Se você se revelasse,
eu teria coragem. O que bate por você em mim é muito forte, é um vendaval. Mas
tenho medo do seu não, de você rir de mim como quem ri de um bufão. Tenho medo
de falar de amor e você falar de amizade, como se eu fosse uma criança se
declarando a uma mulher. Tenho medo de você me ridicularizar, de contar para
suas amigas que eu queria algo com você, logo eu que sou sem graça, sem jeito e
sem noção. É tanto medo que tenho até medo de ser feliz. Imagina você dizer
sim, me beijar e me trazer junto ao peito? Sei que eu poderia infartar, morrer
de amor, morrer por conseguir o que tanto queria. Mas é pura bobagem, jamais
conseguiria. Você é bonita, descolada, gente boa e inteligente. Eu não sou nada
disso. Nem mesmo esforçado. Ficar deitado de noite, pensando em você, é o que
me resta. Resta também ficar ouvindo alguns caras dizerem que ficaram com você.
Sei que é mentira, conversa fiada. E se não fosse? O que eles teriam demais, o
que eles teriam que não há em mim? Coragem, músculos, jeitinho? Daria muito
para saber a resposta. Seria mais fácil se eu perguntasse a você, a fonte
direta e verdadeira. Mas aí me bate aquele medo, aquele friozinho na barriga.
Tudo bem, o não eu já tenho e o sim seria um milagre. E daí? Tanto faz, melhor
saber logo e sofrer de uma vez do que remoer os grãos da incerteza. E, para ter
certeza, não vou ligar nem chamar no Skype. Prefiro que seja na lata, cara a
cara. Depois de lavar o rosto dez vezes e banhar meu rosto outras cinquenta, lá
vou eu. No risco, na coragem, eu vou. Bato a campainha, peço para você descer.
Enquanto espero, me bate um pânico, quase faço xixi ali mesmo, no hall do
prédio. Você aparece, minha garganta seca, minha língua se enrola em um nó. É
agora, só depende de mim, vamos lá, olho no olho, vamos ver no que dá...
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Predadora
Tem um cara parado
ali, no canto, à espreita. Ele sorri e lhe acena com a cabeça. Seu sorriso é
lindo, um rosto másculo, mas com malícia de moleque. Você se rende e deixa que
ele lhe pague um drinque. Talvez até dois. A conversa rende, ele é inteligente,
interessante, viajado. Tem respostas para todas as suas perguntas e faz
perguntas que você sempre quis responder. O rosto dele se aproxima do seu e ele
lhe beija no canto dos lábios. Você estremece, sente uma corrente elétrica lhe
atravessar as vértebras. Ele sorri novamente, a barba por fazer lhe deixa ainda
mais intrigada. Ele segura suas mãos, faz você se sentir protegida, acolhida.
Ouve seus desabafos sobre um dia difícil, estimula você a se abrir. Logo, ele
já sabe muito de você, talvez mais do que deveria. Você não se importa, ele é
legal, parece muito confiável. Não demora e, quase como em um encanto, você
está no apartamento dele. Não lhe incomoda o fato de ser um imóvel vazio, sem
plantas ou objetos de decoração. Não há fotos nem livros. Só pouca mobília e
alguns eletrodomésticos. Ele diz ser divorciado, pai de três gatinhos. Você
acha adorável o jeito como ele diz o nome dos bichos, com aquele carinho de
quem ama e cuida. Ele lhe beija e você se entrega. Logo, suas roupas estão
espalhadas pelo piso, enquanto seu corpo adormece ao lado do dele. No dia
seguinte, você acorda sozinha. As roupas dele se foram como em um toque de
mágica. Mas, logo, a silhueta dele cruza a porta da sala. Ele chega com pães
frescos e suco natural. Vocês tomam café, trocam algumas palavras e os números
de telefone. Ele sorri e salva o contato no smartphone. Mal ele sabe que já
está apaixonado, mal ele sabe que vai lhe ligar tantas vezes em vão, mal ele sabe
que você não era a presa frágil de uma noite de sorte, mas sim a predadora
cruel que acabara de lhe arrancar o coração com a ponta das unhas.
