Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
Total de visualizações de página
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Vem comigo
Bora, levanta, sacode a poeira e joga a tristeza ao vento. Bora recomeçar, fazer de novo, fazer melhor. Na vida, não tem game over; na vida, o que tem é o dia seguinte e a oportunidade de se reinventar. Então é assim: diga sim ao que vem ao seu encontro, ao que lhe procura rezando por uma chance. Aquele tempo perdido que foi investido onde não teve nada é só uma lição que deve ficar escrita em letras garrafais em algum diário vazio. Agora não dá mais é para chorar pitangas enquanto o trem passa sem ninguém embarcar. Meu bem, deixa disso; desapega e sossega esse coração aflito. Nada mais é do que já foi. Ninguém é maior do que o próprio reflexo no espelho. Então, não esquenta; relaxa e deixa a banda passar. Tudo vem por um motivo e também se vai por algum outro motivo. Tudo certo, sem problema. O que não pode acontecer é aquele desânimo que pensa que é cunhado e, em vez de ficar dois dias, acaba completando um semestre de permanência indesejada. Não deixa isso acontecer, desaloja esse folgado e volta a viver os seus melhores dias. Eu nunca disse que seria fácil, eu disse sim que sempre foi possível. E ainda é. Mas não vai acontecer com você se acomodando e buscando outros culpados. Deixa de frescura e arregaça as mangas. Chegou a hora de transformar os limões azedos em caipirinha. Você coloca sua doçura e eu a minha loucura. Quando tudo estiver junto e misturado, aí basta servir e ganhar uns trocados. Bora, então ser feliz? Eu chego comigo e você vem sozinha. Juntando nossas companhias, somos uma multidão de alegria. Eu disse, você lembra? Não basta muito para se realizar. Um sorriso, alguns abraços e taí: o mundo voltou a ser colorido e repleto de delícias. Então, partiu ser feliz? Não? Vem comigo, no caminho eu explico, não sem o risco de alguns beijos roubados e o vestido amarrotado.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Quanto vale a vida?
Rapaz talentoso. Com a bola nos pés, tudo se tornava mágico e
óbvio. Os passes precisos e os gols não tão numerosos, mas decisivos; o
catapultaram à condição de camisa 10 dos sonhos de qualquer time. A crise
financeira e moral que assolou o seu clube à época, o Botafogo, permitiu que
rompesse o contrato. Se em General Severiano o salário já era vultuoso, a
assinatura de contrato com o São Paulo lhe materializou a fortuna. Com o
estrelado, também vieram as brasas da vaidade, consumindo sua carreira e sua
imagem. Jogar em um clube tricampeão da Libertadores e do Mundo arrancou sua
condição de anônimo. O rapaz agora é atleta de primeira grandeza, pé de obra do
escudo mais poderoso do futebol brasileiro. Assim, o assédio explodiu como
pólvora ao fogo. As garotas, antes reticentes, agora se tornaram acessíveis. Os
amigos, tão sumidos nos tempos menos generosos, se multiplicaram. Tudo parecia
roteiro de um filme com final feliz. Mas veio a lesão no joelho, a incômoda
fraqueza que o acompanharia até fim dos dias. O joelho ferido foi como um
choque de realidade. As oportunidades no time principal do São Paulo
encolheram, até sumirem de vez. Para ser aproveitado, foi testado em outros
clubes. O jovem envergou as camisas da Ponte Preta, do Coritiba e do São Bento.
Nessas paragens, não brilhou intensamente, como o fizera com a camisa gloriosa
da Estrela Solitária. Mas, badalado, conheceu muitas pessoas, participou de
muitas festas e se tornou alvo de muitos interesses. Na capital paranaense, em
especial, conheceu uma moça primaveril e bela. O magnetismo sexual foi intenso
e imediato. Passaram a se encontrar com frequência. As famílias foram envolvidas
e tudo parecia muito confortável. Quando a carreira lhe tirou do Sul do país, os
contatos foram mantidos. Algumas vezes se reencontravam, sempre com a mesma
chama e o mesmo ardor. Agora, no entanto, o rapaz já não é aquele menino tão
tímido de outra época. A fama e a fortuna o forjaram de autoconfiança. As
tantas garotas com quem dorme são expostas em grupos privados de rede sociais
como troféus. Ali, desafios e picardias sexuais são numerosos e recorrentes.
