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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não me arrependo


Não me arrependo do tempo que ficamos juntos. Não me arrependo por ter tomado a iniciativa. Não me arrependo por ter insistido, por ter lutado para ficar com você. Não me arrependo das noites clandestinas que compartilhamos, nem mesmo das garrafas de vinho vazias que largamos mundo afora. Não me arrependo dos beijos nem das loucuras. As idas voltas só tornavam nosso balé de emoções ainda mais saboroso e romântico.

Eu sei. Falar de romance e de amor nunca combinou conosco. Nunca demos nome aos sentimentos, nunca perdemos tempo dizendo palavras que não significavam nada.

Isso não quer dizer que nada sentíamos, mas sim que optávamos em traduzir tais emoções em atitudes. Por essa razão, não me arrependo de nunca ter dito “Eu te amo”. Eu disse, mas sem palavras e à minha maneira. Melhor dizendo, nossa maneira.

Sei que fomos felizes, pois só entregamos um ao outro o que havia de melhor. Não investimos tempo e humanidade em gestos protocolares e em convenções que detestamos. Não, não éramos assim.

Nossa única preocupação era a descoberta do orgasmo dialético sob lençóis, das múltiplas madrugadas insones. Nem sempre nossas noites se traduziam em sexo (eu sei), às vezes apenas conversávamos, respeitando o invisível limite das trocas de carinhos.

Sem você, nada nessa vida é igual. Acostumei-me com aquela época, ainda tenho o hábito de sentir uma saudade, uma melancolia conformada em lamento por não voltar nos tubos do tempo. Não tem problema. Tudo é perfeito na lembrança, na nostalgia de um homem com história.

Fomos perfeitos e fomos eternos. Nossos caminhos não mais se cruzam, mas na saudade talvez ainda estejamos mantendo os encontros secretos que tanto adorávamos. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carta aberta ao(s) estuprador(es) da UFJF



Desprezível ser humano que cometeu esse crime,

Desejo, de verdade, que você seja encontrado, identificado e punido. Cadeia é pouco perante o dolo que foi provocado para a vítima e sua respectiva família. Crimes assim são lavados a sangue em muitos recônditos dessas terras brasileiras, crimes assim são levados à ponta da lâmina ou da bala. Essa lição certamente será entendida quando você for parar em um presídio devidamente rotulado como “estuprador de menor”.

Sinceramente, não sei se você está arrependido. Afinal, era festa, ela estava bêbada (possivelmente desacordada) e ninguém estava vendo. Que mal teria? A moça talvez nem se lembrasse do ocorrido, talvez ela nem mesmo tomasse ciência do que se passou.

E não é que ela tomou? Tomou consciência do que ocorreu e como ocorreu. Não só ela, mas também os entes queridos e toda a comunidade acadêmica da UFJF. Agora, as cartas terão de ser lançadas à mesa. Crime tão hediondo em perímetro federal não pode e nem deve passar em branco. Seria um escárnio e um convite à marginalização.

Pergunto-me aqui, será que você tem família, Senhor Estuprador? Será que você saiu do ventre de uma mulher? E essa mulher, será que ela se orgulharia de um filho que comete tal ato? Se o mesmo acontecesse a ela, seria o estupro um crime cuja apuração não merecesse a devida importância? Sem falar, Senhor Estuprador, em irmãs, filhas, namorada, primas e amigas. Cada uma delas se sentiria representada por sua prática criminosa? Não preciso ler mãos e mentes para saber a resposta.

Senhor Estuprador, você será pego e conduzido às grades. Disso não tenho dúvidas. A indagação que faço é sobre o que deve doer mais: a pena (em todos os sentidos) que lhe será imposta ou a tortura em saber que sua família descobrirá que criou alguém capaz de um ato tão sórdido? Em qualquer uma das hipóteses, lhe digo, com absoluta convicção, que não desejaria estar em seu lugar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sejamos hipócritas


