, mas sonha com o que?
Ela tem uma vida, mas vive para que?
Para realizar sonhos ou se esconder do medo?
E você? Vivar a sonhar ou a temer?
Vive como quem se joga de um avião
Ou como quem se esconde sob o edredom?
E aí? Como é, como fica, como será?
Vai ficar mesmo nas sombras, fora do jogo?
Isso é uma lástima, tanta gente querendo brincar
E você se perdendo entre os monstros invisíveis
Não seja tímida, não seja um rascunho
A vida é um passeio, uma viagem ao redor do mundo
Então é isso, se arrisque, se jogue, ouse e aposte
Nada pode mudar o que você fez, 
Nada pode apagar sua marca.
Mas se você não sai à caça, à luta
Sempre haverá aquela dor de consciência
Lhe culpando, torturante, com o indicador em riste.

Se eu fosse um Beatle


Se eu fosse um Beatle, iria amar intensamente, iria amar a cada dia mulheres, homens, jovens, vividos, enfim, todos que pudessem escutar e dançar minha música, renovados e frescos amores. Eu iria voar pelos palcos, semear paixões, despertar a melodia que habita cada coração amargurado. Se eu fosse um Beatle, beberia ainda mais, farrearia, teria muitos amigos e menos juízo. Ah, se eu fosse um Beatle, não teria muito tempo para família e coisas corriqueiras da vida, tudo seria tão importante e emergente que nada mais faria além de tocar para o mundo e fazer dinheiro. Dinheiro esse que certamente eu queimaria com garotas, rapazes, drogas, luxos, sussurros e vazios. Sendo um Beatle, não veria meus filhos crescerem, perderia as primeiras palavras, os primeiros passos, o primeiro nado, o primeiro tombo de bicicleta. Se um Beatle fosse eu, quem seria a minha pessoa? Quem amaria por mim, quem escreveria minhas letras e viveria minha história? John, Paul, George ou Ringo? Pensando bem, não queria ser um Beatle, prefiro assim: eles lá a cantar e eu aqui a aplaudir. E assim é, simples, basta que eu seja o meu melhor, esse é o caminho para cada um de nós ser o seu próprio Beatle. 

Procura


Tudo o que você quer deve ser pensado, pensado se é mesmo necessário, útil e produtivo e não apenas impulso, espasmo de mero consumismo, capricho. Não digo que não devemos ter, mas isso não é o mais importante, o essencial. De nada adianta a matéria se nosso coração não carrega nada, há muito o Mestre nos ensinou que o tesouro da Terra valor nenhum carrega perante os portais dos Céus. Então, em verdade, lhe pergunto, vale a pena tanto se matar para ter algo que pode escorregar por entre os dedos, por entre os poros? Vale mesmo tanto sacrifício em prol de algo que pode se perder tão facilmente, com tanta fragilidade? Sabe o que nunca se perde? O Amor conquistado, os Sentimentos semeados e a Família construída. Tudo isso vamos carregar para onde formos, onde nossos pés espirituais alcançarem. Então fica essa reflexão, esse pensamento sobre o que são prioridades e necessidades. Ame, abrace, expresse seus sentimentos, revele suas intenções. Deus tem muito para nos oferecer, basta que saibamos o que tanto procuramos.