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quinta-feira, 15 de março de 2018

As estrelas brilham por você



Hoje é seu dia. O céu e as estrelas brilham por você. Mais uma primavera se completa, mais um ciclo se fecha. Olhar para trás, nesse momento, pode ser tão desafiador quanto mirar o futuro e seus incrustados enigmas. Mas essa não é hora de ter medo. Essa é a hora da esperança, da realização do que se leva na mente e no coração. Talvez seja hora também de se orgulhar um pouco, de se lembrar de quantas barreiras foram superadas, de quantas frustrações foram enterradas.

Hoje você se vê renovada, restaurando-se de toda aquela esteira de decepção e desgosto que ainda lhe roubam pensamentos.E isso não está certo. Seus pensamentos, de agora em diante, pertencem às suas novas motivações e inspirações. Existem projetos a serem criados e pessoas que precisam de seus abraços e de suas ternuras. Não se furte de estar presente. A presença, em tantos momentos, é o melhor presente que podemos oferecer a quem nos ama. Assim, não tenha receio e muito menos insegurança. Você reconstruiu o caminho e abriu novas alas; então, desfile, se permita, curta o que lhe é possível e viável.

E nunca se esqueça de quem você é. Sua mais radiante beleza se encontra perante o espelho da alma. Ali, se reflete, por que não, a mais bela das criaturas, a mais poética esfinge. Que nada desse mundo lhe tome sua convicção e seus passos firmes. Agora que você se lançou na estrada, não se permita regredir, não se permita duvidar. O seu sonho real é aquele que você se põe a edificar. E isso está acontecendo: agora, hoje, amanhã e sempre. Esse, de fato, é o único brinde de que você precisa. Aproveite-o, desta maneira, com sabedoria e equilíbrio.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Meu amigo, Sinésio











Meu amigo, você partiu cedo
Deixando em nós uma lacuna de saudade
Deixando em nós um completo sentimento de vazio
Mas, ainda assim, bem sabemos
Sua missão por aqui foi cumprida com honra e glória
Você deixou a todos um legado de luta e história
Como professor, muito ajudou na formação de tantos
Como idealista, jamais escondeu as cores de suas convicções
Como botafoguense, enalteceu nossa sagrada Estrela Solitária
Mas a solidão não lhe é destino, saiba bem disso
De onde está, em sua nova residência, esteja certo
De que sua família espiritual já está aí lhe cuidando
Já preparando para quando você, enfim, acordar
E nós aqui também sempre estaremos em preces
Para que você siga forte e firme
Sua caminhada espiritual e existencial
Caminhada, aliás, longa, dura e necessária
Para você e para todos nós
Tenha bem claro também que isso não é um adeus
Como seres perenes que somos, lhe digo
A palavra que cabe aqui é um até logo
Porque o reencontro de todos nós, amigo
É tão certo quanto é certo o Amor de Deus por cada um de nós
Mais uma vez, obrigado por compartilhar conosco
Alguns momentos de sua existência tão gentil e doce
Por isso, lhe somos gratos e muito nos orgulhamos



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O segredo


Ah, o Amor. Esse indecifrável ser, essa endiabrada criatura que nos toma pelos pés, pelos beijos e pelos abraços. Esse estranho no ninho sempre a nos empurrar para o descaminho, para o colo que jamais deveria ser hospedeiro de mais puro e abstrato sentimento. O Amor, esse louco inveterado a quebrar as vidraças e atravessar as paredes da nossa indiferença. Como quem não quer nada, lá está Ele, do alto nosso miocárdio, direcionando nosso ajuste emocional. Aí se explica a razão de tanta irracionalidade. Por que ele? Justo essa menina? Não pode ser. Mas é. (In)felizmente o Amor não se explica e não é explicável. Ele faz aquilo que quer e pronto, sem mais conversa. Por isso, a melhor forma de lidar com Ele não é enfrentá-lo, mas sim aceitá-lo. Um pouco de ingenuidade disfarçada não faz mal. Deixar o Amor comandar como se não houvesse resistência é a melhor forma de distraí-lo antes do bote derradeiro. O Amor não sabe disso (e espero que Ele não me leia), mas é possível fazer o jogo dEle, é possível ser a criança mimada dessa brincadeira de cartas marcadas. O segredo? Basta jogar, se jogar de cabeça e lembrar que não existem regras que não podem ser burladas. O Amor pode tudo, mas nós também podemos. Para tal, basta entrarmos em campo desarmados daqueles nossos preconceitos de sempre. A fórmula mágica para vencer o Amor é essa: amar de verdade e nos entregar sem medo às surpresas que nossas vidinhas nos reservam. E então, vamos tentar ou ficar esperando a próxima tirania desse irresponsável de asas?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Apocalipse


