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domingo, 27 de setembro de 2009

Luta e morte


Haverá esperança no amanhã quando a luz dos dias de hoje se apagar. A tocha desfalecida é o lume que guia nossos corações. Se não há esperança, não há mais nada. Se não há amanhã, hoje se resume a um abismo sem fim. Quando abrimos os olhos e estamos vivo, é porque o amanhã ainda não morreu. Só acaba a alvorada quando não podemos mais nos emocionar com a ida repentina dos que amamos, só acaba a vida quando não mais tememos a morte. Só acaba a luta quando nosso cadáver não pode ser mais carregado por quem nos ama. Só acaba quando desistimos, só acaba quando não há resistência. Luta até o fim, até o inferno irromper no horizonte. Que a espada jamais deixe de derramar o sangue e o fogo. O movimento não para, ainda que não acreditemos. Estamos juntos, de punhos cerrados e adagas cruzadas. O véu da escuridão nos aguarda e não vamos fugir.

sábado, 12 de setembro de 2009

Tudo pode piorar

 

Diz o ditado que tudo pode ficar pior do que está. Portanto, nada de reclamar da vida e blasfemar contra os deuses. Não há desastre que seja o fundo do poço, sempre existem alguns quilômetros abaixo do fundo, como se fosse uma espécie de pré-sal da catástrofe. Vejam, por exemplo, a Dilma. O câncer parecia ser a pior coisa que aconteceria, mas, então, surgiu a Lina.
Em verdade, meu assunto é o mundo da F1. Mais precisamente, a ética e a esportividade. Quando nos tempos de Ferrari, o Rubinho abria a porteira para o alemão subir no topo do pódio, ficávamos horrorizados. Quando Rubinho ajustava o carro para Schumacher voar pelos circuitos, sentíamos repulsa dos métodos maquiavélicos dos ferraristas.
Depois, veio a McLaren com sua espionagem. O Alonso, um santinho, contribuiu com as investigações, mas tudo pelo jogo limpo, tudo por puro espírito esportivo.
Agora, quando nada mais parece ser capaz de nos escandalizar, quando parece que já havíamos atingido o fundo do poço em relação à imoralidade e às condutas condenáveis, surgem a Renault e o caso envolvendo um suposto acidente proposital de Nelsinho Piquet para beneficiar o “Príncipe das Astúrias”.
Alonso, quem mais lucrou com o “acidente”, diz que não sabia de nada. Que bonitinho. Repetiu o Lula e sua ignorância em relação ao público e notório Mensalão.
 Já o Nelsinho, quem diria, mesmo tendo crescido junto a um tricampeão e em meios aos bólidos mais velozes do mundo, foi incapaz de entender o quanto participar de uma trapaça pode ser desastroso para si e para o seu sobrenome. Além disso, é de uma estupidez colossal tomar partido em uma atitude que, mal sucedida, poderia levá-lo à morte ou a um estado de invalidez irreversível.
O Briatore, um verdadeiro Hades da F1, não me surpreende. Vindo dele, espero as atitudes, as táticas e os ardis mais desonestos, mais hediondos, mais perniciosos. Nada importa para ele, a não ser as prostitutas, luxuosas e luxuriosas, e o dinheiro advindo de vitórias e títulos. Não são importantes custos e perdas, valores e comportamentos, o resultado, na miopia briatoriana, é o começo e o fim de tudo, é a esfera onde se esgota todo o processo dialético.
Claro que todo esse meu raciocínio é na hipótese dessa farsa ser mesmo verdadeira. Os fatos e os dados, por enquanto, não autorizam que se veja outro tipo de explicação para todo o ocorrido. Infelizmente, Nelsinho, Alonso e Briatore são farinha do mesmo saco, produtos estragados de uma mesma linha de fabricação.
Se confirmado tudo, Briatore e Nelsinho merecem ser banidos do esporte. Afastados das disputas e das pistas, onde não possam mais fazer mal ao esporte e a ninguém.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Por uma Argentina forte

