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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Como se fosse fim


Minha paz é você, seu sorriso
Entre tantas belezas, meu colírio
Uma criação linda e divina
Que tenha para chamar de minha
Posso ser ambicioso por querer você
Mas qual homem também não quereria?
Qual homem seria capaz de lhe largar a mercê?
Se eu não fizesse algo, eu não mereceria
Ter seus olhos juntos aos meus
E sua respiração me encarando, como se fosse um adeus
Se fosse para ser mais um, mais uma noite esquecida
Eu asseguro que não mais me importaria
Mas me importo porque você é luz para quem está de guarida
Você é sossego para quem de amor, para quem vê desespero
Eu tenho a serenidade de olhar e sentir você em mim
E a certeza de que entre todas as coisas do mundo inteiro
Você é aquela que me traduz melhor, como se fosse um fim 

Alento



Às vezes, quando o pensamento soma,
O ato se assombra e deixa de existir
Por isso, pense bem, mas não tanto
O quanto se pensa não se sustenta
Na necessidade do mundo real
Seja racional, mas também seja ágil
Afinal de contas, você é mesmo humano?
Ou só mais um entre tantos?
Você é mesmo feito de carbono?
Ou só mesmo mais um mero engano?
A resposta será seu juízo final
Porque das ações nascem o imperal
Daquilo que vivemos e sofremos
E sofremos porque ou agimos rápido
Quase um baleio desavisado, a esmo
Ou retardamos tanto e por tanto tempo
O que nos deriva à felicidade de um alento

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Indigna nação


O descaso acabou com a História
Não foi o fogo quem destruiu o museu
Mas sim a incompetência e a desonra
De quem golpeou o país em troca de nada
Agora só resta lamentar, soluçar
Por tudo que se foi, por tudo que ficou para trás
Como respeitar um país que não respeita a si mesmo?
Como respeitar o juízo tão penoso com alguns?
E tão leviano com outros, entre eles misóginos e bandidos assumidos?
O museu destruído, devastado, reduzido a pó
Nada mais é do que uma triste e irônica metáfora
Dos tempos que vivemos hoje, do país que habitamos
Onde regras valem só para um lado
Onde o ódio e a intransigência
Tomam conta das instituições e das agências
E eles, com os rostos impávidos e lívidos,
Ainda acreditam mesmo que não tem nada com isso
Que é só uma mera e singela coincidência
Um país que se vende aos interesses de poucos
Sempre acaba assim, desse jeito
Com sua história entre escombros e cinzas
Com trajetória rompida por bastardos inglórios
É para revoltar a qualquer um, é indignação
Ter de aturar essa gente no comando
Nos transformando em indigna nação.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Coração realizado



Traga para mim sua doçura
Nossos lábios se esbarram no infinito
Nossos corpos se enlaçam, como se fosse uma dança
Dança que você domina como poucas
Seus movimentos, seus timbres, seus toques
Me fazem tremer e me fazem gemer
Um gemido, assim, diferente, repentino
Como se eu sofresse, como se tomasse um tiro
Apesar dos decibéis, nada sofro, nenhum arranhão
Apenas você se balança, se contorce
E me traz para fora do meu corpo, novo alcance
Em delírios, flutuo por um novo existir
Assim se resume o todo que trocamos
Naquele quase escuro, naquela noite de terça
Fomos amantes perfeitos,
Fomos sinceros e traiçoeiros
O produto desse processo fálico
Nada poderia ser que não
De um, aquele sorriso discreto
E do outro o coração realizado

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Melhor das camas



Que hoje seja o primeiro dia de mudanças e de revoluções. Tudo pode mudar: mudar agora, mudar de verdade. Não precisa marcar no calendário. É só chegar e fazer acontecer. A vida é assim, quando se calcula demais o ato, a matemática do fato já se foi. Então, não protele, não se boicote, apenas faça e se realize. A vida é transformada mais por quem faz do que por quem só sonha. Se há sonho, há também o meio de realizá-lo. Que seu escritório seja a melhor das camas e que você não precise fechar os olhos, para, enfim, enxergar o que tanto busca.

Número primo



Quer me ver? Chega mais. Quer me ter? É só pegar. Mas não quer? Então caia fora. Não tenho tempo a perder com quem não me valoriza. Amor próprio eu tenho de sobra. Mas só não tenho para gastar com quem só quer fazer hora. Então é assim mesmo, pode ir embora se você não conhece a mágica da soma. Aliás, se for para fazer contas, não se esqueça: eu não sou mais uma nessas suas equações fajutas. Ou eu sou seu número primo ou que você se divida com essas tantas frações que se acham potências.

Recompensa



força bruta da busca costuma machucar o perseguidor. E aí pergunto: Quem dele cuidará? Talvez a resposta não seja clara. É preciso muito cuidado com a luta obstinada, com a guerra declarada. Às vezes, damos tudo de nós por algo ou alguém. E, quando conseguimos, o costume é relaxar, dar uma pausa. O perigo está aí, no descanso descuidado, na fragilidade desavisada. Nesse momento é que nos tornamos presas de tiranias, algumas nossas, outras tantas alheias. Não se diz, por isso, que a busca deve ser cancelada. Pelo contrário, ela precisa existir, ela precisa ser construída. Mas tudo no seu tempo e com a devida previdência. Um passo de cada vez para não sofrer nenhum estiramento. Um respiro após cada investida, essa é a receita para seguir à frente sem ceder aos perigos. Então vamos, mas com calma e repouso. Recarregar as energias é tão importante quanto a coragem para se lançar aos desafios. Não esqueça, toda batalha vencida merece uma portentosa recompensa.