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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Coragem



Coragem. Coragem para permanecer na luta, coragem para aceitar a derrota. Coragem para resistir e fazer oposição ao que for ofensivo e deletério. Coragem para seguir em frente, de cabeça erguida, com a certeza de que se fez a mais consciente das escolhas. Coragem para enfrentar desafios e, por vezes, pisar em espinhos. Coragem para mudar o que for necessário e para conviver com que for obrigatório. Coragem para buscar novos caminhos e para contornar os numerosos abismos. Coragem para buscar os mesmos sonhos sem pessimismo ou revanche. Coragem para ser tolerância sem jamais ser conivência. Coragem para não desistir e batalhar pelos valores da democracia e da república. Coragem para ser a diferença onde a igualdade sufoca. Coragem para não ser indiferente a desmandos, transgressões e violências. Coragem para exercer a cidadania que o país tanto precisa em tempos que podem ser de dura travessia ou de inesperada calmaria. Coragem hoje, coragem em todos os dias. Coragem sempre.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A próxima refeição



Não faz diferença. Ou melhor, faz toda a diferença. Aqueles dois números mágicos que você vai digitar no dia 28 de outubro serão cruciais para o futuro do país. Realmente, não devemos pregar que se trata de uma escolha entre democracia e ditadura, entre criação e destruição. O cenário que nos apresenta é mais de uma escolha entre continuísmo e ruptura. Mas continuísmo de que? De acertos ou de erros? Só mesmo uma pessoa com a visão sectária não reconhece que a gestão interrompida pela trupe de Temer teve seus acertos e também seus tantos erros. É deles que Haddad iniciará uma eventual gestão petista? A resposta está no programa no candidato e no que por ele foi feito em seus tempos de Ministro da Educação e Prefeito de São Paulo. Foram gestões que também balançaram, e muito, entre correções e deslizes. Por isso, uma análise cuidadosa e com muito critério se faz pertinente e muito bem-vinda.
Do outro lado, temos uma candidatura que é bastante radical no seu discurso, e ainda mais radical quando se vê ataques a minorias protagonizados por seus partidários. Bolsonaro não é mesmo responsável direto pelo que seus eleitores fazem, mas seria de bom-tom que dele viessem palavras de calmaria e de serenidade. Não ajuda aos indecisos que adeptos de um lado esfaqueiem e espanquem discordantes. Na verdade, isso explica muito o contexto. Esses valentões de meia tigela, que só assim o são em maioria ou armados até os dentes, não lutam por uma mudança de paradigma, entregando à sociedade um governo aliado da boa gestão e da quebra com os elos corruptivos. Para eles, o negócio é estancar a sangria da justiça social que o PT, verdade seja dita, engendrou por questões muito mais eleitorais do que humanitárias. Ainda assim, na gestão de Lula/Dilma muito se observou de avanços no que tange a direitos de minorias e desfavorecidos.
Esse progresso social e econômico das classes emergentes desagradou tanto às “elites” que a colunista Danuza Leão traduziu em palavras o sentimento dessa turma, ao dizer que não tinha mais graça ir a Nova Iorque porque lá haveria o risco de encontrar o porteiro do próprio prédio. Pois bem, é muito positivo, em um país eivado por desigualdades e indiferenças aos desprotegidos, que porteiros e demais classes trabalhadoras possam frequentar aeroportos e desfrutar de roteiros turísticos internacionais.
Eleitores de Jair Bolsonaro têm todo o direito de enxergar nele a melhor das opções, depois de analisar o programa e o discurso do candidato. Mas, por favor, não votem no atual deputado para se vingar de minorias e de emergentes. Fazer isso é como criar cobras para acabar com roedores. Agindo assim, realmente, não teremos mais roedores, mas e quanto às cobras? Quem vai se livrar delas, quem vai lidar com elas? Antes mesmo de se ensaiar a resposta, saiba que elas já estarão, na primeira madrugada possível, enroscadas em seus pescoços, prontas para a próxima refeição.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O padrão



