Um romance
verdadeiro, brilho raro, coração alado. Uma estrela no peito, que brilha e nos
incendeia. Uma companhia sincera, de alma aberta e alegria descoberta. Seja
qual for o seu amor, não o renuncie, não o sonegue. Amores são tantos e tão
plurais que, muitas vezes, apostamos em sua longevidade. Mas, aos poucos, os desapontamentos,
as negligências, tudo isso vai se acumulando, se somando a ponto de,
tardiamente, percebermos que os grãos de areia se tornaram um imponente
deserto. Nesse momento, não há como varrer, não há como esconder, apenas
assistimos, pálidos e incrédulos, ao soterramento de algo que nos era tão caro.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Dormir nos seus braços
Foi tão bom dormir
nos seus braços. Foi intenso e doce como um abraço. Foi como dormir sobre
nuvens, agarrado ao canto dos anjos. Não me lembrei de nada ruim, apenas caí em
profunda inconsciência, em plena e infinda congruência. Acordei tão bem e
feliz, tão satisfeito e renovado, que lamentei não ter mais sono, lamentei a
aurora e a linda manhã que se desenhou no horizonte.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
De frente
Para que insistir em algo que deu tão certo a ponto de nos fazer
desistir? Quer saber por quê? É porque ser feliz mete medo, nos põe contra
todos os infelizes e frustrados. Faz com que fiquemos na contramão, nadando em
desfavor da correnteza. Ser feliz é assim, nos faz ficar de costas para o mundo
e de frente para quem amamos.
Animal
Nosso amor é animal, fora do
normal. Ele não tem controle, é mais poderoso que nossos cinco sentidos. Ele
não tem hora nem lugar. Pode ser na cozinha, na sala, de manhã cedo, no fim de
tarde. Pode ser no restaurante, no banco do carro, na rua deserta. Nosso amor
explode e sacode, invade territórios, não respeita limites. Já foi no elevador,
no chão de garagem, no beco escuro. Já foi em todo lugar, mas ainda há muito
para explorar. Nosso amor é assim, nunca começa, nunca tem fim, então, se a
vontade nos bater, não esteja por perto, nem no quarto ao lado. Somos
barulhentos e isso pode incomodar.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Eles se beijaram...
Eles
se beijaram sem pensar. Foi intenso e explosivo, como fogo e óleo juntos. Nunca
houve pensamento ou desejo entre eles, eram amigos de longa data, sabiam os
segredos um do outro, compartilharam vitórias nos esportes, foram parceiros em
conquistas amorosas.
Mas
naquela noite algo estava diferente, pulsante. Não foi pelo álcool ou pelo
ambiente, não foi pela luz ou pela atmosfera. Simplesmente se olharam e o
encontro de lábios aconteceu em um estalo.
O
susto foi inevitável. Afastaram-se perplexos, chocados por um ato que tantas
vezes condenaram quando feito por outras pessoas. Respiraram fundo, lavaram o
rosto e foram embora.
Não
pregaram os olhos por um segundo. Cada um em seu respectivo abrigo refletiu
sobre os significados daquele beijo. Não confessaram, mas bem que se excitaram
com os lábios em frenético choque, com as línguas se cruzando na escuridão da
balada.
Não
se falaram por algum tempo e tal ato acabou se tornando uma sessão de tortura.
Por mais que não quisessem, não paravam de pensar um no outro. Não esqueciam o
beijo, os lábios, os olhos em contraste.
Em
uma madrugada de segunda, sem nada combinar, sem telefone, mensagem ou recado, se
encontraram em uma esquina. Os corações explodiram em batidas de agonia e
êxtase. A timidez fez-se presente, mas o desejo foi mais forte.
No
interior de um dos carros, tiveram a primeira noite de amor sincera e sem
tabus. Entregaram-se ao colo daquilo que sentiam e não confessavam. Jogaram-se
de cabeça em algo tão especial quanto encantador.
