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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Aos que se foram



Quem disse que é justo
A vida separar tantas vidas?
Separar pais e filhos, alunos e mestres, amores e amantes
É justo ir embora tão cedo
Sem ver as sementes plantadas germinar?
É justo ir embora sem um adeus,
Largando um vácuo de saudades e arrependimentos?
Todos temos sonhos a realizar
Então porque um final tão precoce?

Devia ser lei todos encerrarmos aquilo que foi iniciado
Mas nem sempre o Destino e a Vida falam a mesma língua
Nem sempre há divindade na Divina Comédia do viver
É preciso dizer que nada é definitivo
Nem mesmo a Morte o é
Não sei explicar o porquê, mas disso tenho certeza
A vida é um ciclo que se renova, ainda que o final nos atropele
A vida nos ensina que as vidas são múltiplas
Dessa forma, vida nossa é vida sempre

Não sou bom com despedidas
Até mesmo por crer que nunca haverá um adeus
Aceito apenas o “até logo”, o “até breve”
Posso estar errado porque a certeza é fluída
Escapa por entre dedos ansiosos e foices afiadas
Estar errado é sinal de vida e oportunidade de remissão
Então, lá vamos nós de novo mergulhar
Na obscuridade que nos cria e nos reinventa
Naquela sensação de que devemos chafurdar no nada
Até recuperarmos o que foi perdido, as palavras prometidas

Promessa real só posso fazer uma: nunca estamos sós
A vida é ingrata, mas não é sádica a ponto de nos cortar de tudo
Quem se vai não volta, mas nos acompanha e nos espera
Pode ser do lado lá ou do lado de dentro
Pode ser bem próximo ou à distância

Não mexeria com esse vespeiro de dogmas
Contudo, posso dizer que não estamos à deriva
A saudade tortura, mas nada mais é do que aflição
Porque quanto mais se vive, mais nos aproximamos
Da Falange criadora, da sepulcral descoberta

A morte não é um buraco negro, mas um reencontro
Um salto no tempo e no espaço
O lócus sagrado em que resgatamos
Quem fomos, quem somos e quem seremos
O fim é apenas um ponto fora da curva,
O pedaço de terra que não conseguimos enxergar no horizonte
Habitado por aqueles por quem choramos ausências e angústias.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não me arrependo


Não me arrependo do tempo que ficamos juntos. Não me arrependo por ter tomado a iniciativa. Não me arrependo por ter insistido, por ter lutado para ficar com você. Não me arrependo das noites clandestinas que compartilhamos, nem mesmo das garrafas de vinho vazias que largamos mundo afora. Não me arrependo dos beijos nem das loucuras. As idas voltas só tornavam nosso balé de emoções ainda mais saboroso e romântico.

Eu sei. Falar de romance e de amor nunca combinou conosco. Nunca demos nome aos sentimentos, nunca perdemos tempo dizendo palavras que não significavam nada.

Isso não quer dizer que nada sentíamos, mas sim que optávamos em traduzir tais emoções em atitudes. Por essa razão, não me arrependo de nunca ter dito “Eu te amo”. Eu disse, mas sem palavras e à minha maneira. Melhor dizendo, nossa maneira.

Sei que fomos felizes, pois só entregamos um ao outro o que havia de melhor. Não investimos tempo e humanidade em gestos protocolares e em convenções que detestamos. Não, não éramos assim.

Nossa única preocupação era a descoberta do orgasmo dialético sob lençóis, das múltiplas madrugadas insones. Nem sempre nossas noites se traduziam em sexo (eu sei), às vezes apenas conversávamos, respeitando o invisível limite das trocas de carinhos.

Sem você, nada nessa vida é igual. Acostumei-me com aquela época, ainda tenho o hábito de sentir uma saudade, uma melancolia conformada em lamento por não voltar nos tubos do tempo. Não tem problema. Tudo é perfeito na lembrança, na nostalgia de um homem com história.

Fomos perfeitos e fomos eternos. Nossos caminhos não mais se cruzam, mas na saudade talvez ainda estejamos mantendo os encontros secretos que tanto adorávamos.