Não
faz diferença. Ou melhor, faz toda a diferença. Aqueles dois números mágicos
que você vai digitar no dia 28 de outubro serão cruciais para o futuro do país.
Realmente, não devemos pregar que se trata de uma escolha entre democracia e
ditadura, entre criação e destruição. O cenário que nos apresenta é mais de uma
escolha entre continuísmo e ruptura. Mas continuísmo de que? De acertos ou de
erros? Só mesmo uma pessoa com a visão sectária não reconhece que a gestão
interrompida pela trupe de Temer teve seus acertos e também seus tantos erros. É
deles que Haddad iniciará uma eventual gestão petista? A resposta está no
programa no candidato e no que por ele foi feito em seus tempos de Ministro da
Educação e Prefeito de São Paulo. Foram gestões que também balançaram, e muito,
entre correções e deslizes. Por isso, uma análise cuidadosa e com muito
critério se faz pertinente e muito bem-vinda.
Do
outro lado, temos uma candidatura que é bastante radical no seu discurso, e
ainda mais radical quando se vê ataques a minorias protagonizados por seus
partidários. Bolsonaro não é mesmo responsável direto pelo que seus eleitores
fazem, mas seria de bom-tom que dele viessem palavras de calmaria e de
serenidade. Não ajuda aos indecisos que adeptos de um lado esfaqueiem e
espanquem discordantes. Na verdade, isso explica muito o contexto. Esses
valentões de meia tigela, que só assim o são em maioria ou armados até os
dentes, não lutam por uma mudança de paradigma, entregando à sociedade um
governo aliado da boa gestão e da quebra com os elos corruptivos. Para eles, o
negócio é estancar a sangria da justiça social que o PT, verdade seja dita,
engendrou por questões muito mais eleitorais do que humanitárias. Ainda assim,
na gestão de Lula/Dilma muito se observou de avanços no que tange a direitos de
minorias e desfavorecidos.
Esse
progresso social e econômico das classes emergentes desagradou tanto às “elites”
que a colunista Danuza Leão traduziu em palavras o sentimento dessa turma, ao
dizer que não tinha mais graça ir a Nova Iorque porque lá haveria o risco de
encontrar o porteiro do próprio prédio. Pois bem, é muito positivo, em um país
eivado por desigualdades e indiferenças aos desprotegidos, que porteiros e demais
classes trabalhadoras possam frequentar aeroportos e desfrutar de roteiros
turísticos internacionais.
Eleitores
de Jair Bolsonaro têm todo o direito de enxergar nele a melhor das opções,
depois de analisar o programa e o discurso do candidato. Mas, por favor, não
votem no atual deputado para se vingar de minorias e de emergentes. Fazer isso
é como criar cobras para acabar com roedores. Agindo assim, realmente, não
teremos mais roedores, mas e quanto às cobras? Quem vai se livrar delas, quem
vai lidar com elas? Antes mesmo de se ensaiar a resposta, saiba que elas já
estarão, na primeira madrugada possível, enroscadas em seus pescoços, prontas
para a próxima refeição.
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