Os
encontros clandestinos, os amanheceres nos braços um do outro foram se
multiplicando, a ponto de fazer com que ambos perdessem as contas. Não havia
uma data de início nem hora para acabar. Apenas se amavam enquanto juntos.
Aos
poucos, foram assumindo o que eram, foram colocando o reflexo para fora do
espelho. Foi tudo tão doloroso quanto catártico. Por um lado, a vergonha de ser
algo que tanto combatiam, por outro, a liberdade de, enfim, poder expressar o
que, no fundo, eram.
As
famílias não aceitaram. Por força e prazer, mudaram-se, encontraram um mesmo
teto para um mesmo amor. Com os anos, vieram a naturalidade e a segurança. De
vez em quando, terminavam, mas nunca conseguiam se afastar. Sempre choravam e
prometiam amor eterno a cada reenlace.
Adotaram
um filho, o amaram e o ensinaram a assumir o que o coração lhe apontasse. Morreram
em lágrimas quando ele passou no vestibular, desandaram em alegria quando ele
lhes apresentou a primeira namorada. Deram-se as mãos e se beijaram, quando ele
anunciou o casamento. Levaram-no ao altar e ele lhes deu um par de netos que
nunca teve vergonha ou medo dos avôs que tanto amaram.
Dar um tempo
Dar um
"tempo" no namoro ou no casamento, hoje, virou sinônimo de algo
brega, demodé. Pode até ser, mas eu continuo achando que o "tempo" é
válido e pode salvar relacionamentos bacanas que passam por uma turbulência.
Dar um
"tempo", por definição, é um comum acordo em que o casal deixa de se
encontrar constantemente para refletir sobre os gargalos da vida e do
relacionamento. É um tempo para refletir, achar soluções, desencanar dos
problemas. Muitas vezes, um ar fresco emocional ajuda o casal a encontrar o
distúrbio e se unir para equacioná-lo.
O problema,
na minha opinião, é que as pessoas passaram a confundir dar um
"tempo" com "vale night". Usaram um recurso interessante e
útil para fazer bagunça e ir à forra. Quem está dando um "tempo" não
está solteiro nem desimpedido, não pode sair pegando todos(as) como se o mundo
fosse acabar amanhã. Dar "tempo" também não significa que a pessoa
pode sair sem avisar, viajar mundo afora sem dar satisfação ao namorado(a).
Então, o
"tempo" no amor, no namoro ou no casamento não morreu nem acabou. É
algo que continua existindo, que continua sendo usado. Mesmo que as pessoas não
admitam, mas elas ainda lançam mão desse expediente para salvar um
relacionamento ferido. E não há nada de errado, não há porque se envergonhar.
Se você ama uma pessoa, mas as coisas não andam bem entre vocês, essa é uma
possibilidade válida.
Se o
"tempo" não for utilizado para algo construtivo, se não salvar o
relacionamento, tudo bem. Isso só vai confirmar que não havia mais como
contornar o problema. Vai abreviar a sobrevida de uma relação moribunda e sem
futuro. Além disso, dar "tempo" e levar esse "tempo" a
sério é uma prova de amor, de maturidade. Quem sobrevive a isso, com certeza,
demonstra que está preparado para caminhar junto com quem ama, para enfrentar
os duros obstáculos de uma vida a quatro mãos.
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Loucura bem vivida
Ela
falou que eu sou louco. Sou nada. Não rasgo dinheiro nem janto no banheiro. Sou
apaixonado. É diferente. Vivo sem limites como um maior abandonado. Se for
legal, vamos lá, vamos nessa. O resto? Não interessa, não quero saber. Aula,
trabalho, isso vem depois, é serviço obrigatório. Se não rolar o mais, viver
não terá o que nos satisfaz. Viver também é ser careta, cumprir horário, ganhar
dinheiro. Mas nada disso vale, se você não curtir, não tirar o pé do chão.
Ainda me acha louco? Tudo bem, eu aceito. Melhor loucura bem vivida do que a certeza
de nunca ter sido diferente.
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