 

Estou preocupado com a Argentina. O futebol sofrível apresentado pelos hermanos contra Brasil e Paraguai não deixa margem para discussões. É preciso renovar, mas não é uma renovação na comissão técnica. É uma renovação no elenco, nos critérios de convocação. Não dá para uma seleção com a envergadura da Argentina insistir com Heinze e Zanetti. Sebá, Verón e Mascherano também são casos a serem repensados.
É urgente olhar com uma nova perspectiva. Talvez seja hora de testar nomes como Zárate, da Lazio, Lisandro López, do Lyon, e Guiñazu, do Inter de Porto Alegre. É necessário também que os argentinos achem uma nova cara para a armação ofensiva. O time sofre a ausência de Riquelme e precisa de um novo nome. Se atravessasse boa fase, Dario Conca, do Fluminense, seria uma opção. Existem também futebolistas no Porto, de Portugal, que poderiam servir muito bem o time de Maradona. Na defesa, deveriam ser aproveitados elementos do Estudiantes, que faturou a Libertadores em cima do amarelado Cruzeiro. O único que vi hoje, em Asunción, além do Verón, foi Schiavi, no banco.
Minhas rugas de aflição com a Argentina não são antipatrióticas. Além de apreciar um bom futebol, coisa que os hermanos sabem fazer bem, me preocupo com a queda de qualidade desse esporte na América do Sul, processo iniciado com a decadência do Uruguai.
Caso os argentinos percam o peso que têm hoje no futebol mundial, o Brasil pode perder o seu grande referencial técnico. Somente nos jogos regionais contra a Argentina se revela o real nível do nosso selecionado. Nenhum outro time de futebol das Américas consegue servir de base, pois as outras equipes são fracas demais, quase infantis. Portanto, sendo fortes, Brasil e Argentina se ajudam mutuamente. Além de terem um adversário à altura, o que serve de parâmetro técnico, a rivalidade estimula ainda mais a amoladura de ambos.
Desse modo, uma Argentina forte é imprescindível para um Brasil vencedor. Que os hermanos sacudam a poeira, vençam seus próximos jogos e estejam na Copa de 2010. Lá, voltaremos a medir forças. Já estamos contando os dias para reencontrá-lo, El Pibe.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

E Deus inventou a TV

 

 Havia no mundo uma série de criaturas que, segundo as mais longevas profecias, deveria se dedicar às artes, à dramaturgia, à música, às representações. Porém, eram seres desprovidos da matéria-prima para tal: talento. Deus, ser benevolente e expoente máximo da misericórdia, decidiu que um eleito deveria, tal qual Noé com sua arca salvadora, construir um espaço para esses pobres seres chamarem de lar. O lar foi alcunhado de televisão (TV para os mais íntimos). Ali, naquele fórum democrático e includente, pessoas inexperientes, toscas, sem charme e carisma, puderam se ver e serem admiradas.
Os artistas sem obra agora passaram ter sua própria galeria, seu próprio ateliê. Os descamisados não são mais vagabundos, não são desocupados; agora eles são galãs da novela das 19h. Apresentadores espirituosos? Não mais. No formato atual, são rotundos e boquirrotos ou então narigudos e aloirados. Os anônimos de mentes vazias e corpos vitaminados são as estrelas das câmeras. São os referenciais da propaganda e do consumo. Os executivos não são mais os estudantes brilhantes, os líderes arrojados. São hoje os rostinhos bonitos de frente para o manager roboticamente performático.
Interpretar a si mesmo deixou de ser um defeito, é, em verdade, uma virtude indelével, um toque de naturalidade, de uma autenticidade inconfundível. A TV e seus agentes, a TV e seus produtos são agora a nova ordem, o novo paradigma. Não ser nunca esteve mais na moda. Ser nada nunca significou tanto. A TV inverteu valores e transformou conceitos. Abriu as portas para a internet se tornar a grande Meca da improdutividade.
Depois da TV, tudo mudou de lugar. A música é o barulho de outrora, o texto sem sentido agora é um roteiro genial. A notícia não importa tanto quanto o decote provocante da apresentadora. O pecado é a salvação, a luxúria, o ritual e a maça, o toque angelical.
Deus inventou a TV. Talvez por ter ficado tão entediado com a monotonia dos céus, resolveu dar uma sacudida aqui embaixo e mudar a decoração. Ele conseguiu. Mais nonsense é impossível.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Viva aos brasileiros



