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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fé no ato

Bota fé no ato e coração no manifesto. A mudança é coração, ela bate por dentro e repercute por fora. É assim que tem que ser. Uma união e uma vontade que, de tão fortes, não cabem mais nas nossas casas e caras. Assim, se ganha as ruas e as rotas. A transformação sai do ventre e varre as permanências para a vaguidão do desalento.

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Só posso considerar mágico o momento em que até os notadamente alienados assumem algum discurso com viés político, ideológico ou social. Bom ver como a mudança arrasta a todos, até mesmo aqueles que não querem participar do debate ou dar a cara à tapa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Uma luta que não terminou

 


Estou lendo um livro chamado 1968, o ano que não terminou, do inspirado Zuenir Ventura. Obra muito rica em detalhes que descreve a efervescência do movimento estudantil durante o preâmbulo da ditadura (propriamente dita) militar no Brasil. Como a História nos ensina e o mesmo livro revela, os anos passaram e o regime de controle absoluto da sociedade endureceu, com prisões, sessões de torturas e assassinatos. 

Esse momento histórico, é importantíssimo ressaltar aqui, contou com amplo apoio de grandes veículos de comunicação e de formadores de opinião que ainda são citados hoje como respeitáveis (não perderei tempo com citações para não ferir o orgulho dos mais sensíveis, mas, para quem quiser aprofundar no assunto, a internet e as bibliotecas estão à disposição).

Com a redemocratização no final dos anos 80, o país voltou a ter o direito de escolher seus representantes e a usufruir de liberdade de expressão. A juventude pôde pintar os rostos e ir às ruas gritar pela saída do presidente Fernando Collor (segundo dizem, exitoso no pleito eleitoral por realizar trabalhos de magia negra, mas, na humilde opinião de quem escreve este texto, essa magia negra atende pelo nome de Organizações Globo). 

Com o avanço das décadas e por motivos que vão além do que meu olhar crítico pode alcançar, os jovens perderam o fôlego e o interesse por reivindicar seus interesses. O olhar atento à realidade e aos rumos do meio em que vivem foi trocado pela alienação. A juventude de hoje é movida a ídolos imediatos e a relações-relâmpago, que são logo desintegradas para que haja uma nova. É assim, tudo muito rápido, cibernético e superficial, a infinitude desfrutada em um instante.

Para minha surpresa, na última sexta, dia 20, deparo-me com uma mobilização de jovens e estudantes contra o aumento da passagem de ônibus. Com muita disposição, fecharam, de forma alternada, as duas margens da Avenida Rio Branco, tornando o trânsito de um começo de noite ainda mais insuportável do que já é. Motoristas xingavam e desejavam os infernos para aqueles “jovens desocupados”, mas eles seguiam em frente, convidando todos ao debate e à análise daquela decisão política do prefeito, que, por motivos que não cabem aqui levantar, atende tão prontamente aos interesses dos empresários que controlam o transporte público em Juiz de Fora.  

Confesso que fiquei com muita vontade de aderir, de entrar no meio daquela batalha para discutir e trazer à tona as maneiras como o processo público e político é resolvido na minha cidade.  Não fui, entre outras razões, porque tinha em mãos um frágil computador portátil que não era meu. Porém, fiquei observando atentamente, hipotecando de forma silenciosa meu apoio ao que ali se desenvolvia. Os motoristas furiosos precisam entender que o incômodo e a provocação são os grandes escavadores dos questionamentos e da crítica. Devemos sentir desconforto para perceber que algo está errado e que precisa ser avaliado. Com esse intento, os estudantes foram a público e deram seu recado. 

Cabe a nós, agora, analisar friamente e ver o quão certos ou errados eles podem estar. A eleição, é bom lembrar, se aproxima e tudo o que foi feito durante os últimos quatro vai entrar em jogo para uma profunda checagem. Será mesmo que valeu a pena apostar no mesmo para encontrar uma solução nova? Isso deve ser pensado por todos nós.

