Sou feliz. Posso
provar como sou feliz. Não, não tenho dinheiro, não tenho carro de luxo,
imóveis requintados em condomínios ou roupas de grifes ultracaras. Na verdade,
sou uma pessoa legível, básica, tão transparente quanto um copo d’água. Então,
por que me julgo feliz? Simples, como não ser feliz tendo o suficiente para meu
bem viver, tendo um lar com pessoas que me amam e me abraçam quando chego,
tendo uma mulher que escolheu ficar ao meu lado e partilhar tantas lutas e
agruras, tantas alegrias e ternuras, tendo amigos sinceros, poucos, mas
verdadeiros, tendo meu trabalho reconhecido e vindo de capacidade e esforço?
Posso assegurar que sou muito feliz e realizado, pois tenho tudo do que preciso
e não preciso de nada a mais do que já tenho. Isso não quer dizer que eu vá me
estagnar, parar de evoluir, de buscar por algo mais em minha vida. Isso
significa, no fundo, apenas que a grama "mais verde" do meu vizinho
não me faz sentir inveja ou insatisfação com algo que eu não tenha. Realmente,
tenho tudo de que preciso, mas se quero algo que ainda não é meu, eu tenho
minha capacidade de trabalhar e de ir atrás. É isso. Tenho muita paz no coração
e sou, plenamente, feliz. E não vejo dúvida, se você está lendo isso, mesmo que
lhe falte uma coisa ou outra, você poderá enxergar que não lhe falta aquilo que
é suficiente para lhe fazer feliz, você tem o que te move, o que te motiva, o
que te dá forças para levantar a cada manhã e correr atrás. Basta ter
humildade, observar bem a fundo, a vida não é igual para todos, mas somos iguais
em nosso livre arbítrio, em nosso direito de batalhar e suar por algo que tanto
ansiamos. Então, novamente pergunto, até que ponto você não é feliz, até que
ponto você é privado de algo que pode ser seu? Somos felizes e, mesmo que não
fôssemos, há um caminho aberto à nossa frente para chegarmos até lá. Basta
querer, acreditar e ir em busca. Nada do que você realmente precisa está além
do alcance da sua capacidade e da sua vontade. Basta quebrar a inércia e
começar o movimento. Não tardará para que você chegue ao que tanto quer e que
seja em plenitude feliz.
Esse blog é uma gota de meu sangue, um plasma de meus sentimentos. Poesia, humor, política, dor, frustrações. É um espaço onde sou o que deveria ser ou o que nunca fui. É um lugar onde sou um personagem e uma entidade em vida. Sou um rio e também as pedras. A angústia perdida ou um sorriso espontâneo. Sou eu em múltiplas formas ou em forma alguma.
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Fé no ato
Bota fé no ato e coração no manifesto. A mudança é coração, ela bate por dentro e repercute por fora. É assim que tem que ser. Uma união e uma vontade que, de tão fortes, não cabem mais nas nossas casas e caras. Assim, se ganha as ruas e as rotas. A transformação sai do ventre e varre as permanências para a vaguidão do desalento.
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Só posso considerar mágico o momento em que até os notadamente alienados assumem algum discurso com viés político, ideológico ou social. Bom ver como a mudança arrasta a todos, até mesmo aqueles que não querem participar do debate ou dar a cara à tapa.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Na atividade, no amor
Eu penso e faço
As coisas importantes da vida
Estão do lado de dentro da ferida
Faça sol, faça chuva
A gente não se entrega , não se rende
Na porrada e na ternura
A ordem é seguir sempre na luta
Acreditando na gente, no amor
No amanhã que se transforma no hoje
Não tô nem aí, não ligo pra nada
Com você por perto, meu limite é incerto
Confesso que às vezes tenho medo
Aí penso em você e meto o pé
Na porta, na insegurança e no mal
A conquista é a liberdade
Que vem com a cara queimada
Nada vem de graça, nada é fumaça
Se a gente não der o soco, não tem troco
Então, vamo que vamo
Colocando potência na sola da alma,
Viajando pelas esquinas da vida
Guerreiro que é guerreiro
Bate geral e não dá mole
Só com você é que amoleço
E me entrego a algo que eu mereço
Vamo que vamo
No amor e na encrenca
Metendo a peia sem dó
Fazendo a intolerância virar pó
E acreditando que a gente vai
Deixar pro moleque um mundo melhor
Com guerras e glórias a remar
Onde a terra vira mar
E o mar, verdadeiro amor
sexta-feira, 8 de março de 2013
Força mulher

Ser mulher é ser forte
Forte de sentimentos e necessidades
É ir além dos clichês, dos tabus
Produzir uma nova realidade
Exercer obrigatória personalidade
Viver as regras que quiser seguir
Ter um código e uma conduta
Fazer aquilo que tiver vontade
Chorar porque faz sentido
Sorrir quando tudo é um mar de perigos
Mulher é ir além do feminino
Ascender o masculino
E reafirmar o divino
É ser estrela e constelação
Desmistificar criador e criatura
Florescer alegrias em horas de sepultura
Inspirar as Helenas e as Madalenas
Ser mulher é ser tudo
É ser a porta aberta para o Destino
Um livro de páginas amarelas
Uma história a ser conquistada
Com um final de mais puro lirismo
quinta-feira, 21 de junho de 2012
O que você vai ser quando morrer?
