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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Não existem distâncias



Antes de morrer, Chorão, o cara e a cara do Charlie Brown Jr, deixou uma letra intitulada “Meu Novo Mundo”. Muita gente enxergou um quê de profético nos versos, como se o vocalista já soubesse que algo ira lhe acontecer.

Vale a pena checar como a música começa:
“Como se o silêncio dissesse tudo
Um sentimento bom que me leva pra outro mundo
A vontade de te ver já é maior que tudo
Não existem distâncias no meu novo mundo...”

Adiante, temos a seguinte lírica:
“... Fiz essa canção pra dizer algumas coisas
Cuidado com o destino
Ele brinca com as pessoas
Tipo uma foto com sorriso inocente
Mas a vida tinha um plano e separou a gente...”

Para quem quiser conferir a música e a letra completas => http://www.vagalume.com.br/charlie-brown-jr/meu-novo-mundo.html

Bom, apesar dos arrepios que nos dá comparar a música aos fatos, talvez dê para enxergar de outra forma. Chorão diz que “não existem distâncias no meu novo mundo” e, para ser sincero, não existem mesmo. Mas falar de um novo mundo não é necessariamente falar de morte. Podemos mudar nosso mundo e continuar respirando. Podemos mudar nossas vidas, derrubar as barreiras e dar um olé no Destino. Basta confiar e querer mudar.

Aliás, foi esse o recado que Chorão quis passar. Presentear-nos com fé no amor e fé na vida, tanto que a música expressa em uma de suas passagens: “Eu sei que ainda estamos muito longe do fim”.

O fim realmente tem de estar longe. Não devemos nos fiar e nos fixar na ideia de morte. O que nos movimenta é a vida e a crença de continuar vivendo. Então, não tenhamos medo. Vamos continuar fazendo coisas bacanas em nossas vidas, transformando esses versos lindos do Chorão em atitudes construtivas e positivas.

Essa é a mensagem. “Estamos muito longe do fim”, isso vale, inclusive, para nosso querido poeta do asfalto; então sigamos em frente, com amor no coração, fé na vida e muito trabalho pela frente.  Afinal, temos ainda que derrubar as barricadas de nossos velhos mundos.


"Somos tão jovens" é dever de casa



Quem já foi ver “Somos tão jovens” deve ter se deparado com sensações contraditórias ao longo do filme. A narrativa que retrata o início da carreira musical do querido Renato Russo derrapa na falta de ousadia e de, digamos assim, pegada cinematográfica.

Os críticos mais vorazes escreveram que faltou ambição, como se o filme fosse feito para domesticar e adular os fãs da Legião Urbana. Não há questionamentos, novidades ou choques de realidade sobre a história em que se construíram os caminhos da banda mais decantada do cenário musical brasileiro. Os mais exagerados chegaram a comparar o filme com capítulo da novelinha “Malhação”.

A verdade é que há mesmo algo insosso no filme. Talvez o roteiro, talvez a falta de profundidade com que os personagens são retratados, incluindo o próprio Renato. No entanto, é importante destacar também que as interpretações, se não são exemplares, também passam longe do vexatório. Além disso, as execuções das músicas “legionárias” são lindas e muito bem interpretadas.  Também vale frisar que o filme traz o gosto da época em que a história é contada. Parece que estamos mesmo na década de 70, convivendo com as aflições do jovem poeta incompreendido. Outro detalhe bacana demais é a presença constante das conexões musicais e influências artísticas de Renato. Isso dá um tempero especial e ajuda a entender como surgiram os hits catárticos do grupo.

Em resumo, não é uma obra-prima nem algo que desperte a curiosidade por parte de quem desconhece ou não gosta da banda. No entanto, para os fãs é dever de casa, pois ali estão preciosas paisagens que ajudaram a constituir uma parte importante do moderno cenário musical brasileiro. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Os loucos choram



           Chorão morreu. Com ele, morre também a banda Charlie Brown Jr. e um pedacinho dos anos 90. Nessa década, tudo foi muito marcante para mim e o primeiro contato com Transpiração Contínua Prolongada (primeiro álbum dos caras, se não me engano) não podia ser diferente. Não era um som inovador, mas era música de pegada e atitude, um verdadeiro exercício da rebeldia adolescente. Não teve jeito: quase todos da minha geração se apaixonaram por aquela sonoridade politicamente incorreta.

            Em 1999, no stress dos meus estudos para o vestibular de Comunicação Social da UFJF, escutar “Zóio de Lula” era terapêutico. Derramava-me esperança de que, depois daquela correria toda, eu teria ainda uma vida inteira pela frente para curtir.

            No final de 2000 (tenho quase certeza de que foi em 2000 mesmo), a banda veio a Juiz de Fora e fui ao show, com meu parceiro Markin Larcher. Confesso que, do show mesmo, vi muito pouco (bebidas e garotas eram nossa prioridade naqueles tempos), mas valeu a pena escutar alguns dos hits que eu tanto amava. Claro que cantei “Zóio” a plenos pulmões.

            A vida seguiu seu curso (arranjei namorada, me formei, consegui emprego), mas duas coisas mantiveram-se intactas: meu apreço pela banda e minha amizade com o Markin.

            Então, já em 2008, os caras tinham apresentação marcada para JF. E não é que fomos? Fomos e curtimos muito os sucessos antigos, os atuais e os que ainda estavam nascendo. Chorão demonstrava maturidade, estava mais família, embora ainda tivesse aquela velha energia rebelde. Observando bem, não é que nós também estávamos assim: maduros e rebeldes? Conscientes de nossa responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, com aquela vontade de mudar o mundo e fazer diferente?

            Infelizmente, esses shows serão, daqui para frente, uma lembrança bacana (mas também amarga) de tempos que nos transformaram. O pior mesmo, porém, será ficar com essa sensação de orfanato musical. É natural que se morra, pois a vida exige isso. Porém, já não temos mais artistas como Cazuza, Renato Russo, Cássia Eller, Tim Maia, Raul Seixas... Até mesmos os Mamonas Assassinas fazem uma falta terrível.

            Isso nos deixa carentes de boa música; forma-se uma lacuna que não pode ser preenchida. Além disso, essa nova geração, colorida e monossilábica, é decepcionante. Choraremos muito pela ausência da sagacidade poética de um cara cujo “coração batia na sola pé”. Mas, no fim das contas, valeu demais por tudo, CB Jr. Essa banda e esse choro jamais serão esquecidos.

“...Você deixou saudade...”

Show do CB Jr. (JF/2008 (estivemos lá)