Total de visualizações de página

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Margem do invisível



Somos artistas, somos poetas, somos déspotas de nossas próprias tiranias. Com letras e cores, com números e formas, com nudezas conservadoras, vamos abrindo portas e deixando marcas. Respiramos pelos poros da sensibilidade e da provocação pueril. Tudo nos fere, mas também tudo nos transforma. Somos filhos de horizontes expandidos e de sítios descortinados. Tudo que nos dizem, escutamos de outra forma; tudo que contamos, é escutado como aurora. Somos catalisadores do sintetismo, somos criadores do anarquismo. Somos profetas do infinito e negadores do apocalipse. Nada do que vemos faz sentido, tudo que enxergamos é ambíguo. Viver de arte e viver a arte dá nisso. Metamorfoseia aquilo que julgávamos ser e nos põe em condição de novo ser. Um ser tão louco e imprevisível quanto aquilo que condenávamos quando ainda éramos linhas de uma margem do invisível.

Humanize-se



Não é uma bobagem ou um caminhão delas que definirá quem você é. O erro é irreversível, mas a reparação não torna a busca pela compensação menos válida. Se você vacilou, tudo bem; sem problema. Isso só prova que você é um ser humano como qualquer um de nós. Somos assim mesmo, feitos de carbono, revestidos de moléculas e sustentados por ossos. Não ter razão é o risco diário que se corre apenas pelo simples direito de respirar. A questão não é o erro tão somente. Mas a insistência em repeti-lo, em reinventá-lo. O equívoco reclama pelo reconhecimento de si como desvio. E, para reconhecer o desvio, basta atentar para as dores provocadas ao redor. Se o que você fez abriu feridas, é porque foi um erro. Tudo bem. Aceite que você se precipitou. Peça desculpas sinceras aos ofendidos e parta em conserto ao que se danificou. Nada fará você “deserrar”, porém, fica a valiosa lição para que não se renove o ciclo vicioso. Quando alguém se excede e outra pessoa se machuca, essa pessoa magoada tende a descontar em quem está próximo e isso gera uma ampla corrente de calamidades e de sofrimento. Para não expandir a tragédia, é preciso que alguém aprenda e se torne maior do que o mal absorvido. E isso só é possível com aprendizado e com coração aberto. Portanto, não se escravize pelo erro cometido, supere-o, use-o como degrau para seu crescimento mental e humano. Humanos erram, mas humanos também aprendem e crescem através disso. Humanize-se.

Nossa coragem



Nada acontece por acaso. O que parece trágico e, até mesmo nos deixa mais fracos, tem sua razão de ser e existir. Cada empecilho, cada perigo, cada desvio: tudo isso nada mais é do que um aviso. Aviso de que devemos ser fortes e resistentes; resilientes e consistentes. Nossa coragem só advém quando o descaminho nos espreita, quando o mau agouro nos visita. É assim que se vive, por enfrentamento, por combate, por vendeta. Não estamos à deriva em mar aberto. Nosso destino não é aleatório ou randômico. O resultado da equação biográfica que nos sustenta é diretamente proporcional à postura adotada. Quem luta, resiste; quem desiste, enluta. Por isso, podemos dizer que o descanso não faz parte do direito existencial. Nossa evolução, nossos antepassados, nossas marcas no tempo, tudo provém de propugnação, de revolução, de ação contra as intempéries ambientais. Se ainda estamos de pé, é porque nos esforçamos para assim estar. A mensagem final é essa: seja sua fortaleza, seja seu próprio escudo. A sobrevivência jamais foi apenas por adaptação e sim também por negação ao fracasso. Insista, persista e invista. Estar aqui lendo esse texto já faz de você o vencedor que todos esperam. Apenas siga e diga a si mesmo que todas as batalhas dessa vida são batalhas vencidas porque você assim decretou.

quinta-feira, 15 de março de 2018

As estrelas brilham por você



Hoje é seu dia. O céu e as estrelas brilham por você. Mais uma primavera se completa, mais um ciclo se fecha. Olhar para trás, nesse momento, pode ser tão desafiador quanto mirar o futuro e seus incrustados enigmas. Mas essa não é hora de ter medo. Essa é a hora da esperança, da realização do que se leva na mente e no coração. Talvez seja hora também de se orgulhar um pouco, de se lembrar de quantas barreiras foram superadas, de quantas frustrações foram enterradas.

Hoje você se vê renovada, restaurando-se de toda aquela esteira de decepção e desgosto que ainda lhe roubam pensamentos.E isso não está certo. Seus pensamentos, de agora em diante, pertencem às suas novas motivações e inspirações. Existem projetos a serem criados e pessoas que precisam de seus abraços e de suas ternuras. Não se furte de estar presente. A presença, em tantos momentos, é o melhor presente que podemos oferecer a quem nos ama. Assim, não tenha receio e muito menos insegurança. Você reconstruiu o caminho e abriu novas alas; então, desfile, se permita, curta o que lhe é possível e viável.