A sensação é de que houve um apocalipse. Só vejo ruas destruídas, prédios desmoronados e corações despedaçados. Como quem não entende onde se meteu, me pego com as mãos ensanguentadas e com a poeira cobrindo meu rosto. São os sinais de culpa, de autoria criminal. Mesmo sem compreender, fiz parte de todo esse processo destrutivo, de toda essa corrupção emocional. Fui inconsequente, deixei o arroubo de um momento transformar toda minha obra em ruínas existenciais. Tudo por que lutei exterminado por meus próprios dedos, como se eu fosse um louco que rasga dinheiro e quebra cristais. No reflexo de um espelho, só vejo vergonha e vazio, sentimentos esses que nem de longe me acompanhavam em outras eras do meu passado. Talvez eu seja apenas o esboço, o rascunho mal feito de algo de que tanto me orgulhava. Agora, me sobram os restos e as raspas, os pedaços desmembrados daquilo que foi outrora tão límpido e invejável. As lágrimas não mais adiantam, o arrependimento não mais comove. Apenas revelam a tristeza por trás de quem escolheu a autossabotagem como destino de seus próprios desatinos. É a hora de se levantar e de começar a reconstrução, isso não sem antes colher as lições da amargura e os aprendizados do descaminho. O recomeço vem do reconhecimento do erro, do reexame de tudo que foi sacrificado. Não é possível marchar para frente sem observar a rastro de enxofre que ficou no horizonte. Para acertar, é preciso antes parar de errar. Tão fácil na teoria e tão dificultoso na prática do dia real. Mas que assim seja então: um acerto por turno, um infortúnio que não se completa. É desse modo, peça por peça, que grandes feitos são erigidos. Vamos, então, começar e não mais tardar. A vida segue, seja como pesadelo recordado, seja como jornada de trabalho aproveitado. A escolha é de cada um.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Contradança


Você me tocou no fogo
Incendiou meus desejos
Fez de mim tabuleiro de jogo
Agora só quero seus beijos
E sonhar com seu louco despertar
Para assim também eu enlouquecer, acordar
Estar entre suas pernas escondido
Estar entre seus lábios seduzido
Que diria o poeta nessa hora?
O que o último romântico bate à porta?
Não sei mais o que dizer, o que falar
Não há fórmula mágica para solucionar
E agora? Que me digo, que me dói?
Nada mais por dentro me corrói
Do que amar sem ser correspondido
Do que sofrer sem ser percebido
Me abraça, me sufoca, me alcança
De você mereço nem que seja a contradança
Então venha, baila comigo, me gira sob o luar
Talvez seja a última chance de, enfim, você me amar


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Triunfo amargo


A pergunta que fica no final de tudo é sempre a mesma: valeu mesmo a pena?  Valeu a pena passar por cima de suas convicções, de seus valores e de seus limites para chegar ao topo? Será que aí de cima a visão é tão sublime quanto parecia? Será que durante a jornada você não deixou nada para trás? Será que nessa subida tão íngreme e intensa você se lembrou de oferecer suas mãos para quem poderia ter lhe acompanhado? Diga, com sinceridade, mesmo vitorioso, você não sente falta de ninguém nem de nada? Será que não se sente um pouco só? Ou será que já chegou aquela sensação de vazio, aquela falta de algo que não se sabe bem o que é? Eu lhe explico, essa é a sensação que todos temos quando desejamos muito algo e abrimos mão de sermos quem somos para chegarmos lá. Em outras palavras, você chegou aonde queria, mas largou para trás sua alma, sua essência. Aí, lhe pergunto: valeu mesmo a pena? Sua felicidade, aí nas alturas, é mesmo completa, integral, irretocável? Até mesmo quando se vence, pode se perder. É o triunfo amargo, quando o êxito não chega emoldurado pela sensação de dever cumprido. Eu garanto: isso vai lhe roubar muitas noites de sono. O arrependimento vai se acumular por baixo de seus pensamentos, como se fosse poeira. E aí você vai entender de uma vez por todas: o sucesso não vai trazer a tão almejada paz de espírito, ele será apenas o começo de uma nova jornada. Jornada essa bem mais complicada e complexa, porque será a jornada do reencontro com aquilo que se perdeu em algum ponto do caminho. E então? Valeu mesmo a pena?

terça-feira, 26 de abril de 2016

Caminhos separados


Seguimos caminhos separados
Esse é o fato
Mas não é preciso se render à vista alheia
Ou filtrar seus amigos por opiniões já formadas
A beleza da vida em grupo é essa
A diversidade, a pluralidade
É entender que o outro pode ser outro
Sem que o obriguemos ao capricho de escolher
O mesmo lado que o nosso
Ser amigo é entender a diferença
E ainda assim amá-la por completo
Quando estivermos maduros o suficiente
Talvez possamos voltar a nos falar
Sabendo que a nossa diferença
É só um fator a mais a valorizar o produto
Quando abraçarmos o outro e seu próprio mundo
Aí sim seremos uma sociedade crescida
Bem resolvida, senhora das matizes
Que tingem todo o tecido humano que habita
As ruas, as praças, as vielas
Quando entendermos que não somos tudo
Abriremos espaços para o infinito
E infinitas serão as possbilidades
Que teremos de bem viver e de nos reinventar