Sejamos hipócritas. Vamos fingir que não há um déficit absurdo de policiais para enfrentar os bandidos, de verdade, que saem às ruas, armados, para assaltar, matar e torturar. Vamos fingir que o Brasil não é o país em que policial faz greve e corpo mole por aumento salarial. Vamos fingir que o crime institucional progressão de pena não acontece por falta de vagas nos presídios. Vamos fingir que a liberdade condicional não devolve à sociedade criminosos perigosos, como aquele que sequestrou recentemente a própria prima, em Minas Gerais. Vamos fingir que o principal problema do Brasil são os motoristas potencialmente alcoolizados. Vamos fingir que serão admitidos via concursos novos policiais para se ocuparem da fiscalização de motoristas noturnos. Vamos fingir que os bandidos não ficarão contentes com a polícia preocupada em vigiar cidadãos, enquanto eles poderão ter mais tempo para promoverem seus “arrastões”. Vamos fingir que a preocupação de um ministro da Justiça é o trânsito noturno, enquanto o caso do “Mensalão” corre risco de passar em branco no STF por prescrição. Vamos fingir que gastar policiais e recursos do Estado investigando o “crime de embriaguez ao volante” não afetará as outras investigações, envolvendo infrações com repercussões muito mais amplas, que se arrastam nas delegacias. Vamos fingir que o Estado brasileiro está preparado para mais esse encargo judicial. Vamos fingir que já não existe uma lei que pune os motoristas embriagados. Vamos fingir.

No país do faz de conta e dos cidadãos que não fazem nada para proteger seus mínimos direitos, vale mesmo colocar a polícia no encalço de quem nunca cometeu crime algum; afinal, há tanta tranquilidade nas ruas e nos espaços públicos, há tanta produtividade judicial que o maior problema do Brasil é o motorista de fim de semana.

Crimes hediondos, bandidos perigosos, prescrição de processos, impunidade, falta de presídios, greve policial, tráfico de drogas ilícitas: isso é agrura de país subdesenvolvido como Japão, Coreia do Sul, Suécia, Noruega e Holanda.

No país do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), cadeia é coisa para motorista. Há quem concorde ele, como certa emissora de TV paulista que emprega ofensor de garis e animal condenado por homicídio culposo em acidente (?) de trânsito. Parabéns a eles, pois se merecem em suas idiossincrasias e distorções da realidade. 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Necessária coragem

              Quando a vida da gente entra em um labirinto, como se acha saída? Ou ainda, como se descobre que a vida em si é um labirinto, que é preciso mudar os rumos e as rotas?
            Para muitas pessoas, essa certeza vem no formato de uma sufocante agonia, de uma gutural necessidade de se fazer algo diferente, novo.
            Claro que não é fazer apenas pela novidade, mas sim pelo fato de não se suportar mais aquilo que se vive. É como sentir-se estrangulado, com a forca ao pescoço a cada segundo que se passa.
            Nessa hora, nosso corpo e nossa alma pedem algo que nem sempre se está preparado para dar. No entanto, não estar preparado não exime ninguém da mudança premente e irrefreável.
            Como dói nos ouvidos alheios a decisão que se pensou tanto para tomar. É como um estouro a ferir a sensibilidade dos tímpanos, provocando a previsível indagação: "Você tá louco(a)?"
            "Sim, eu estou." é o que deliciosamente seria respondido se não fossem as malditas regras de convivência social. Aí, gastam-se preciosos tempo e palavras em uma explicação que não será entendida nem no espaço de um milênio.  
            Os olhares mostram-se incrédulos e as sílabas emperram os lábios interlocutores. Mas o pensamento é inegavelmente o mesmo: "O quê? Você vai largar o emprego?", "Sério, você vai mesmo trancar a faculdade?" "Não acredito que você vai se separar.", Meu Deus, você vai mesmo investir todo seu dinheiro nisso?".
            Apesar de tantas suspeitas, não há como voltar atrás. O martelo está batido e resta seguir em frente. Resta assumir as próprias decisões e seguir carregando o ônus e o bônus de uma guinada tão radical de destinos.
            Ainda que o medo assombre no começo dessa nova jornada, não há o que se temer, pois o mais difícil já foi superado. O momento é de estampar o sorriso na face e transformar as críticas em pétalas de rosas. Vai ser dureza, mas lá no final ficará provado que a medida certa foi tomada.
            Por que tanta certeza de que foi a decisão correta? Isso é simples. É porque foi uma decisão necessária. Coragem e fé levam muito mais longe do que a certeza rasteira de uma insatisfação garantida.