Hoje é Sete de Setembro. Viva à liberdade, viva aos que lutaram pela nobreza dessa pátria. Viva aos que enfrentaram espadas, tanques e exércitos. Viva aos que fizeram dessa terra sua “pátria amada e mãe gentil”. Viva aos que compuseram e aos que sabem entoar nosso hino. Viva a quem é brasileiro e bate no peito todos os dias, ainda que não seja Copa do Mundo nem Olimpíadas. Viva aos que beijam o solo e aos que beijam a bandeira. Viva aos que beijam os brasileiros. Viva ao azul, ao verde, ao amarelo, ao branco e ao futuro. Viva ao presente e aos que trabalham. Viva aos que mantêm a fé no Brasil, apesar do Sarney. Viva ao Brasil, viva a uma história cujo fim jamais existirá. Viva a todos nós, brasileiros e batalhadores, independentes e apaixonados.

domingo, 6 de setembro de 2009

Casas que choram

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Minha casa, minha vida. Meus deuses e meus orixás. Meus tabus e meus totens. Um movimento em ondas e curvas, uma física centrífuga e uma crença carnívora. Um elefante em meu prato e uma lança em meu coração. O esôfago sibilante e os neurônios em frenesi. Uma corrida de moluscos, uma nave sem escudos. Sentidos e centavos. Sorrisos encurvados. Minha direção é o satélite que gravita. Jornadas e Júpiter. Espinhos e dinossauros. Quero ser a pré-história de seu novo universo. A Europa e a América. A África e seus índios. Os negros da Oceania e a realidade de Atlântida. Quero horizontes e planos. Quero ser ingênuo em seus enganos. Sou a criança viajando na janela de ilusões. Um pulsar firme que nos torna multidões. Cozinha e costura. Mãos de mulher, trator e tesoura. Nesse ritmo, musical e gastronômico, carregamos as caixas de nosso destino. Mudança e morte. Mutação e massa. O norte de nossos desejos é o oeste de meu pesadelo. Bússola e bolha. Sua língua e minhas sementes. Minhas plantas e suas raízes. Caule e cabeça. Um novo ser, um novo desenho. O mapa-múndi do seu corpo e o cubismo de meus sentimentos. Um dedo e dado. Uma ferida e um quadrado. Quero voar pelo abismo, escalar as nuvens, mergulhar no penhasco e nadar nas labaredas. Sou um pouco de tudo, um grão de areia e o magma da Terra, uma gota de suor e uma molécula de desespero. Sou a vida transformadora e a passagem reveladora. Saltos quânticos e questões bubônicas. Dimensões e fulcros, peso e pilastra. Nossa casa, nossa vida. Saudade solitária. Amores refratários. Um fim de recomeço. Um adeus e seja bem-vinda.

Dialética


Nas desigualdades, é onde mostramos a indiferença. A chuva de meteoros é que prova a fragilidade de nossas telhas. As trevas do destino nos revelam como é dadivosa a força de um olhar. Os corações de vidro desmentem a fortaleza de um corpo robotizado. O masoquismo é o avesso do prazer e o sinônimo do orgasmo. Um abraço é a prévia da distância que separa os amigos. O beijo é o selo de um envelope anônimo. A busca é o caminho da resposta e o êxito da conquista é um convite ardiloso da inércia. O sol é a luz que cresta o impuro e o justo. A lua é órgão que excita amantes e homicidas. Seus braços são o conforto e a dor, meu ópio e horror.