E nunca se esqueça de quem você é. Sua mais radiante beleza se encontra perante o espelho da alma. Ali, se reflete, por que não, a mais bela das criaturas, a mais poética esfinge. Que nada desse mundo lhe tome sua convicção e seus passos firmes. Agora que você se lançou na estrada, não se permita regredir, não se permita duvidar. O seu sonho real é aquele que você se põe a edificar. E isso está acontecendo: agora, hoje, amanhã e sempre. Esse, de fato, é o único brinde de que você precisa. Aproveite-o, desta maneira, com sabedoria e equilíbrio.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Meu amigo, Sinésio











Meu amigo, você partiu cedo
Deixando em nós uma lacuna de saudade
Deixando em nós um completo sentimento de vazio
Mas, ainda assim, bem sabemos
Sua missão por aqui foi cumprida com honra e glória
Você deixou a todos um legado de luta e história
Como professor, muito ajudou na formação de tantos
Como idealista, jamais escondeu as cores de suas convicções
Como botafoguense, enalteceu nossa sagrada Estrela Solitária
Mas a solidão não lhe é destino, saiba bem disso
De onde está, em sua nova residência, esteja certo
De que sua família espiritual já está aí lhe cuidando
Já preparando para quando você, enfim, acordar
E nós aqui também sempre estaremos em preces
Para que você siga forte e firme
Sua caminhada espiritual e existencial
Caminhada, aliás, longa, dura e necessária
Para você e para todos nós
Tenha bem claro também que isso não é um adeus
Como seres perenes que somos, lhe digo
A palavra que cabe aqui é um até logo
Porque o reencontro de todos nós, amigo
É tão certo quanto é certo o Amor de Deus por cada um de nós
Mais uma vez, obrigado por compartilhar conosco
Alguns momentos de sua existência tão gentil e doce
Por isso, lhe somos gratos e muito nos orgulhamos



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O segredo


Ah, o Amor. Esse indecifrável ser, essa endiabrada criatura que nos toma pelos pés, pelos beijos e pelos abraços. Esse estranho no ninho sempre a nos empurrar para o descaminho, para o colo que jamais deveria ser hospedeiro de mais puro e abstrato sentimento. O Amor, esse louco inveterado a quebrar as vidraças e atravessar as paredes da nossa indiferença. Como quem não quer nada, lá está Ele, do alto nosso miocárdio, direcionando nosso ajuste emocional. Aí se explica a razão de tanta irracionalidade. Por que ele? Justo essa menina? Não pode ser. Mas é. (In)felizmente o Amor não se explica e não é explicável. Ele faz aquilo que quer e pronto, sem mais conversa. Por isso, a melhor forma de lidar com Ele não é enfrentá-lo, mas sim aceitá-lo. Um pouco de ingenuidade disfarçada não faz mal. Deixar o Amor comandar como se não houvesse resistência é a melhor forma de distraí-lo antes do bote derradeiro. O Amor não sabe disso (e espero que Ele não me leia), mas é possível fazer o jogo dEle, é possível ser a criança mimada dessa brincadeira de cartas marcadas. O segredo? Basta jogar, se jogar de cabeça e lembrar que não existem regras que não podem ser burladas. O Amor pode tudo, mas nós também podemos. Para tal, basta entrarmos em campo desarmados daqueles nossos preconceitos de sempre. A fórmula mágica para vencer o Amor é essa: amar de verdade e nos entregar sem medo às surpresas que nossas vidinhas nos reservam. E então, vamos tentar ou ficar esperando a próxima tirania desse irresponsável de asas?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Apocalipse


A sensação é de que houve um apocalipse. Só vejo ruas destruídas, prédios desmoronados e corações despedaçados. Como quem não entende onde se meteu, me pego com as mãos ensanguentadas e com a poeira cobrindo meu rosto. São os sinais de culpa, de autoria criminal. Mesmo sem compreender, fiz parte de todo esse processo destrutivo, de toda essa corrupção emocional. Fui inconsequente, deixei o arroubo de um momento transformar toda minha obra em ruínas existenciais. Tudo por que lutei exterminado por meus próprios dedos, como se eu fosse um louco que rasga dinheiro e quebra cristais. No reflexo de um espelho, só vejo vergonha e vazio, sentimentos esses que nem de longe me acompanhavam em outras eras do meu passado. Talvez eu seja apenas o esboço, o rascunho mal feito de algo de que tanto me orgulhava. Agora, me sobram os restos e as raspas, os pedaços desmembrados daquilo que foi outrora tão límpido e invejável. As lágrimas não mais adiantam, o arrependimento não mais comove. Apenas revelam a tristeza por trás de quem escolheu a autossabotagem como destino de seus próprios desatinos. É a hora de se levantar e de começar a reconstrução, isso não sem antes colher as lições da amargura e os aprendizados do descaminho. O recomeço vem do reconhecimento do erro, do reexame de tudo que foi sacrificado. Não é possível marchar para frente sem observar a rastro de enxofre que ficou no horizonte. Para acertar, é preciso antes parar de errar. Tão fácil na teoria e tão dificultoso na prática do dia real. Mas que assim seja então: um acerto por turno, um infortúnio que não se completa. É desse modo, peça por peça, que grandes feitos são erigidos. Vamos, então, começar e não mais tardar. A vida segue, seja como pesadelo recordado, seja como jornada de trabalho aproveitado. A escolha é de cada um.