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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Independentes

     A morte do senador Itamar Franco não matou apenas um honrável homem público, um político que trabalhou, de fato, por sua cidade; matou também o bom senso.
     Trocar o nome da Avenida Independência para Avenida Presidente Itamar Franco foi forçar uma barra que, definitivamente, Juiz de Fora não merecia. Além de ser, é óbvio, um absurdo desrespeito a um dos maiores projetos de revitalização econômica da cidade, o Independência Shopping, que fez um brutal trabalho de marketing e de construção de marca justamente em cima da palavra “independência”.
     No entanto, sempre existe resistência quando algo tão pavoroso é decretado na base da canetada. E aí está a realidade: as pessoas simplesmente ignoram a mudança de nome do logradouro.
     Conversando e convivendo com as pessoas de Juiz de Fora, fica muito claro que ninguém abraçou a mudança. Todos chamam a avenida de “Independência”. É até curioso quando alguém tenta chamar a via pelo novo nome. Além de um custoso processo de lembrança do novo nome, a pessoa ainda não consegue ser entendida por seu interlocutor.
     Isso, por si só, já me deixa satisfeito. Afinal, as coisas não mudam do dia para a noite, como em um passe de mágica. Até mesmo uma homenagem precisa ser discutida amplamente - com todos os setores da sociedade - antes de uma decisão definitiva. Aliás, nesse caso, em termos de homenagens, Itamar já está bem servido, com aeroporto e centro de convenções renomeados em favor de sua memória.
     Dessa forma, lembre-se de que a Avenida Independência não é da Prefeitura nem do prefeito, mas sim dos juiz-foranos. Se os juiz-foranos quiserem Independência, assim ela será chamada e lembrada, mesmo que algumas placas burocráticas espalhadas por aí digam outra coisa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Palavras sujas

     Ser um educador, no sentido pleno da palavra, envolve ir muito além das convenções, do politicamente correto, do didaticamente aceitável. Essa é uma questão que sempre volta à baila quando alguém levanta uma dúvida ou consideração sobre os palavrões.
     Em recente aula de Inglês, um aluno solicitou-me uma word list (lista de palavras) sobre os palavrões do idioma. O cerne da questão é: posso mesmo ensinar esse tipo de conteúdo aos alunos e estudantes?
     A resposta é sim. Uma vez que tais palavras estão presentes em larga escala nos filmes e músicas de sucesso, não posso, na condição de educador, me negar a ensinar. Palavrão faz parte da vida, faz parte do contexto social das pessoas.
     Se estivéssemos falando de sociolinguística, seria de fazer cócegas levantar tal questão. Porém, estamos falando de uma profunda demagogia que impera na sociedade brasileira. Basta ver as versões dubladas dos filmes hollywoodianos. Toda e qualquer palavra de baixo calão é prontamente trocada por uma mais politicamente adequada. É só comparar.
     Não estou, é evidente, discutindo se as pessoas devem ou não falar palavrões. Isso é cultural e pessoal. Discuto aqui é a situação de o que se faz com o palavrão que surge em um filme ou em um diálogo corriqueiro. Ignora-se, troca-se por alguma palavrinha menos suja?
     Essa decisão é delicada, mas eu não me furto uma posição. Estou do lado da verdade, do que foi realmente dito. Por essa razão, ensino sim palavrões em minhas aulas, desde que isso seja uma dúvida levantada ou uma questão fundamental para que se tenha o entendimento integral de um diálogo.
     Dessa maneira, se aparece a palavra “shit” em uma música ou em um filme, eu não vou fingir que “shit” é “droga”. Digo sim que “shit” significa “merda” e é usada normalmente como uma interjeição.
     Situação semelhante acontece na cena de abertura do filme “A Rede Social”. No diálogo original, uma garota diz ao personagem Mark Zuckerberg que ele é um “asshole”. Na dublagem, ela diz, vejam que graça, que o rapaz é “desprezível”. Convenhamos, entre “cuzão” (tradução literal de “asshole”) e “desprezível”, há uma gritante diferença no entendimento social dos termos.
     Esse assunto me lembra bem do professor Ernani Ferraz, com quem tive aulas na faculdade de jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Muitos além de mim são testemunhas de que o professor Ernani não deixava pedra sobre pedra em sua retórica docente. Era um palavrão após o outro, em uma didática tão exótica quanto curiosa. Muitos realmente (por puritanismo, talvez) assustavam-se com o vocabulário do professor, mas tenho certeza de que ninguém deixou de aprender por essa razão.
     Assim, deixo com vocês uma singela listinha de dirty words (palavrões). É apenas para fins culturais, OK? Não pretendo aqui ensinar ninguém a ofender outras pessoas em uma nova língua. Apenas quero contribuir para o crescimento de quem estuda inglês, pois sei que não é fácil achar esse tipo de material nos canais convencionais. 
     Como diria o sempre genial Kurt Cobain: “Oh, no, I know a dirty word”.