Já tentei muito nessa vida. Tentei
ser um jornalista ativo e atuante, reconhecido e provocador. Faltaram visão de
mundo e empatia para entenderem meus pontos de vista e meu potencial. Sei que
também faltou, da minha parte, coragem para talvez largar tudo e partir rumo ao
desconhecido. Não sei no que daria. Valeria a pena descobrir.
Ainda assim, o que pouco que conquistei nessa
área acre e restrita foi muito valoroso, pois se deveu unicamente a talento e
perseverança. Jamais tive padrinhos ou amigos influentes, por essa razão as
coisas foram muito difíceis e transmitiram uma noção muito equivocada sobre
minha pessoa.
Eu sou jornalista, pois tenho
formação (em todos os sentidos), vocação, diploma e experiência. Não tenho é
facilidade para fazer amizades que não me acrescentam nada, que não vão além de
interesses específicos. Não sei mesmo transformar relações sociais em um balcão
de negócios, em um escambo profissional.
Bom
para quem conseguiu ser assim e se deu bem; melhor ainda para quem - com um
pouquinho de sorte, porque também faz parte - conseguiu triunfar nessa
profissão por méritos e exclusivamente por eles. A esses, dedico meus sinceros aplausos por
terem conquistado algo que realmente é muito difícil.
Então minha história com as redações
acabou? Não, morrerei sendo jornalista, nas formas e moldes que eu puder.
Morrei acumulando meus empregos com as funções que o jornalismo me permite
exercer. Morrerei jornalista, atuando como um e, acima de tudo, acreditando no
jornalismo independente e sério como um divisor de águas, uma instância capaz
de aperfeiçoar as instituições e os poderes, levando-nos além dos vícios e do
casuísmo.
Ser um educador também faz parte
do que eu sou. Estudei muito para conseguir me formar, para ser um professor e
um transformador. Muito me orgulha ter dado mais de 100 aulas, de ter
participado da educação de mais de 1000 estudantes. Sei que muitos colegas já
ultrapassaram - e por muito - essa marca. Mas ela não deixa de ser expressiva e
motivo de júbilo.
Encontrei muita coisa errada,
muitas práticas que deseducam e desconstroem. Não me rendi a elas, continuei
insistindo, batendo cabeça e ganhando galos, calos, cicatrizes, decepções...
Não importa. Lutei pelo que
acreditei e manterei a política. Educação é o fio condutor da grande revolução
do pensamento. Enquanto eu puder, acenderei aquela fagulha de conhecimento em
mentes obscuras. Enfrento, sim, desinteresse, apatia, falta de suporte, mas o
que é isso diante de um sonho, diante de uma missão divina? É como educador e
professor que morrerei, orgulhoso do que fiz e desgostoso pelo que deixei de
fazer.
Morrerei tentando ser um escritor
reconhecido pelo que escrevo e não por eventuais bobagens ditas e feitas. Escrevo e escrevo muito. São incontáveis
poemas, contos e crônicas que poderiam ser divididos em alguns volumes. Também
existem os romances. Alguns finalizados, outros em andamento e muitos ainda em
pensamento.
Não importa o quanto eu escreva.
No momento, as portas do universo literário ainda estão trancadas. Para
abri-las, é preciso atravessar quilômetros de trâmites burocráticos. Depois da
burocracia, dependerei da boa vontade e da cosmovisão de editoras. Terei de me
encaixar em moldes comerciais para ser aceito.
E, para ser sincero, não estou
disposto a tudo para chegar até esse ponto. Desfigurar minha obra já quebra
toda a intenção com a qual a concebi. Dessa forma, terei de estar preparado
para ouvir e dizer um “não” bem sonoro.
Se esse momento chegar, o do
“não”, jogarei tudo para o alto? Não, continuarei tentando, seguirei sendo o
escritor independente que já sou. Vou morrer, de fato, escrevendo e
desenvolvendo essa dádiva com que Deus me brindou.
E quando à ética e à idoneidade?
No Brasil do “jeitinho”, vale a pena ser correto? No país em que celulares
achados não são devolvidos aos verdadeiros donos, em que carteira com dinheiro
não é entregue a quem a perdeu, em que piada gratuita se torna alvo de ações na
Justiça repletas de má intenção e revanchismo, o que fazer?
