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terça-feira, 26 de junho de 2012

Roupa de fora e barulho por nada


Eu confesso: ainda não entendi como tirar a roupa pode ser uma forma de protesto com efeitos práticos. Não que isso ainda não choque alguns setores mais conservadores de nossa contraditória e confusa sociedade, mas ficar pelado, hoje, é algo que se tornou corriqueiro.

As pessoas próprias se fotografam nuas, com a ajuda, claro, de espelhos e de uma câmera digital e depois postam o resultado em redes sociais ou sites de acesso restrito. Também não é mentira que os cidadãos modernos tiram a roupa e se masturbam para desconhecidos em frente a webcams.

Dessa maneira, como tirar a roupa gera reflexão e espanto? Um agrupamento de mulheres peladas nas ruas é curioso, mas não assustador. A nudez é fonte de renda extra para panicats, fazendeiras e BBB´s. A nudez gratuita transforma cérebros atrofiados em celebridades de última hora, então, como promover transformação de pensamentos através do ato de tirar a roupa? Juro que não entendo. Hoje, infelizmente, a nudez pública não tem mais o simbolismo da queima de sutiãs nos anos 70. A revolução feminista, no fundo, já passou. Daqui para frente é cada uma com sua fruta e olhe lá.

Uma mocinha de um dos protestos, em entrevista para uma emissora de TV, disse que não quer ser vista como um “pedaço de carne”. Não, querida, você não é um “pedaço de carne”, todos nós o somos. Antes, o que era um direito exclusivo das mulheres, se transformou em uma maldição de toda a sociedade. Ou seja, homens, mulheres, gays, travestis, crianças e velhos: todos somos agora suculentos bifes acebolados em cartaz em uma webcam ou perfil de rede social qualquer.

No entanto, deixo claro que entendo o propósito do ato e sua intenção de “causar”, mas acho que os resultados são de uma nulidade retumbante. Infelizmente, mulheres nuas em marcha atraem mais os tarados do que os pensadores, atraem mais o sensacionalistas do que os reformadores. Então, só me resta dizer que, por hora, o movimento das peladonas fracassou flagrantemente, mas fico na torcida para que ele se reinvente e prepare uma nova ofensiva, pois nossas cabeças vazias doutrinadas pela TV andam mesmo precisando de uma boa chacoalhada para ver se os neurônios voltam a funcionar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que você vai ser quando morrer?


Já tentei muito nessa vida. Tentei ser um jornalista ativo e atuante, reconhecido e provocador. Faltaram visão de mundo e empatia para entenderem meus pontos de vista e meu potencial. Sei que também faltou, da minha parte, coragem para talvez largar tudo e partir rumo ao desconhecido. Não sei no que daria. Valeria a pena descobrir.
 Ainda assim, o que pouco que conquistei nessa área acre e restrita foi muito valoroso, pois se deveu unicamente a talento e perseverança. Jamais tive padrinhos ou amigos influentes, por essa razão as coisas foram muito difíceis e transmitiram uma noção muito equivocada sobre minha pessoa.
Eu sou jornalista, pois tenho formação (em todos os sentidos), vocação, diploma e experiência. Não tenho é facilidade para fazer amizades que não me acrescentam nada, que não vão além de interesses específicos. Não sei mesmo transformar relações sociais em um balcão de negócios, em um escambo profissional.
                Bom para quem conseguiu ser assim e se deu bem; melhor ainda para quem - com um pouquinho de sorte, porque também faz parte - conseguiu triunfar nessa profissão por méritos e exclusivamente por eles.  A esses, dedico meus sinceros aplausos por terem conquistado algo que realmente é muito difícil.
Então minha história com as redações acabou? Não, morrerei sendo jornalista, nas formas e moldes que eu puder. Morrei acumulando meus empregos com as funções que o jornalismo me permite exercer. Morrerei jornalista, atuando como um e, acima de tudo, acreditando no jornalismo independente e sério como um divisor de águas, uma instância capaz de aperfeiçoar as instituições e os poderes, levando-nos além dos vícios e do casuísmo.

Ser um educador também faz parte do que eu sou. Estudei muito para conseguir me formar, para ser um professor e um transformador. Muito me orgulha ter dado mais de 100 aulas, de ter participado da educação de mais de 1000 estudantes. Sei que muitos colegas já ultrapassaram - e por muito - essa marca. Mas ela não deixa de ser expressiva e motivo de júbilo.
Encontrei muita coisa errada, muitas práticas que deseducam e desconstroem. Não me rendi a elas, continuei insistindo, batendo cabeça e ganhando galos, calos, cicatrizes, decepções...
Não importa. Lutei pelo que acreditei e manterei a política. Educação é o fio condutor da grande revolução do pensamento. Enquanto eu puder, acenderei aquela fagulha de conhecimento em mentes obscuras. Enfrento, sim, desinteresse, apatia, falta de suporte, mas o que é isso diante de um sonho, diante de uma missão divina? É como educador e professor que morrerei, orgulhoso do que fiz e desgostoso pelo que deixei de fazer.