segunda-feira, 26 de março de 2012

50 chances

              Outro dia vi um filme muito bacana. Não é nenhum "oscarizável" e tampouco uma obra cult. É um filme simples. De mensagem clara e transparente. Trata-se da história de um rapaz saudável e cheio de vida que, de repente, se vê em meio a um devastador diagnóstico de câncer na coluna. Barra pesadíssima para um cara que tinha como maior preocupação manter o romântico emprego em uma rádio e administrar um relacionamento que já se encaminhava para um  inevitável e convencional matrimônio.
            Pois bem, a situação joga a vida de nosso herói de ponta-cabeça. Ele, então, enfrenta uma espartana quimioterapia. Nessa hora, cruenta e excruciante, a namorada-noiva o abandona, em meio a um escândalo de traição testemunhado pelo melhor amigo do enfermo. Que dureza.         
           Entre as ondulações de humor e de resistência ao tratamento por parte do rapaz, surgem figuras muito importantes para mantê-lo aceso e em guarda. Uma jovem terapeuta que acaba se tornando uma amante-confidente, um amigo boca suja que se prova o mais fiel e leal companheiro e uma mãe que se desdobra para cuidar do filho e do marido, vitimado pelo Mal de Alzheimer.
            Em pleno olho do furacão, o jovem vê que surge um entorno para sustentá-lo, para apoiá-lo em uma batalha que o aproxima das falanges da morte.
            Não vou estragar tudo dizendo se nosso amigo morre ou não ao final da película, mas posso afirmar que é um enredo emocionante e sensível ao mesmo tempo. Um drama pincelado com nuances de comédia, ou seria o contrário?
            Não importa. O importante é assistir e alcançar suas próprias conclusões. A propósito, o filme se chama 50/50. Nesse eu posso garantir que vale a pena dar "aquela espiadinha".

quarta-feira, 21 de março de 2012

Somos mesmo assim!!!


Somos pretos, brancos, amarelos, azuis e dourados. Somos coloridos e colorados. Somos caras e cores, somos cartas e cortes. Somos muito mais do que os olhos podem ver. Sim, sou eu. E não estou só. Tenho a presença de muitos porque muitos já sabem que óbvio vai muito além das aparências. E somos mesmo assim. Atrevidos e apaixonados, vibrantes e incorrigíveis. Por que será que teimam tanto em nos julgar? Isso não há razão de ser. Nem com base no que se vê por dentro nem com base no que se vê por fora. Quer me conhecer? Experimente. Vá além do que sua limitação lhe permite.

#diainternacionalcontradiscriminaçãoracial

segunda-feira, 19 de março de 2012

Facebook ou Twitter?


          Imaginem que esse seja um clássico dos desportos, um jogo de futebol a mobilizar multidões e paixões. Bom, nessa hipótese, lá estaria eu paramentado como passarinho azul, ao lado dos "followers". Mas por que isso?
            Posso dizer que essa preferência absurda pela rede social menos imagética se deve a minha preferência pelo código linguístico. OK, fotos e recados de amigos são legais e nós adoramos. Porém, nenhuma rede social nos dá maior sensação de estar no mundo do que o Twitter. Nas asas do passarinho, sabemos o que o mundo inteiro anda buchichando, damos nossas opiniões sobre o que está acontecendo e entramos em contato imediato com trendsetters.
            Além disso, o Twitter, embora em mudanças, foi planejado para ser uma ferramenta essencialmente textual. Para alguém com meu perfil, é o encaixe perfeito. Só preciso liberar minha criatividade e lá está mais um tweet. É o máximo.
            Então, é hora de largar o brinquedinho do Mark Zuckerberg? Não, ainda não. O brinquedinho de bilhões de dólares, por incrível que pareça, é essencial para a imersão social nos dias de hoje. Dificilmente, conhecemos alguém pelo Facebook. No entanto, reencontrar antigos amigos e amores nunca foi tão fácil. Ponto para o nerd pilantra.
            Dessa forma, surge a seguinte interrogação: a que ponto essa discussão toda nos leva? Simples, Twitter e Facebook são coisas diferentes. Alguns preferem este e outros, aquele. Tudo bem quanto a isso. Logo, se são diferentes, por que postar o mesmo conteúdo nos dois? Pensem bem, sejam criativos e depositem o seu melhor na interface que lhes é mais agradável. A diversidade na ciberesfera agradece.
            E eu, como fã incondicional do passarinho, vou-me embora para a Pasárgada do Twitter. Entretanto, se eu quiser bater aquele papo com o Manuel Bandeira, não será difícil encontrá-lo no Facebook, não é mesmo?