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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Humanidade



Sorrir, sonhar, seguir em frente
Temos todo o tempo do mundo
Mas não temos tempo a perder
Perdido já foi esse ano
Com tantas dores, mortes e perdas
É preciso olhar além e ter coragem
Dobrar a margem e mudar de página
Não sabemos o dia de amanhã
Mas será melhor do que o de hoje
Porque hoje foi tragédia, terror e pânico
Passamos pelo mais terrível momento em anos
Que isso seja forma de aprendermos
Nada vale mais do que a vida
Somos todos iguais; nem melhores, nem piores
Então que daqui para frente nossa esperança
Tenha uma só cor, uma só tonalidade
A tonalidade que rima com humanidade


sexta-feira, 3 de julho de 2020

Solução



Poderei voltar, quando e se você quiser
E já quisemos, já pudemos, mas nunca reacontecemos
Sei lá porque não
Sei é que não rolou
E nem por isso estamos sofrendo
Estamos, sim; vivendo
Cada um em seu canto, cada um em seu momento
E se é assim que tem que ser
Que assim seja
Sinceramente, estou feliz
Por mim, por você, por nós todos
A vida não é um jogo em que só poucos ganham
Se formos sinceros e democráticos
Veremos que todos ganham, que todos podem ser o que são
Porque, do pouco que sei da vida, sei é que
Cada um aqui nasceu para ser
Não mais e não menos do que feliz
E se alguém aqui me contradiz
Então que se renasça e se repense
Estamos aqui para ser muito mais
Do que se pensou, do que se imaginou
Vida vai muito além da ferida, da avenida
Vida vai além da morte, além da certeza presumida
Vida é o que dela fazemos
O que dela aproveitamos
Então, vamos parar de reclamar e vamos fazer
Os que curam e seguem
Sempre são os que enxergam, antes do problema; a própria solução

THE ROAD SO FAR



Até aqui, a palavra que me cabe é orgulho. Não sou eu quem devo me consagrar, lógico. Mas, nesse momento de pandemia e de meia idade, reflexões são sempre bem-vindas. E a estrada até aqui é, pelo menos, justa. Estou em uma posição da qual não posso me queixar.  Tenho o emprego que fiz por merecer e nele me mantenho por muito trabalhar. Continuo consistente e firme nesse blog, mesmo não sendo remunerado e não tendo tantos leitores. Quanto à literatura, sigo escrevendo e sigo produzindo. Tenho meus livros e meus projetos. Que Deus me abençoe para que todos eles encontrem o devido escoadouro. Sei que há muito pela frente e nesse rumo seguirei, porque, como disse o Profeta, “...temos todo o tempo do mundo...”

Queda Mortal



...A segurança de não ser rejeitava jamais compensaria a frustração de estar diante do homem que ama sem poder expressar seus sentimentos. Não é possível ultrapassar sem o risco da manobra. Não é possível superar o desfiladeiro sem o risco da queda mortal...

(Nem) Foi Tempo Perdido..., página 42

quarta-feira, 24 de junho de 2020

O Egito é aqui



Uma palavra, um castelo de cartas. Um beijo roubado, uma vida assombrada. É tarde demais ou ainda é cedo. Não importa o tempo. A pandemia e o pandemônio nos tornaram acrônicos, cômicos e canônicos. Rimos da própria chaga e ela em retorno nos mata. Aos milhares por enquanto. Mas talvez chegue aos milhões. Melhor não subestimar o Mal, mesmo que ele esteja morando junto aos fantasmas do Palácio do Planalto Central. Pode ser que eles tenham feito algum acordo, algo tipo uma rachadinha de cômodos para abrigar a todos, inclusive os filhotes. E a nuvem de gafanhotos? Pois é, lá pelos lados de Israel, que inspiram tantos aqui nos trópicos, insetos atacando em massa sinalizam maldição divina. Um castigo pelo desrespeito e destemor ao Pai. Mas aqui é “Deus acima de todos”, certo? É mesmo? E qual Deus gostaria de abençoar uma pátria cujo presidente venera um psicopata e torturador? Qual Deus se orgulha de um patriota que chama de “gripezinha” uma doença que matou mais de 50 mil conterrâneos? Acho que essa é a hora de juntar o Brasil com o Egito. Não é que, no final, Beto Jamaica e Compadre Washington se tornaram profetas? O Egito é aqui, os gafanhotos vindouros não nos farão esquecer. E olha que depois deles, outras pragas virão, assim como foi nos tempos bíblicos. Mas de boa, porque a “verdade vos libertará”. Acredito que nos libertará, mesmo, é de quem nunca deveria ter chegado lá, afinal de contas.

Zen



Nada acontece além do fato
Nada desperta quando não mais se adormece
É vida que se joga como um game
É game que se joga como vida
Tudo ao contrário, de ponta-cabeça
Como um Revirão, um enfermo são
Enfim, são tempos de distanciamento
E de uma bruta redefinição
Os incompetentes agora lideram
Os doentes se tornaram doutores
E o País se perde e verte
Sangue pela calçada, coriza pelas esquinas
Mas tudo fica bem, suave
Quando o artista preferido faz mais uma live
Ou quando o futebol volta como se fosse tudo normal
Talvez seja, talvez esse seja o futuro
Futuro que poucos imaginaram
Em vez de carros flutuantes e robôs sofisticados
Temos caos generalizado, hospitais lotados
Ainda sim, vamos em frente, vamos adiante
Amanhã tem festinha clandestina
Churrasco e birita na piscina
E amanhã que se foda se aparecer
Mais um bando de infectado
Só encher de cloroquina o próprio rabo
E vai ficar tudo bem, tudo zen
Tudo como dantes no quartel de Abrantes

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Estar só


O que é estar só? No fundo, nunca estamos sós. Sempre há um além, uma transcendência a nos acompanhar. O viajante da noite fria no deserto traz consigo a companhia do céu iluminado, com estrelas bailando e cintilando no horizonte festivo do infinito. O monge isolado em seu recinto nunca está só quando ora a Deus por misericórdia pelos pecados humanos. Ali com ele estão presentes tantas almas e tantas energias, que o ambiente se faz tomado por multidões, ainda que invisíveis. No fim, nunca estamos só. Partimos como chegamos, sempre assistidos e acompanhados por tantos a esperar pelo choro de quem nasce como também pelo ressonar de quem renasce. O desfecho é só o recomeço e a restauração de um fio que segue sem rumo pelo mundo ilimitado que se projeta para além do olhar. Acostumem-se a perceber que estamos muito acima e muito abaixo do que possa imaginar nossa "vã filosofia".