Não posso terminar o texto sem apontar outro fator interessantíssimo que observei quando os jovens se mobilizaram na noite de sexta: o contraste. Quando eles irromperam a Rio Branco com apitos, cartazes e muita atitude, o Parque Halfeld era palco (havia realmente um palco instalado lá) de uma apresentação musical muito bacana da banda Zé do Black. No exato momento, eu estava ali, defronte para os músicos, curtindo o show e, de repente, me deparo com o barulho dos “rebeldes” (pelo amor de Deus, estou falando de rebeldia, não de novelinha adolescente meia boca; se for esse seu caso, só posso dizer que você está no blog errado). Na mesma hora me veio na cabeça a letra de A novidade, dos Paralamas do Sucesso com o Gilberto Gil, sublinhando aquela dúvida que pairou sobre todos ali presentes: continuar de olho no show ou voltar às atenções para o protesto dos garotos? 

Ainda sob interrogação, escutei mais duas músicas e depois ouvi de um rapaz, de Santos Dumont, que achava protestos chatos e que estava bom para ele qualquer decisão tomada pelos políticos. Na mesma hora, me despedi dele e parti para perto do protesto, observando e tomando partido na luta por mudanças contra aquilo que se julga errado. 

É estranho, pois, mesmo sendo professor, reaprendi com um desconhecido que nunca se deve deixar para os políticos as definições que queremos para nós, nunca devemos deixar para os outros a decisão que afetará nossas vidas. Se podemos falar, então que nossa voz seja escutada e que incomode até a rouquidão nos alcançar. Muitos no passado deram seu sangue para que isso fosse realidade, não desperdicemos, então, esse sagrado vermelho que foi cruelmente profanado por corruptos e torturadores.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Roupa de fora e barulho por nada


Eu confesso: ainda não entendi como tirar a roupa pode ser uma forma de protesto com efeitos práticos. Não que isso ainda não choque alguns setores mais conservadores de nossa contraditória e confusa sociedade, mas ficar pelado, hoje, é algo que se tornou corriqueiro.

As pessoas próprias se fotografam nuas, com a ajuda, claro, de espelhos e de uma câmera digital e depois postam o resultado em redes sociais ou sites de acesso restrito. Também não é mentira que os cidadãos modernos tiram a roupa e se masturbam para desconhecidos em frente a webcams.

Dessa maneira, como tirar a roupa gera reflexão e espanto? Um agrupamento de mulheres peladas nas ruas é curioso, mas não assustador. A nudez é fonte de renda extra para panicats, fazendeiras e BBB´s. A nudez gratuita transforma cérebros atrofiados em celebridades de última hora, então, como promover transformação de pensamentos através do ato de tirar a roupa? Juro que não entendo. Hoje, infelizmente, a nudez pública não tem mais o simbolismo da queima de sutiãs nos anos 70. A revolução feminista, no fundo, já passou. Daqui para frente é cada uma com sua fruta e olhe lá.

Uma mocinha de um dos protestos, em entrevista para uma emissora de TV, disse que não quer ser vista como um “pedaço de carne”. Não, querida, você não é um “pedaço de carne”, todos nós o somos. Antes, o que era um direito exclusivo das mulheres, se transformou em uma maldição de toda a sociedade. Ou seja, homens, mulheres, gays, travestis, crianças e velhos: todos somos agora suculentos bifes acebolados em cartaz em uma webcam ou perfil de rede social qualquer.

No entanto, deixo claro que entendo o propósito do ato e sua intenção de “causar”, mas acho que os resultados são de uma nulidade retumbante. Infelizmente, mulheres nuas em marcha atraem mais os tarados do que os pensadores, atraem mais o sensacionalistas do que os reformadores. Então, só me resta dizer que, por hora, o movimento das peladonas fracassou flagrantemente, mas fico na torcida para que ele se reinvente e prepare uma nova ofensiva, pois nossas cabeças vazias doutrinadas pela TV andam mesmo precisando de uma boa chacoalhada para ver se os neurônios voltam a funcionar.