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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Felicidade


Sou feliz. Posso provar como sou feliz. Não, não tenho dinheiro, não tenho carro de luxo, imóveis requintados em condomínios ou roupas de grifes ultracaras. Na verdade, sou uma pessoa legível, básica, tão transparente quanto um copo d’água. Então, por que me julgo feliz? Simples, como não ser feliz tendo o suficiente para meu bem viver, tendo um lar com pessoas que me amam e me abraçam quando chego, tendo uma mulher que escolheu ficar ao meu lado e partilhar tantas lutas e agruras, tantas alegrias e ternuras, tendo amigos sinceros, poucos, mas verdadeiros, tendo meu trabalho reconhecido e vindo de capacidade e esforço? Posso assegurar que sou muito feliz e realizado, pois tenho tudo do que preciso e não preciso de nada a mais do que já tenho. Isso não quer dizer que eu vá me estagnar, parar de evoluir, de buscar por algo mais em minha vida. Isso significa, no fundo, apenas que a grama "mais verde" do meu vizinho não me faz sentir inveja ou insatisfação com algo que eu não tenha. Realmente, tenho tudo de que preciso, mas se quero algo que ainda não é meu, eu tenho minha capacidade de trabalhar e de ir atrás. É isso. Tenho muita paz no coração e sou, plenamente, feliz. E não vejo dúvida, se você está lendo isso, mesmo que lhe falte uma coisa ou outra, você poderá enxergar que não lhe falta aquilo que é suficiente para lhe fazer feliz, você tem o que te move, o que te motiva, o que te dá forças para levantar a cada manhã e correr atrás. Basta ter humildade, observar bem a fundo, a vida não é igual para todos, mas somos iguais em nosso livre arbítrio, em nosso direito de batalhar e suar por algo que tanto ansiamos. Então, novamente pergunto, até que ponto você não é feliz, até que ponto você é privado de algo que pode ser seu? Somos felizes e, mesmo que não fôssemos, há um caminho aberto à nossa frente para chegarmos até lá. Basta querer, acreditar e ir em busca. Nada do que você realmente precisa está além do alcance da sua capacidade e da sua vontade. Basta quebrar a inércia e começar o movimento. Não tardará para que você chegue ao que tanto quer e que seja em plenitude feliz.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fé no ato

Bota fé no ato e coração no manifesto. A mudança é coração, ela bate por dentro e repercute por fora. É assim que tem que ser. Uma união e uma vontade que, de tão fortes, não cabem mais nas nossas casas e caras. Assim, se ganha as ruas e as rotas. A transformação sai do ventre e varre as permanências para a vaguidão do desalento.

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Só posso considerar mágico o momento em que até os notadamente alienados assumem algum discurso com viés político, ideológico ou social. Bom ver como a mudança arrasta a todos, até mesmo aqueles que não querem participar do debate ou dar a cara à tapa.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Na atividade, no amor



Eu penso e faço
As coisas importantes da vida
Estão do lado de dentro da ferida
Faça sol, faça chuva
A gente não se entrega , não se rende
Na porrada e na ternura
A ordem é seguir sempre na luta
Acreditando na gente, no amor
No amanhã que se transforma no hoje

Não tô nem aí, não ligo pra nada
Com você por perto, meu limite é incerto
Confesso que às vezes tenho medo
Aí penso em você e meto o pé
Na porta, na insegurança e no mal
A conquista é a liberdade
Que vem com a cara queimada
Nada vem de graça, nada é fumaça
Se a gente não der o soco, não tem troco

Então, vamo que vamo
Colocando potência na sola da alma,
Viajando pelas esquinas da vida
Guerreiro que é guerreiro
Bate geral e não dá mole
Só com você é que amoleço
E me entrego a algo que eu mereço

Vamo que vamo
No amor e na encrenca
Metendo a peia sem dó
Fazendo a intolerância virar pó
E acreditando que a gente vai
Deixar pro moleque um mundo melhor
Com guerras e glórias a remar
Onde a terra vira mar
E o mar, verdadeiro amor


sexta-feira, 8 de março de 2013

Força mulher


















Ser mulher é ser forte
Forte de sentimentos e necessidades
É ir além dos clichês, dos tabus
Produzir uma nova realidade
Exercer obrigatória personalidade
Viver as regras que quiser seguir
Ter um código e uma conduta
Fazer aquilo que tiver vontade
Chorar porque faz sentido
Sorrir quando tudo é um mar de perigos
Mulher é ir além do feminino
Ascender o masculino
E reafirmar o divino

É ser estrela e constelação
Desmistificar criador e criatura
Florescer alegrias em horas de sepultura
Inspirar as Helenas e as Madalenas
Ser mulher é ser tudo
É ser a porta aberta para o Destino
Um livro de páginas amarelas
Uma história a ser conquistada
Com um final de mais puro lirismo

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que você vai ser quando morrer?