Sempre há um novo alvo para ser abatido e exibido. Enfim, esse jovem se
transforma em um garanhão, em um puro-sangue capaz de tantas proezas no campo
da sedução. Nos gramados, já não é tão proativo e seguro. E isso talvez tenha
sido a perdição desse promissor atleta. Focado não mais na carreira
futebolística, mas em uma vida sexual movimentada; recebe a chance de rever sua
querida moça do Sul. Era aniversário dela. Mas, provavelmente, dele seria o
maior dos presentes sob os lençóis. Na festa, tudo bem, tudo certo. Bebidas,
beijos, fotos, bajulação: o roteiro básico de quem já se afamou sob os
holofotes da bola. Quando a celebração parece encerrada, uma proposta de after
party. Parecia legal, por que não? E lá foi rapaz para uma casa bastante
requintada e afastada do espaço noturno original. Lá, mais bebidas, mais beijos
e mais tentações. A mãe da aniversariante, uma senhora de beleza interessante,
abandona os festejos para descansar. Nas redes sociais, o rapaz está se gabando
com os amigos e promete a eles que apresentará mais uma conquista sexual. De
fato, ele se reúne a ela sob lençóis. Mas em quais condições? Teria sido sexo,
abuso ou só mesmo uma mera brincadeira pueril de quem queria inflar o próprio
ego perante os amigos? Não dá para saber ao certo. As fotos postadas no grupo
não são conclusivas. As mensagens textualizadas pelo rapaz sim. Elas dão conta
de que, supostamente, ele teve momentos de sexo com a adormecida mulher. Sem qualquer sobreaviso, o quarto é subitamente
invadido. O jogador é dominado por pessoas sedentas de sangue e brutalmente
agredido. E ali, entre a chuva de punhos cerrados e solados furiosos, ele
vislumbra o começo da carreira, nas categorias de base do Cruzeiro e depois do
Botafogo. Ele relembra os gols, os títulos, as amizades e todo o desfiar de sua
carreira que parecia tão futurosa e destinada ao estrelato. Se pudesse imaginar
como seria o próprio fim, jamais preveria que seria daquele jeito: sendo
desfigurado por agressores irascíveis, em meio ao olhar assustado de cúmplices
acovardados, no esplendor da sua jovialidade. Não demora até que tudo se torne
turvo e opaco. A Divindade, do alto de sua misericórdia, arranca o jovem de seu
corpo mutilado, antes que ali lhe fossem produzidos os ferimentos mortais e
sádicos. Do lado de fora, ele consegue se ver já sem vida e completamente destruído. Bem diferente das fotos de jornais,
sites e revistas. Bem diferente do sorriso que lhe estampava a face quando em
companhia de familiares e entes queridos. Aliás, mesmo distante deles, consegue
captar cada angústia e cada dor, até que a verdade se revela e a todos choca.
Sem poder amparar aos que ama, o rapaz reflete. Terá mesmo valido a pena morrer
por tão pouco? Para onde estamos caminhando, se a tecnologia, em vez de
auxiliar, se transforma em instrumento de narcisismo e desinformação? Uma
carreira tão abençoada deveria mesmo ter conduzido àquilo? Será mesmo que as
mulheres supérfluas e os amigos de aparência foram a melhor escolha? Quantas
amizades genuínas e amores cristalinos se perderam por entre as sombras do
egocentrismo e da soberba? Quanto vale a vida? Tão pouco a ponto de seres
humanos subtraírem a vida de outro por ciúme e vingança? Uma vida é descartável
a ponto de ser destruída de forma tão psicótica e doentia por mera frivolidade?
Onde estavam aqueles que prometeram lhe acompanhar até o final? Onde estavam os
amigos que honrariam sua memória e sua história? As tantas reflexões foram interrompidas
quando mãos radiantes tocaram o ombro do rapaz. Ali sim estavam seus amigos de
verdade, aqueles que vieram lhe trazer consolação e reconstrução. Então, à luz
da sabedoria, o jovem entendeu que ali se formava uma nova chance de recomeçar,
que ali estavam não as trevas e o ostracismo, mas sim a esperança e o renascimento,
permitindo-lhe converter todos os descaminhos em acertos, todos os medos em convicções
para um novo ser e uma nova era.