Bom, eu morrerei sendo o mais
justo e correto que eu puder. Morrerei sendo esse idealista “careta”, esse
“mané” que acredita em independência social, em escola de qualidade para todos,
em um país em que se poderá, um dia, dormir de portas abertas. Morrerei
devolvendo os celulares e as carteiras que eu encontrar, morrerei, sim,
apontando o dedo para quem se faz de humilde para justificar as próprias
marginalidade e pobreza de espírito. Morrerei dizendo que alagoanos e
maranhenses não são pobres coitados, pois, se votam no Collor e no clã Sarney,
é porque estão satisfeitos com o que têm. Morrerei sem querer fazer média,
sendo sincero e honesto até em minhas opiniões.
Morrerei ainda sendo botafoguense,
em qualquer divisão, morrerei tentando entender o kardecismo (embora eu seja
espírita, o que envolve um leque mais amplo de credos e crenças), morrerei
lutando para incutir em meus sobrinhos e filhos (que ainda virão) espírito de
independência e autorrealização. Morrerei sendo o que eu sou e acreditando no
que me faz seguir em frente todos os dias.
E vocês? O que pretendem ser
quando morrerem?
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Entre tapas e beijos
Não é novidade eu dizer que
não vejo TV. Como todos sabemos, nada de rico ou construtivo pode ser
encontrado nas ondas que invadem nossas antenas. Se ligo a televisão, é para
ver futebol e olhe lá.
Bem, por não sintonizar meu televisor,
acabei perdendo a briga de cachorro grande que marcou o último episódio da
edição brasileira do reality show “The Ultimate Fighter”.
Tudo bem, não tem problema. A internet está aí para salvar a humanidade em situações assim. Dessa forma, lá fui eu ao computador com a missão de acompanhar o desdobramento do episódio em que Vítor Belfort e Wanderlei Silva, lutadores de MMA e treinadores de
dois times rivais no programa, entram em violenta rota de colisão, chegando quase às vias de fato.
A razão da discórdia é bem discutível: Belfort, seguindo
as regras do jogo, escolhe os lutadores que devem se enfrentar em um dos combates promovidos pela atração, sendo um de sua equipe e outro da de Wanderlei. A celeuma
se dá pelo vínculo de amizade entre os dois atletas selecionados, que já
treinaram e moraram juntos.
Wanderlei fica possesso com a
escolha de Vítor, pois considera que amigos não devem lutar entre si, a não ser na luta final do programa ou em alguma circunstância inevitável.
Por seu turno, Vítor Belfort defende a ideia de que lutadores profissionais devem colocar as questões esportivas acima das pessoais.
Que dilema. Os dois argumentos
são válidos. O MMA é um esporte violento, de golpes que machucam e ferem.
Amigos de verdade não se espancam, não saem no tapa como se isso não
significasse nada para ambos.
Por outro lado, no esporte, o
que vem em primeiro lugar é a disputa, a concorrência. Um lutador não pode
deixar de evoluir na carreira, caso esteja em uma categoria em que existem
muitos amigos e companheiros de treino. Ele deve sempre lutar visando ao
cinturão, às glórias máximas que podem ser conquistadas.
O cume dessa questão
emblemática do MMA foi a recente luta pelo título dos meio-pesados do UFC entre
John Jones e Rashad Evans. Evans, ex-campeão da categoria, treinava com Jones e
sempre alegava que jamais enfrentaria o amigo. O problema foi a rápida ascensão
de Jones na mesma divisão. Questionado sobre a possibilidade de enfrentar Evans
para chegar ao título, o rapaz não titubeou: afirmou que encarava o amigo sem
problemas. Resultado: a amizade ruiu e os dois se enfrentaram em um combate cheio
de tensões e mágoas mal resolvidas.
Jones claramente travou seu
jogo, respeitou Evans como não fez com os adversários anteriores, a quem
tratorizou sem dó nem piedade. Em suma, a luta entre os dois foi bem aquém do
esperado porque havia muita carga emocional em jogo. Jones ganhou, mas nem de
longe convenceu, nem de longe demonstrou que estava mesmo a fim de esmurrar seu
ex-parceiro de treinos.
Com isso, eu posso dizer que,
em casos assim, vale o bom senso. Lutador que não enfrenta amigo deve deixar
isso bem claro desde o início da carreira, batendo o pé e impondo seu ponto de
vista. E, como o próprio esporte exige, tem de ser muito macho para suportar as
pressões contrárias.
Já quem não vê problemas em
encarar parceiros de treino e amigos, pode, então, calçar as luvas e subir no
octógono para estapear os colegas.
É um brutal esforço
psicológico. Eu mesmo não conseguiria descer a marreta em um amigo. Mas, eles,
que são lutadores, que se entendam e se matem. Um dos dois sairá vencedor (ou
não).
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