Que hoje
seja o primeiro dia de mudanças e de revoluções. Tudo pode mudar: mudar agora,
mudar de verdade. Não precisa marcar no calendário. É só chegar e fazer
acontecer. A vida é assim, quando se calcula demais o ato, a matemática do fato
já se foi. Então, não protele, não se boicote, apenas faça e se realize. A vida
é transformada mais por quem faz do que por quem só sonha. Se há sonho, há
também o meio de realizá-lo. Que seu escritório seja a melhor das camas e que
você não precise fechar os olhos, para, enfim, enxergar o que tanto busca.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Número primo
Quer
me ver? Chega mais. Quer me ter? É só pegar. Mas não quer? Então caia fora. Não
tenho tempo a perder com quem não me valoriza. Amor próprio eu tenho de sobra.
Mas só não tenho para gastar com quem só quer fazer hora. Então é assim mesmo, pode
ir embora se você não conhece a mágica da soma. Aliás, se for para fazer contas,
não se esqueça: eu não sou mais uma nessas suas equações fajutas. Ou eu sou seu
número primo ou que você se divida com essas tantas frações que se acham
potências.
Recompensa
A força bruta da busca costuma machucar o perseguidor. E aí pergunto: Quem dele
cuidará? Talvez a resposta não seja clara. É preciso muito cuidado com a luta
obstinada, com a guerra declarada. Às vezes, damos tudo de nós por algo ou
alguém. E, quando conseguimos, o costume é relaxar, dar uma pausa. O perigo
está aí, no descanso descuidado, na fragilidade desavisada. Nesse momento é que
nos tornamos presas de tiranias, algumas nossas, outras tantas alheias. Não se
diz, por isso, que a busca deve ser cancelada. Pelo contrário, ela precisa
existir, ela precisa ser construída. Mas tudo no seu tempo e com a devida
previdência. Um passo de cada vez para não sofrer nenhum estiramento. Um
respiro após cada investida, essa é a receita para seguir à frente sem ceder
aos perigos. Então vamos, mas com calma e repouso. Recarregar as energias é tão
importante quanto a coragem para se lançar aos desafios. Não esqueça, toda
batalha vencida merece uma portentosa recompensa.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Via marginal
Obscuro desencanto
Quem você deseja ser, quem você deseja ferir?
Assim como quem nada busca, você seduz e desvirtua
Você reproduz loucos devaneios enquanto se perde do roteiro
Quem a anseia, escravo se torna de um sentimento profano
Quem a ambiciona, cativo se torna de um pensamento assanho
Eu nunca quis me juntar a isso, eu nunca quis pertencer a você
Mas sofro de amor à indiferença, de apetite ao que me desavença
E dessa forma você me enclausurou nesse calabouço estranho
Perdido entre calculismos que não mais entendo
Queria você tão distante quanto você está agora
O problema é essa imaginação que lhe busca onde quer que seja
Essa bússola maldita, esse GPS em perfeito funcionamento
Mas acredito ainda ser possível me livrar de tudo isso
Basta ser dito aquilo que ainda foi, aquilo que traz aflito
Você não é nada demais, você não tem nada de especial
Não é mais bonita das mulheres, nem a mais artística
Ainda menos a mais inteligente ou mais fervorosa
Tudo em você é comum ou trivial
É facilmente encontrado em qualquer outra
Em qualquer amor furtivo em noite de carnaval
Então agora está escrito, fodido e assinado
Não tem mais volta, não tem mais acostamento
Nessa estrada de merda, nessa via marginal
É tudo mão única, guiando todos a lugar algum
E nela me perco porque longe de você
É o melhor lugar para me reencontrar
Louco recomeço
Novos limites
e novos cenários
Sempre incisivos,
sempre necessários
Circular o
próprio mundo e expor as fronteiras
Expor não;
agora é preciso transpor, transbordar
Fazer das
Minas secas algo que se tem de mar
E assim
refazer aquilo que a geografia se negou
Ir além é um
risco e também um presente
Quem não se
desafia se torna transparente
Mas daquela
transparência invisível
Sem graça,
sem gosto, algo do tipo incólume
É mesmo
preciso fazer tudo para ser tangível?
Sim, é preciso
seguir a trilha incandescente
Que só se
torna possível após o fósforo riscado
Quer mesmo
deixar sua marca, seu legado?
Então saia do
lugar, saia de si mesmo
Pelo menos
experimente, por um momento
Ser algo
diferente, sem as mesmas roupas
Sem o mesmo
sorriso ou as mesmas dores
Experimente e
se aumente
Nada se
perderá, só se tem a ganhar
Então vá lá,
diga adeus ao medo
Diga até logo
ao apego
E faça de si
essa nova busca
Esse insano e
louco recomeço
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Margem do invisível
Somos artistas, somos
poetas, somos déspotas de nossas próprias tiranias. Com letras e cores, com
números e formas, com nudezas conservadoras, vamos abrindo portas e deixando
marcas. Respiramos pelos poros da sensibilidade e da provocação pueril. Tudo
nos fere, mas também tudo nos transforma. Somos filhos de horizontes expandidos
e de sítios descortinados. Tudo que nos dizem, escutamos de outra forma; tudo
que contamos, é escutado como aurora. Somos catalisadores do sintetismo, somos
criadores do anarquismo. Somos profetas do infinito e negadores do apocalipse.
Nada do que vemos faz sentido, tudo que enxergamos é ambíguo. Viver de arte e
viver a arte dá nisso. Metamorfoseia aquilo que julgávamos ser e nos põe em condição
de novo ser. Um ser tão louco e imprevisível quanto aquilo que condenávamos
quando ainda éramos linhas de uma margem do invisível.
Humanize-se
Não é uma bobagem ou
um caminhão delas que definirá quem você é. O erro é irreversível, mas a
reparação não torna a busca pela compensação menos válida. Se você vacilou,
tudo bem; sem problema. Isso só prova que você é um ser humano como qualquer um
de nós. Somos assim mesmo, feitos de carbono, revestidos de moléculas e
sustentados por ossos. Não ter razão é o risco diário que se corre apenas pelo
simples direito de respirar. A questão não é o erro tão somente. Mas a
insistência em repeti-lo, em reinventá-lo. O equívoco reclama pelo
reconhecimento de si como desvio. E, para reconhecer o desvio, basta atentar
para as dores provocadas ao redor. Se o que você fez abriu feridas, é porque
foi um erro. Tudo bem. Aceite que você se precipitou. Peça desculpas sinceras
aos ofendidos e parta em conserto ao que se danificou. Nada fará você “deserrar”,
porém, fica a valiosa lição para que não se renove o ciclo vicioso. Quando
alguém se excede e outra pessoa se machuca, essa pessoa magoada tende a descontar
em quem está próximo e isso gera uma ampla corrente de calamidades e de
sofrimento. Para não expandir a tragédia, é preciso que alguém aprenda e se
torne maior do que o mal absorvido. E isso só é possível com aprendizado e com
coração aberto. Portanto, não se escravize pelo erro cometido, supere-o, use-o
como degrau para seu crescimento mental e humano. Humanos erram, mas humanos
também aprendem e crescem através disso. Humanize-se.
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