Nota: Esse texto é uma reflexão e uma homenagem à memória do atleta de futebol Daniel Corrêa Freitas, brutalmente assassinado. Que sua trajetória nos sirva de lição e de ponderação sobre os tempos em que vivemos hoje, de muita intolerância e de desrespeito a valores basilares como amor, empatia, amizade e solidariedade.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Coragem
Coragem. Coragem
para permanecer na luta, coragem para aceitar a derrota. Coragem para resistir
e fazer oposição ao que for ofensivo e deletério. Coragem para seguir em
frente, de cabeça erguida, com a certeza de que se fez a mais consciente das
escolhas. Coragem para enfrentar desafios e, por vezes, pisar em espinhos.
Coragem para mudar o que for necessário e para conviver com que for
obrigatório. Coragem para buscar novos caminhos e para contornar os numerosos abismos.
Coragem para buscar os mesmos sonhos sem pessimismo ou revanche. Coragem para
ser tolerância sem jamais ser conivência. Coragem para não desistir e batalhar
pelos valores da democracia e da república. Coragem para ser a diferença onde a
igualdade sufoca. Coragem para não ser indiferente a desmandos, transgressões e
violências. Coragem para exercer a cidadania que o país tanto precisa em tempos
que podem ser de dura travessia ou de inesperada calmaria. Coragem hoje,
coragem em todos os dias. Coragem sempre.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
A próxima refeição
Não
faz diferença. Ou melhor, faz toda a diferença. Aqueles dois números mágicos
que você vai digitar no dia 28 de outubro serão cruciais para o futuro do país.
Realmente, não devemos pregar que se trata de uma escolha entre democracia e
ditadura, entre criação e destruição. O cenário que nos apresenta é mais de uma
escolha entre continuísmo e ruptura. Mas continuísmo de que? De acertos ou de
erros? Só mesmo uma pessoa com a visão sectária não reconhece que a gestão
interrompida pela trupe de Temer teve seus acertos e também seus tantos erros. É
deles que Haddad iniciará uma eventual gestão petista? A resposta está no
programa no candidato e no que por ele foi feito em seus tempos de Ministro da
Educação e Prefeito de São Paulo. Foram gestões que também balançaram, e muito,
entre correções e deslizes. Por isso, uma análise cuidadosa e com muito
critério se faz pertinente e muito bem-vinda.
Do
outro lado, temos uma candidatura que é bastante radical no seu discurso, e
ainda mais radical quando se vê ataques a minorias protagonizados por seus
partidários. Bolsonaro não é mesmo responsável direto pelo que seus eleitores
fazem, mas seria de bom-tom que dele viessem palavras de calmaria e de
serenidade. Não ajuda aos indecisos que adeptos de um lado esfaqueiem e
espanquem discordantes. Na verdade, isso explica muito o contexto. Esses
valentões de meia tigela, que só assim o são em maioria ou armados até os
dentes, não lutam por uma mudança de paradigma, entregando à sociedade um
governo aliado da boa gestão e da quebra com os elos corruptivos. Para eles, o
negócio é estancar a sangria da justiça social que o PT, verdade seja dita,
engendrou por questões muito mais eleitorais do que humanitárias. Ainda assim,
na gestão de Lula/Dilma muito se observou de avanços no que tange a direitos de
minorias e desfavorecidos.
Esse
progresso social e econômico das classes emergentes desagradou tanto às “elites”
que a colunista Danuza Leão traduziu em palavras o sentimento dessa turma, ao
dizer que não tinha mais graça ir a Nova Iorque porque lá haveria o risco de
encontrar o porteiro do próprio prédio. Pois bem, é muito positivo, em um país
eivado por desigualdades e indiferenças aos desprotegidos, que porteiros e demais
classes trabalhadoras possam frequentar aeroportos e desfrutar de roteiros
turísticos internacionais.
Eleitores
de Jair Bolsonaro têm todo o direito de enxergar nele a melhor das opções,
depois de analisar o programa e o discurso do candidato. Mas, por favor, não
votem no atual deputado para se vingar de minorias e de emergentes. Fazer isso
é como criar cobras para acabar com roedores. Agindo assim, realmente, não
teremos mais roedores, mas e quanto às cobras? Quem vai se livrar delas, quem
vai lidar com elas? Antes mesmo de se ensaiar a resposta, saiba que elas já
estarão, na primeira madrugada possível, enroscadas em seus pescoços, prontas
para a próxima refeição.
Assinar:
Postagens (Atom)






