Você chegou diferente. Olhos perfumados e cabelos
tingidos de rosa. Por dentro, eu ri e achei um tanto estranho. Mas você não
estranhou quando me vi por instinto te beijar. Talvez tenha sido o efeito da
pinta que sublinha sua boca, talvez tenha sido a vontade de ver se havia alguma
outra mudança além da cor dos seus fios. Nossos lábios se agarraram brutalmente.
Trocaram golpes de língua, como guerreiros espartanos em sangrenta batalha.
Você arrancou minha camisa, rasgou meu tecido e lambeu meus mamilos. Eu te
joguei sobre a mesa, destruí seu sutiã e me aventurei no seu busto. Depois,
escorreguei por meio de suas pernas e sequestrei seu clitóris. Você se retorceu
como uma serpente e com as mãos sacudiu meu caralho. Depois, me sugou e me engoliu
em um rompante orgástico. Eu não resisti. Fiz você subir e ondular sobre meu
corpo. Gritamos, uivamos, enlouquecemos. E quando nossos orgasmos coincidiram,
em uma explosão de porras condensadas, nos lembramos, por um momento, onde
estávamos. Era minha sala, minha mesa de trabalho. Dali em diante, nada mais
tinha sentido e tudo estava valendo. Transar com você era livre de todos os
perigos. Não importa que você fosse casada, não importa que eu fosse seu associado. Apenas gozávamos e nos permitíamos tudo aquilo que por muito tempo
nossos desejos tanto camuflaram. Agora não mais. A toda hora você vinha me
chupar, onde eu estivesse não importava. E vivemos essa relação errada,
grotesca e intensa até que nossa noção de sobreaviso retomou de onde nunca
deveria ter saído. E tudo voltou a ser como era antes. Ainda que, de tempos em tempos, nossos olhares se busquem em flagrante tesão mal resolvido.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Fantasma
Eu vejo um fantasma
por trás de uma estaca metálica. Eu vejo seu espectro flutuando sobre a paisagem.
Meu corpo se toma de pânico e pesadelo. Ele me encara agonicamente. Eu fico
aflito, começo a suar frio. Ele esboça um sorriso. Eu apenas paraliso. Ele
balança a cabeça e consigo perceber seus cabelos balançar. Um sentimento de
terror me rouba o fígado. Lágrimas meu rosto inundam. Luzes pulsam violentas
no horizonte. Ele apenas mexe os lábios de maneira sinistra e intransitiva. Para
depois descer a ladeira quando a manhã se avizinha. Junto a ele, uma horda de
zumbis também deixa o recinto. E eu fico em estado de êxtase e assombro. Sinto
que está tudo declinante, que corro perigo. Até que o segurança me alerta que a
boate está fechando e eu preciso me retirar.
Revelação
O que você achou? Dos
versos, dos terços, dos sorrisos, dos abraços... De tudo que te dei de coração
aberto e espírito livre? Será que você, mesmo por um segundo, se entregou ou ficou comigo só por vaidade? Será que houve alguma verdade em tudo que
vivemos? Fico com esse gosto amargo na boca, com essa sensação insossa de ter
vivido algo pela metade. Eu não sou assim, eu sou intensidade, sou natureza,
sou plenitude. Não quero ficar com essa ânsia, com essa angústia. Por isso,
deixo você ir. Deixo você se guiar. Que seus sonhos sejam mais profundos do que
essa xícara em que você nos mergulhou. Que seus textos sejam mais verdadeiros
do que suas atitudes. Enfim, que você seja para outro alguém uma pessoa melhor
do que foi para mim. Você merece ser mais do que tem sido e quem estiver com
você também merece isso. Apenas faça por onde e faça valer. Você é bem mais do
que esse esboço triste com quem convivi nos últimos meses. Tenho certeza de que
há uma pessoa acesa e pulsante por trás desse olhar frio e vazio. Apenas se
permita mais porque você tem muito mais a revelar do que a esconder.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Resto de nossas vidas
É hoje. Eu e você.
