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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bola na trave

"Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?..."

Samuel Rosa e Nando Reis



A última noite foi como a última jogada. Eu olhei fixamente a bola e chutei a gol. Provocativa, ela passou a milímetros da luva defensora, beijou uma das traves e rolou macia sobre a linha. Depois, tocou a outra trave e rodopiou moleca, passando apenas uma porção de si pelo limite da meta adversária. Não demorou para que uma chuteira furiosa a arrancasse dali a pontapés eivados de um descarrego colérico. Não havia mais tempo para nada. O juiz apitou, o jogo acabou, a música cessou e você foi embora carregando os saltos nas pontas dos dedos da mão esquerda, sem me beijar ou dizer adeus.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

A semente do mestre


Idiossincrasias. Sim, todos nós temos as nossas. Pep Guardiola também tem as dele. Algumas, por exemplo, foram as escalações dos fraquíssimos Cuenca e Tello nos jogos decisivos da Champions League e do Campeonato Espanhol. Até entendemos que a “prata da casa” tem de ser prestigiada, mas há jogos e momentos mais adequados para fazê-lo.
De toda a forma, o legado de Guardiola para o futebol é inegável. O vitorioso treinador deixa o Barcelona após quatro temporadas de títulos e triunfos, de futebol bem jogado, com posse de bola, gols e fair play.
Trata-se de uma monumental herança. Quando o futebol se mostrava refém dos “resultados” e de técnicos tacanhos, aliados a seus brucutus de primeira hora, surge uma verdadeira filosofia esportiva, uma maneira inovadora de se jogar e de se pensar o futebol.
Deu gosto ver o que Pep Guardiola implantou em seu Barcelona. Um time que trata a bola como dama, que faz gols, que joga objetivamente, que respeita seus adversários dentro e fora das quatro linhas.
Os resultados foram uma consequência natural: o Barcelona levantou 13 troféus no período (podendo ainda chegar a 14, caso vença a Copa do Rei), deu vazão ao talento do melhor jogador da atualidade (Messi) e ainda formou a base da seleção espanhola, atual campeã do mundo.
Pep segue seu caminho, mas deixa para trás um exemplo a ser seguido, uma semente que deve inspirar a nova geração de treinadores. Que eles aprendam com o mestre catalão: futebol é feito de passes, dribles, gols e muita dedicação. Treino é levado a sério e baladeiros de véspera de jogo são bem-vindos, mas como turistas. Ronaldinho Gaúcho que o diga.