Já tentei muito nessa vida. Tentei ser um jornalista ativo e atuante, reconhecido e provocador. Faltaram visão de mundo e empatia para entenderem meus pontos de vista e meu potencial. Sei que também faltou, da minha parte, coragem para talvez largar tudo e partir rumo ao desconhecido. Não sei no que daria. Valeria a pena descobrir.
 Ainda assim, o que pouco que conquistei nessa área acre e restrita foi muito valoroso, pois se deveu unicamente a talento e perseverança. Jamais tive padrinhos ou amigos influentes, por essa razão as coisas foram muito difíceis e transmitiram uma noção muito equivocada sobre minha pessoa.
Eu sou jornalista, pois tenho formação (em todos os sentidos), vocação, diploma e experiência. Não tenho é facilidade para fazer amizades que não me acrescentam nada, que não vão além de interesses específicos. Não sei mesmo transformar relações sociais em um balcão de negócios, em um escambo profissional.
                Bom para quem conseguiu ser assim e se deu bem; melhor ainda para quem - com um pouquinho de sorte, porque também faz parte - conseguiu triunfar nessa profissão por méritos e exclusivamente por eles.  A esses, dedico meus sinceros aplausos por terem conquistado algo que realmente é muito difícil.
Então minha história com as redações acabou? Não, morrerei sendo jornalista, nas formas e moldes que eu puder. Morrei acumulando meus empregos com as funções que o jornalismo me permite exercer. Morrerei jornalista, atuando como um e, acima de tudo, acreditando no jornalismo independente e sério como um divisor de águas, uma instância capaz de aperfeiçoar as instituições e os poderes, levando-nos além dos vícios e do casuísmo.

Ser um educador também faz parte do que eu sou. Estudei muito para conseguir me formar, para ser um professor e um transformador. Muito me orgulha ter dado mais de 100 aulas, de ter participado da educação de mais de 1000 estudantes. Sei que muitos colegas já ultrapassaram - e por muito - essa marca. Mas ela não deixa de ser expressiva e motivo de júbilo.
Encontrei muita coisa errada, muitas práticas que deseducam e desconstroem. Não me rendi a elas, continuei insistindo, batendo cabeça e ganhando galos, calos, cicatrizes, decepções...
Não importa. Lutei pelo que acreditei e manterei a política. Educação é o fio condutor da grande revolução do pensamento. Enquanto eu puder, acenderei aquela fagulha de conhecimento em mentes obscuras. Enfrento, sim, desinteresse, apatia, falta de suporte, mas o que é isso diante de um sonho, diante de uma missão divina? É como educador e professor que morrerei, orgulhoso do que fiz e desgostoso pelo que deixei de fazer.

Morrerei tentando ser um escritor reconhecido pelo que escrevo e não por eventuais bobagens ditas e feitas.  Escrevo e escrevo muito. São incontáveis poemas, contos e crônicas que poderiam ser divididos em alguns volumes. Também existem os romances. Alguns finalizados, outros em andamento e muitos ainda em pensamento.
Não importa o quanto eu escreva. No momento, as portas do universo literário ainda estão trancadas. Para abri-las, é preciso atravessar quilômetros de trâmites burocráticos. Depois da burocracia, dependerei da boa vontade e da cosmovisão de editoras. Terei de me encaixar em moldes comerciais para ser aceito.
E, para ser sincero, não estou disposto a tudo para chegar até esse ponto. Desfigurar minha obra já quebra toda a intenção com a qual a concebi. Dessa forma, terei de estar preparado para ouvir e dizer um “não” bem sonoro.
Se esse momento chegar, o do “não”, jogarei tudo para o alto? Não, continuarei tentando, seguirei sendo o escritor independente que já sou. Vou morrer, de fato, escrevendo e desenvolvendo essa dádiva com que Deus me brindou.