Juntos finalmente
Meu coração dispara,
acelera em linha reta
Minha respiração fica
intensa, sufocada
Mas você é leve e rara,
linda e inusitada
Suas mãos buscam as
minhas e tudo se acalma
Meus pensamentos são seus
prisioneiros
E minha fé tem em você
a sacerdotisa óbvia
Os dias vão ficando
doces e serenos
E as noites se tornam
chamas incendiárias
Quanto mais conheço,
mais falta conhecer
Quanto mais eu vejo,
mais eu quero rever
Você é o jogo que nunca
termina
O brilho que me ilumina
Com você, tudo é melhor
e mais nítido
Tudo é diferente e
produtivo
Sinto que é meu
destino, minha história
Estaremos juntos e será
uma vitória
Ter você comigo para
correr todos os riscos
Enquanto bebemos
cerveja e de nós mesmos rimos
Juntos enfrentaremos um
mundo de desafio
Mas não teremos medo de encontrar o vazio
Porque em você eu
encontrei as respostas
Para as perguntas que
nem mesmo existiam
E meu coração por você
já batia
Sem que eu me desse
conta de que esse dia chegaria
Nosso dia, nosso
encontro, o date para o resto de nossas vidas
Chegada
Enfim, chegamos. Mas a chegada
não representa o fim. Ela apenas marca o fim de um ciclo para que outro se inicie.
E todo (re)começo é pontuado por inseguranças e calafrios. Isso é normal, faz
parte de nossa humanidade. Só não podemos nos entregar ao medo e deixar de
seguir no caminho. Uma nova chegada nos espera, mas só é possível quando
respiramos fundo e vamos com tudo. Que esse novo ciclo seja o início de uma era
de prosperidade e bonança. Não há mal que não passe ou tristeza que se
eternize. Tudo passa e tudo recomeça. E assim podemos ter a chance de
transformar os erros em acertos ou de melhorar aquilo que já estava correto. O
importante é se oportunizar sempre, sem receio do porvir e sem largar a fé. O
caminho pode ser longo e desafiador, mas nunca estamos sozinhos. A vitória é
certa, só depende de continuarmos convictos e unidos. Até o fim.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Grito
Sufocante sinceridade
narcisista
Estampada nas fotos de um
vício
Na estradas das redes
antissociais e patológicas
Vamos vomitando vazio, vamos
desenhando discos
Que nunca serão escutados de
maneira ativa
Que nunca serão lembrados de
maneira reflexiva
Estamos flertando com o
caos, com o desnível
Mal percebendo que de post
em post
Estamos nos transformando em
aparência
Sendo seduzidos pelas lentes
e não pelo espírito
E assim, nessa vida de ócios
oscilantes
Desimportamos que uma hora
chega o grito
Seja em forma de depressão devastadora
Ou de um estouro que prediz
o advindo tiro
E as tragédias que se somam
e se sucedem
A poucos comovem e a
pouquíssimos interessam
E, no final, sobram só as
lágrimas temperadas
De quem pouco caso fez pelas
perdas
E agora pranteia por que
enfrenta a própria cruz
Sem o alívio imediato de uma
esperançosa luz
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
Pulsão
O gozo, a dor, a porra e o pó
Tudo junto e misturado
Somos terrível e quimicamente castrados
O fogo, a faca, a força e o fim
Tudo puro abstrato substrato
Para enganar quem percebe se iludir
Sinestesicamente: perdemos, encontramos
Damos, fodemos, sofremos, jorramos
E que toda pulsão caralhística
Seja mais por dínamo de tesão pecaminoso
Do que por culpa de moralismo reprimido
Não obedeça às regras do prazer definido
O prazer é o início e o fim do próprio vício
É autofágico e autofálico
É o pau que enraba o próprio cu
É o cu que goza como água
O filme só acaba quando a tela escurece
O jogo só se encerra quando o apito indica
E o sexo só termina quando o esquife se aproxima
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