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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Brilho de estrela


Ela vai fazer falta. Era uma criatura doce e muito especial. Difícil achar alguém que dela não goste, ou melhor, que por ela nutra alguma natureza antipática. Hebe sempre foi exagerada na alegria, cheia de tiradas e gestos que iam muito além de seu tempo. Aliás, para Hebe o tempo parecia não passar. Estava sempre esplêndida e radiante, sexy e romântica. Podia ser avó ou amante, tinha cacife para ambos. Foi um personagem que soube reinventar a si mesma, que soube interpretar as tendências e a elas antecipar-se.
Hebe nunca foi de atitudes gratuitas e vulgares. Seu bom gosto e seu carisma foram garantia de sua longeva audiência. Hebe nunca precisou de “assistentes de palco”, de desfiles mórbidos ou de polêmicas toscas para atingir o coração de seu público. Atingiu porque era autêntica e grandiosa, feliz e genuína. Hebe soube ser Hebe até quando isso não fazia o menor sentido.
Hebe jamais distorceu o reflexo que seu espelho revelava. Sempre respeitou a si mesma e a seus admiradores. Lutou quando devia e soube se deixar cândida quando o momento assim demandou. Hebe é uma estrela, uma referência majestosa quando vemos que a TV brasileira hoje produz embustes e engodos cafonas e de rara finesse.  
Hoje, essas moças à frente das câmeras têm dificuldades absurdas com a gramática, o dicionário e o guarda-roupa. Hebe não as tinha. A eternal apresentadora sempre soube desfiar frases inteiras sem doer nos ouvidos alheios, sempre soube como vestir-se para brilhar espontaneamente. Hebe devia ser um livro de cabeceira para quem ousa iniciar na telinha.
Talvez com ela ainda seja possível aprender que talento vem de dentro, é algo natural, mas que também pode ser desenvolvido. Talento é pessoal e intransferível, não tem nada a ver com o diâmetro dos seios ou dos glúteos. Talvez ainda dê tempo de aprender com uma verdadeira rainha sobre os atalhos que conduzem ao sucesso. Não são muitos, mas aí estão: simplicidade, dom, generosidade, alegria, discrição, persistência, carinho, amor e aquele brilho particular que só uma grande diva é capaz de emanar.
Viram? É disso que é feita uma estrela. Não há joia, roupa ou plástica que seja capaz de transformar tábuas siliconadas sem luz em pérolas incandescentes. Brilhar intensamente é uma missão e não uma imposição milionária.

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