Morrerei tentando ser um escritor reconhecido pelo que escrevo e não por eventuais bobagens ditas e feitas.  Escrevo e escrevo muito. São incontáveis poemas, contos e crônicas que poderiam ser divididos em alguns volumes. Também existem os romances. Alguns finalizados, outros em andamento e muitos ainda em pensamento.
Não importa o quanto eu escreva. No momento, as portas do universo literário ainda estão trancadas. Para abri-las, é preciso atravessar quilômetros de trâmites burocráticos. Depois da burocracia, dependerei da boa vontade e da cosmovisão de editoras. Terei de me encaixar em moldes comerciais para ser aceito.
E, para ser sincero, não estou disposto a tudo para chegar até esse ponto. Desfigurar minha obra já quebra toda a intenção com a qual a concebi. Dessa forma, terei de estar preparado para ouvir e dizer um “não” bem sonoro.
Se esse momento chegar, o do “não”, jogarei tudo para o alto? Não, continuarei tentando, seguirei sendo o escritor independente que já sou. Vou morrer, de fato, escrevendo e desenvolvendo essa dádiva com que Deus me brindou.

E quando à ética e à idoneidade? No Brasil do “jeitinho”, vale a pena ser correto? No país em que celulares achados não são devolvidos aos verdadeiros donos, em que carteira com dinheiro não é entregue a quem a perdeu, em que piada gratuita se torna alvo de ações na Justiça repletas de má intenção e revanchismo, o que fazer?
Bom, eu morrerei sendo o mais justo e correto que eu puder. Morrerei sendo esse idealista “careta”, esse “mané” que acredita em independência social, em escola de qualidade para todos, em um país em que se poderá, um dia, dormir de portas abertas. Morrerei devolvendo os celulares e as carteiras que eu encontrar, morrerei, sim, apontando o dedo para quem se faz de humilde para justificar as próprias marginalidade e pobreza de espírito. Morrerei dizendo que alagoanos e maranhenses não são pobres coitados, pois, se votam no Collor e no clã Sarney, é porque estão satisfeitos com o que têm. Morrerei sem querer fazer média, sendo sincero e honesto até em minhas opiniões.

Morrerei ainda sendo botafoguense, em qualquer divisão, morrerei tentando entender o kardecismo (embora eu seja espírita, o que envolve um leque mais amplo de credos e crenças), morrerei lutando para incutir em meus sobrinhos e filhos (que ainda virão) espírito de independência e autorrealização. Morrerei sendo o que eu sou e acreditando no que me faz seguir em frente todos os dias.

E vocês? O que pretendem ser quando morrerem?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Olhos com olhos


Seus olhos são meus olhos. Queria sonhar tão Divina arte. Mas a arte do sonho é para os iniciados. Resta, então, a mim, pobre mortal, me embriagar nas águas da realidade. O meu desejo, genuíno e bruto, é estar com você, em cama, mesa e banho. No entanto, o sal da vida apenas me contempla com sua presença imaginária, com seu halo em meus mais puros anelos. Que seja traição ofender os deuses. Mas o faço por loucura de paixão e cobiça. Um Deus justo há de perdoar uma alma perdida por luxúria transcendental. Afinal, qual Deus nunca pecou, qual imagem santa nunca tombou ao sabor das guerras, sacras ou não? Estou diante de um labirinto, meus instintos apontam um foco, minhas sombras, uma outra direção. Não é divertido se perder entre tantos. Quero alegrias, quero a mágica solução. Deuses, estejam em minha presença, pois faço votos de coração. Deixo a Vocês toda minha ordem e minha furiosa ilusão. Nada peço em retorno. Apenas rogo pela volição, uma última e epifânica experiência de amor em brasas, pois a Morte me espreita com olhar agourento e sibilante, pronta para arrancar olhos com olhos daqueles que a negam pela madrugada de um refrão.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Canalhas de moita