E quando à ética e à idoneidade? No Brasil do “jeitinho”, vale a pena ser correto? No país em que celulares achados não são devolvidos aos verdadeiros donos, em que carteira com dinheiro não é entregue a quem a perdeu, em que piada gratuita se torna alvo de ações na Justiça repletas de má intenção e revanchismo, o que fazer?
Bom, eu morrerei sendo o mais justo e correto que eu puder. Morrerei sendo esse idealista “careta”, esse “mané” que acredita em independência social, em escola de qualidade para todos, em um país em que se poderá, um dia, dormir de portas abertas. Morrerei devolvendo os celulares e as carteiras que eu encontrar, morrerei, sim, apontando o dedo para quem se faz de humilde para justificar as próprias marginalidade e pobreza de espírito. Morrerei dizendo que alagoanos e maranhenses não são pobres coitados, pois, se votam no Collor e no clã Sarney, é porque estão satisfeitos com o que têm. Morrerei sem querer fazer média, sendo sincero e honesto até em minhas opiniões.

Morrerei ainda sendo botafoguense, em qualquer divisão, morrerei tentando entender o kardecismo (embora eu seja espírita, o que envolve um leque mais amplo de credos e crenças), morrerei lutando para incutir em meus sobrinhos e filhos (que ainda virão) espírito de independência e autorrealização. Morrerei sendo o que eu sou e acreditando no que me faz seguir em frente todos os dias.

E vocês? O que pretendem ser quando morrerem?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Entre tapas e beijos

Não é novidade eu dizer que não vejo TV. Como todos sabemos, nada de rico ou construtivo pode ser encontrado nas ondas que invadem nossas antenas. Se ligo a televisão, é para ver futebol e olhe lá.
Bem, por não sintonizar meu televisor, acabei perdendo a briga de cachorro grande que marcou o último episódio da edição brasileira do reality show “The Ultimate Fighter”.
Tudo bem, não tem problema. A internet está aí para salvar a humanidade em situações assim. Dessa forma, lá fui eu ao computador com a missão de acompanhar o desdobramento do episódio em que Vítor Belfort e Wanderlei Silva, lutadores de MMA e treinadores de dois times rivais no programa, entram em violenta rota de colisão, chegando quase às vias de fato.
 A razão da discórdia é bem discutível: Belfort, seguindo as regras do jogo, escolhe os lutadores que devem se enfrentar em um dos combates promovidos pela atração, sendo um de sua equipe e outro da de Wanderlei. A celeuma se dá pelo vínculo de amizade entre os dois atletas selecionados, que já treinaram e moraram juntos.
Wanderlei fica possesso com a escolha de Vítor, pois considera que amigos não devem lutar entre si, a não ser na luta final do programa ou em alguma circunstância inevitável.
Por seu turno, Vítor Belfort defende a ideia de que lutadores profissionais devem colocar as questões esportivas acima das pessoais. 
Que dilema. Os dois argumentos são válidos. O MMA é um esporte violento, de golpes que machucam e ferem. Amigos de verdade não se espancam, não saem no tapa como se isso não significasse nada para ambos.
Por outro lado, no esporte, o que vem em primeiro lugar é a disputa, a concorrência. Um lutador não pode deixar de evoluir na carreira, caso esteja em uma categoria em que existem muitos amigos e companheiros de treino. Ele deve sempre lutar visando ao cinturão, às glórias máximas que podem ser conquistadas.
O cume dessa questão emblemática do MMA foi a recente luta pelo título dos meio-pesados do UFC entre John Jones e Rashad Evans. Evans, ex-campeão da categoria, treinava com Jones e sempre alegava que jamais enfrentaria o amigo. O problema foi a rápida ascensão de Jones na mesma divisão. Questionado sobre a possibilidade de enfrentar Evans para chegar ao título, o rapaz não titubeou: afirmou que encarava o amigo sem problemas. Resultado: a amizade ruiu e os dois se enfrentaram em um combate cheio de tensões e mágoas mal resolvidas.
Jones claramente travou seu jogo, respeitou Evans como não fez com os adversários anteriores, a quem tratorizou sem dó nem piedade. Em suma, a luta entre os dois foi bem aquém do esperado porque havia muita carga emocional em jogo. Jones ganhou, mas nem de longe convenceu, nem de longe demonstrou que estava mesmo a fim de esmurrar seu ex-parceiro de treinos.
Com isso, eu posso dizer que, em casos assim, vale o bom senso. Lutador que não enfrenta amigo deve deixar isso bem claro desde o início da carreira, batendo o pé e impondo seu ponto de vista. E, como o próprio esporte exige, tem de ser muito macho para suportar as pressões contrárias.
Já quem não vê problemas em encarar parceiros de treino e amigos, pode, então, calçar as luvas e subir no octógono para estapear os colegas.
É um brutal esforço psicológico. Eu mesmo não conseguiria descer a marreta em um amigo. Mas, eles, que são lutadores, que se entendam e se matem. Um dos dois sairá vencedor (ou não).