Eu não inventei o padrão. Muito menos me encaixo nele ou ali encontro as respostas de que preciso. Então qual a razão dos padrões e das regras tão rígidas? Quem sai ganhando com isso? Eu fico, mesmo, com a impressão de que o padrão foi criado para dar vantagem a quem o criou, agindo à margem dele em benefício próprio. Nesse caso, nossos deputados e senadores já exemplificam tudo isso, porque eles legislam e lucram fortunas subvertendo o que eles próprios estabeleceram. Parece contraditório, e é. Muitas vezes, quem inventa a regra ou quem a defende com tamanho afinco é justamente quem tem algo a ganhar para além dela. Não estou dizendo que as normas e padrões devam ser lançados às favas, entornando em todos nós uma atmosfera de anarquia e caos. Não é assim que funciona. Precisamos de referências e de parâmetros. Mas a questão é: quais referências e quais parâmetros? E quem as decide? Não questionamos a existência as regra e sim quais delas devem realmente ser estabelecidas. Em um mundo onde se vive uma inversão brutal de valores, é necessário interpelar a intenção e os interesses de quem delimita o que é lei e o que não é. É preciso enxergar que a regra não deve favorecer A ou B e sim beneficiar toda a sociedade. Agora, com isso em mente, se pergunte com verdade nos olhos: são todas as leis que realmente beneficiam a todos? Se a resposta for não, então reflita sobre o seguimento fiel a elas e depois, se for caso, batalhe para mudá-las. Decisões erradas e fortuitas não podem, para sempre, prejudicar a maioria de nós. Vamos à luta e vamos em frente.

A grande mágica



Amor vende-se em dose? Então quero mais, quero até a última dose, overdose. Amor vende-se em caixas ou pílulas? Que bom seria ter a cura de todos os males comprimida em cápsula. Que bom seria desembalar o sentimento, tirá-lo da caixa, vivê-lo por completo. Eu bem que gostaria de vender amor, ser o mercador do bem, o dono do armazém de esperanças. Mas não sou nem posso ser. Não vendo sentimentos nem pessoas, mas posso exportar otimismo, fazer crer que a vida é um poço sem abismo. Posso servir uma dose de amor? Não, não rola, mas posso convidar você a se abrir com entusiasmo para o dia, a deixar rolar os sentimentos, os abraços e, assim como quem não quer nada, esbarrar naquilo que pode ser a grande mágica que não se acha nas caixas nem nas cápsulas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Obstinação



É para ter coragem, garra e atino
Viver não é descer para o playground
E sim encarar cada desafio, cada descaminho
As coisas quase nunca serão fáceis ou suaves
Aprender, crescer e empreender requer obstáculos
Somos como pipa que as crianças soltam pelos ares
Subimos nunca a favor, mas sempre contra o vento
E não venha reclamar, inventar contratempo
Desculpas foram criadas pelos preguiçosos e ociosos
Quem é de fazer, pega, faz e esquece o que foi empecilho
Eu sei, à vezes complica, às vezes sufoca
A vida é assim: um tanto misteriosa, um tanto provocativa
A resposta nossa é que precisa ser firme e consistente
Diga sempre sim ao desenvolvimento e ao trabalho
Diga sempre sim quando o impossível for uma certeza
Quando chegamos ao alto da montanha, já ofegantes
É que olhamos para baixo e entendemos
A subida não era assim tão irresistível
Nosso medo é que impôs a maior dificuldade
E nossa obstinação é que transformou a conquista em realidade

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Meu infinito

Beijo meu, beijo seu
Uma união de lábios sedosos
Que sela nossos destinos libidinosos
Quando sua boca encontra meu corpo
Quando minha língua percorre seu escopo
Eu me sinto livre, eu me sinto solto
Solto para amar e voar
Solto para existir e participar
Desse nosso jogo misterioso
Dessa nossa fantasia colorida
Estar em seus braços é meu melhor lado
Que dele eu nunca mais me liberte
Que desse enlace se crie o eu equilibrado
Onde tanto me multiplico e me divido
Para, enfim, ter você como infinito

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Palavras



As palavras são companheiras aladas
Criaturas cósmicas que nos visitam o pensamento
De tempo em tempo, a todo o momento
Palavras são sentimentos engasgados em letras
São símbolos que carregam muito mais do que significado
Palavras são melodia, metáfora, sinergia
São duendes que nos traem em nossa tirania
Mas que também nos salvam em noites de agonia
Palavras são mágicas, são confetes, são contagiantes
Se você saca da alma uma palavra de bem e de edificação
Todos ao seu lado estarão em harmonia, trabalhando
Mas se você pega uma que não seja de benevolência
Aí verá o ambiente ser tomado pela pesada e sonora turbulência
Então não esqueça: palavras não são armas, não são facas
Elas só ferem quem lhes dá pleno ouvido
E só são letais nas mãos de quem ainda nem sabe soletrar