A verdade nua e crua é que na internet ninguém gosta de mostrar a cara. Por trás de sites e blogs, a princípio bacanas, esconde-se, muitas vezes, uma máquina de mensagens subliminares ideológicas e partidárias. Isso não é novidade. Deriva dos veículos tradicionais que arrotam imparcialidade, para, no fundo, instrumentalizar seu público, forjando uma massa de manobra para objetivos nem sempre patrióticos.
Gera certa perplexidade nessa propaganda política via internet a falta de uma postura mais crítica por parte dos usuários da rede mundial de computadores. Com uma desfaçatez de dar inveja a gente como Fernando Collor, Paulo Maluf e Alberto Bejani, os falsos perfis da internet disparam discursos e conteúdos tendenciosos, encontrando, raras vezes, resistência e contestação.
Episódio curioso foi o que se passou em um grupo do Facebook chamado “Moradores Juiz de Fora”. A página é, em tese, destinada a exaltar a cidade e seus cidadãos, livre de quaisquer interesses políticos ou questões partidárias. Na prática, todavia, não foi o que se viu.
Dias após o aniversário da cidade, o que acarretou um expressivo aumento no número de visitantes, os responsáveis pelo espaço postaram uma mensagem política de apoio irrestrito ao atual prefeito, Custódio Mattos (PSDB).
Pura propaganda política. Não demorou para que internautas mais antenados, poucos, por sinal, se revoltassem. Na teoria, choveriam críticas ao post, mas isso não foi possível porque bloquearam a opção de comentar o conteúdo.
Indignados, muitos abandonaram o grupo ou compartilharam mensagens coletivas denunciando o abuso por parte dos proprietários do espaço. Um deles foi Sinésio Antônio Pastorini, a quem coube me informar sobre o cancelamento do polêmico post minutos depois da explosão de acusações sobre o direcionamento de uma página que deveria ser democrática e inclusiva.
O pior é que o post foi cancelado sem maiores explicações ou escusas. Simplesmente evaporou. Sinésio, inclusive, relatou preocupação em ser tachado de mentiroso, pois as denúncias que alardeavam não encontravam as provas de sua materialidade.
O que eu disse a ele? Relaxa, pois eu mesmo vi a postagem ideológica e posso testemunhar que de fato ela existiu. Além disso, muitas outras pessoas também viram e tiveram seu direito de comentar o post negado. Ficou feio na verdade foi para os controladores do espaço, pois perderam a credibilidade e o rótulo de imparciais.
Outra página na franja do Facebook também se presta a repassar propaganda política dissimulada. Trata-se do “Baixoa (sic) Corrupção”. No início, acha-se que é um fórum para o debate de um país mais republicano e transparente, voltado para o combate à corrupção em todas as suas formas e gêneros.
No entanto, prestando bastante atenção ao que é postado, vê-se que é mais um espaço de críticas ao atual governo. Tudo bem. Todos sabemos das lambanças do PT e de seus aliados. Ninguém vai se esquecer do “Mensalão”, dos “aloprados”, do populismo do Lula, da obsessão esquerdista pelo controle da mídia, do aparelhamento do Estado.
A pergunta que fica é: E o outro lado? Cadê as críticas às privatizações feitas a custo de banana e toque de caixa no período FHC? Cadê o escândalo da compra de votos para a aprovação do dispositivo que criou a possibilidade de reeleição também na gestão tucana? Cadê o dedo na ferida do socorro absurdo ao sistema bancário que FHC promoveu sem pudor algum?
Isso os amigos do “Baixoa (sic) Corrupção” não comentam, né? Fica a dica a vocês, usuários de redes sociais e visitantes de blogs. Sempre tem um espertinho disfarçado querendo influenciar suas atitudes e sua forma de pensar. Então, fiquem espertos e deem um unfollow nesses canalhas de moita. Ignorância é a melhor maneira de condenâ-los.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

É preciso amar

                                                                          Foto: Reuters


Essa imagem, impactante e poética, foi umas das fotos registradas na esteira de um ataque terrorista ocorrido em um shopping canadense, no último sábado (dia 2). Uma garota, assustada e frágil, é amparada e protegida por um rapaz forte e robusto.


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/06/homem-abre-fogo-em-shopping-no-canada-e-deixa-um-morto.html

Parece até imagem de filme ou novela. Mas não é. É vida real, vida vivida por pessoas de verdade, com seus traumas e dramas, com dores e horrores. Nada aí é encenado ou simulado, não existe roteiro ou direção. A única voz no comando dos trabalhos é o Destino.
Vendo e revendo essa reprodução, penso que medida se toma quando nos deparamos com alguém debilitado. Claro que se for uma garota bonitinha ou se alguém estiver filmando, estaremos todos solidários e solícitos, cheios de amor e conforto para dar.
Aí voltamos à questão da vida real. Na vida real, não existem câmeras para todo o lado, não existe somente menina bonitinha. Então, o que fazer? Sei que muitos, diante do interlocutor alquebrado, logo se põem a condená-lo com um dos indicadores, enumerando suas falhas e equívocos, sentenciando-o por tudo de ruim que lhe acontece.
Pois bem, é nessa hora, justamente nessa hora, que devemos pensar nas câmeras e nas moças bonitas. Por que não tratar todos dessa maneira cavalheiresca, será que só as lentes e a beleza tornam alguém digno de amparo? Acho que como humanos podemos ser mais nobres e humildes do que isso, não é? Ou não significa nada cantarolar “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”?
Isso é muito mais do que um verso, é muito mais do que nosso egoísmo pode alcançar. Portanto, sejamos poetas também nas ações e façamos o que o sacerdote urbano nos legou. Vamos fazer amor e amar as pessoas. Vamos superar o terror e a dor com amizade e destemor. As pessoas morrem, mas as lições, as poesias e as fotos ficam para sempre.
Se vocês querem ainda uma prova de que não há amanhã, fica para reflexão esse lindo discurso sobre o significado e a efemeridade da vida.