Obs: Nem sempre as expressões estão traduzidas ao pé da letra. Em alguns casos, optou-se por colocar a expressão original em inglês ao lado de uma socialmente equivalente no português.


English dirty words
Foda-se: Fuck you, fuck yourself, screw you
Vai tomar no cu: Go up your ass, fuck off, suck my balls, suck a dick
Filho da puta: Motherfucker, Son of bitch
Bunda: Butt
Cu: Ass
Cuzão: Asshole
Buceta: Pussy, cunt
Pinto: Dick, Cock
Peito: Breast, boobs, teat
Merda: Shit, crap
Besteira: Bullshit
Porra: Cum
Vai à merda: Fuck you, Go to hell
Viado: Gay, fagot
Piranha: Bitch, whore, slut, hooker
Foder: Fuck, screw, shag
Puto: Pissed off
Corno: Crickhold

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Quanto vale um amigo?

     A pergunta que inaugura este texto merece apenas uma resposta: Não há valor que pague uma amizade verdadeira. A verdadeira amizade nasce e perdura por afinidades genuínas, por uma comunhão de interesses e de sintonias entre duas pessoas. Nenhum laço se mantém por muito tempo, quando há nele lastros de falsidade ou carreirismo.
     No entanto, o mundo está cheio de falsos amigos. Amigos que não são amigos, mas sócios por ambições execráveis e baratas. São parceiros em preencher o impreenchível vazio que carregam. Essas pessoas têm, todas elas, um fiapo da linhagem genética que abastece o clã Sarney. São pessoas que só pensam em si mesmas, em se dar bem a qualquer custo. Por essa razão, jamais se esforçam, jamais aprendem algo novo, jamais evoluem. Apenas fazem amizades que podem usar, amizades “quantificadas”, com preço e valor de mercado estipulados.
     Você já pode ter sido prejudicado por elas sem saber. Pode ter perdido tempo e dinheiro se deslocando por diversos pontos da cidade, acreditando participar de um processo seletivo isento. No entanto, o tal processo nada mais era do que um jogo cena, pois o “escolhido” já estava “escolhido” muito antes do edital ou anúncio ser publicado.
      Esses amigos, tanto os que entram quanto os que já estão lá, ainda não sabem, mas, na verdade, apenas estão contribuindo mutuamente para seus próprios atrasos. Facilitar a vida de uma pessoa incompetente ou despreparada apenas tira as chances dessa mesma pessoa progredir, procurando conquistas por méritos próprios.
      Dessa forma, não se irrite ou se aborreça por ter perdido algo para esses “amigos de amigos”. Isso só reforça o quão melhor você é em relação a eles. Lá na frente, de tão distante, você nem se lembrará de ter passado por eles, mas eles nunca esquecerão, pois terão as trilhas de suas pegadas para seguir.