Mágica
Tudo tem paz e um
pouco de carência. O amor e as relações são feitas de atritos e aderências.
Cada passo tem que ser calmo e ritmado. A velocidade certa é aquela que seu
pulmão suporta. Não pressione, não tente fazer a outra pessoa se encaixar em
seu perfil. Apenas deixe que ela participe de sua vida como ela é. Se for quem
deve ser, ela permanecerá; se não for, ela encontrará um novo caminho. Não
corra desesperado, em busca de metas, de números. Corra atrás do que te
encanta, do que te tira da cama todas as manhãs. Permita-se observar os
cenários, os contextos, as peças, as roupas e as paisagens. Tenha certeza, mas
não tenha fé cega. Acredite naquilo que seu coração lhe apontar e não no que
lhe é imposto. Saiba escutar, dar um abraço, confortar a quem sofre. Permita-se
o consolo de alguém quando a dificuldade for maior do que sua vontade. Não
tenha vergonha de ser frágil, mas também não esbanje fortaleza, saiba dosar o
que você é com o que você está sendo. A vida exige de nós equilíbrio e
harmonia, amor verdadeiro e boa companhia. Não acelere o seu encontro com a
plenitude. Tesouro nenhum aparece para aventureiro desajustado. É preciso ir de
leve, inspirar e expirar, tocar e interagir; de grão em grão, de passo em
passo, as respostas desabrocham e a aurora reluz. A vida é mágica, então,
aproveite cada momento, cada pedaço, a felicidade nada mais é do que a junção
de todas as partes que você reuniu enquanto caminhava por entre os dias e as
noites.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Limite da virada
Não tente,
consiga. Não desista, invista. Chore, mas se levante e siga na luta. A vida é
assim, a gente sangra, mas cicatriza e aprende. A vida é assim, a gente apanha,
mas também aprende como e em quem bater. Então, seja o que você sente, desafie
seus próprios labirintos, decifre a si mesmo. Entender sua busca é a chave para
saber por onde andar. Você só começa se tiver que terminar. Não há meia vida,
meio caminho; longos ou curtos, vida e caminho são sempre cheios, por inteiro.
Não tente tomar a parte pelo todo, a fôrma pelo conteúdo, isso é um perigo, um
desatino. Para vencer, faça tudo, leia as entrelinhas e os rodapés, corra até o
último centímetro. No final, no limite da virada, os pequenos serão os
gigantes, a vontade será a vitória e as migalhas se tornarão o requintado
banquete.
Arco-íris
Menina, quase
criança, mas cheia de confiança. Desfila sabendo que meus olhos a vigiam e que
meus desejos a ambicionam. Menina, um feitiço, um sorriso, um desafio. Tudo em
você me fascina, me salta à imaginação. Comigo você brinca sem medo, de mim
você faz um objeto sem remorso. Eu não devia seguir essa linha, mas você me
puxa pelas pontas dos dedos, me traz pelas unhas e cabelos. Com você nem
disfarço mais o que sinto. O problema é saber como me sinto, talvez mal por ser
você assim tão desigual, mas bem porque você é arco-íris em forma de gente.
Menina, vem ser minha, vem ser mais. O esforço da entrega é o que nos satisfaz.
Despertar
Despertar o sentimento é
abrir a porta pelo lado de dentro. É gargalhar sem piadas, é gostar sem motivo,
é sentir-se em casa, em abrigo. É ter um amigo, mas também um amante. É sorrir
por lembrar e ficar feliz de verdade. É simples, é lindo, é exercício de
autoconhecimento e de entrega a nossos melhores momentos.
Beijo seu
Um beijo e eu sinto
tudo, sinto que já estava escrito, que estou possuído, que esse caminho é sem
volta. Um beijo e você aparece tanto no coração quanto nos pensamentos. Um
beijo e tenho certeza de que somos só um, ao mesmo tempo em que somos tantos de
nós mesmos. Um beijo seu e a certeza é apenas uma: é você e sempre será só
você.
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